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Incríveis fotos do Juventus da Mooca

Leia o post original por Milton Neves

Juventus 3

Estou intrigado. Comparando-se as duas fotos, porque “sumiu” uma torre das antigas fábricas da Mooca se Geraldo Scotto jogou no Juventus e depois do volante Lima, o curinga?

Ela nã foi suprimida por efeito de photoshop.

Construção não houve, à época, no inicio dos anos 60. Já se fazia só destruir, tombar no mau sentido, detonar.

É o que hoje chamam também de implodir. De qualquer forma, as fotos do saudoso Sarkis são deliciosamente românticas. Pela Mooca, pela Rua Javari, pelas torres, pelas fábricas, pelos craques de verdade e pela saudade pura e simples.

Na foto acima, em pé: Fernando, Carlos (o segundo da esquerda para a direita, que já morreu), Beneti, Cabeção (o goleiro), Chiquinho e Geraldo Scotto (o último). Agachados: o primeiro é Antoninho Minhoca (perdeu um braço em uma prensa, entrou em depressão e morreu devido a um câncer), Gijo, Andes, o penúltimo é o sumido carioca Ferreirinha (ex-Corinthians), e  Valdir.

Juventus 2

Acima, o Juventus “só de duas torres”, em um dos últimos jogos do mineiro Lima pelo Moleque Travesso. Logo, ele iria para a Vila Belmiro e entraria para a história. Em pé: Diógenes, Homero (ex-Corinthians), Lima, Pando, Clóvis, Morais e o massagista Luis. Agachados: mascote, Amaral, Zeola, Orlando, Cássio (mora na Bélgica), Torres e o outro mascote

Juventus A

Da esquerda para a direita: Julinho, Nenê e Pando. Notem que o goleiro Nenê não usava luvas mas as joelheiras de feltro garantiam um pouco e segurança no rústico gramado da Rua Javari

Juventus B

Quatro goleiros do Juventus posando para esta bela imagem na Javari, nos anos 60. Em pé, o loirinho é Adelvio. Agachados, da esquerda para a direita, estão: Marco Antonio, Mão de Onça e Guilherme

É bom imaginar*

Leia o post original por Antero Greco

A gente vive com tanta pressa, com enorme e interminável volume de informações a desabar sobre nossos olhos, com busca incessante de novidades, com cliques frenéticos que resta pouco tempo para contemplação, para nos debruçarmos sobre a história e nos deliciarmos com proezas do futebol.

Por exemplo: ontem, completaram-se 55 anos do “gol mais bonito” dos mil e tantos que Pelé marcou na carreira. Foi contra o Juventus, na Rua Javari, pelo Paulistão de 1959, que na época se chamava Divisão Especial, os times não tinham patrocinadores, jogavam com uniformes que os consagraram – branco, os santistas, e grená, os juventinos – e a numeração dos atletas ia do 1 ao 11! Veja só que coisa antiquada e sem graça!

Pois bem. Salvo engano, o Santos vencia por 3 a 0 e a torcida do Moleque Travesso pegou no pé do Rei porque, numa dividida, havia quebrado Pando, do time da casa. Pelé se irritou com as vaias e, embora já tivesse feito dois gols, num determinado momento saiu a distribuir chapéus em quem vinha pela frente. Três, no total, incluído um no goleiro Mão de Onça, antes de completar o lance genial com uma cabeçada.

Quem me lembrou da efeméride foi o Roberto Salim, repórter mais admirável e incansável com quem tenho a honra de trabalhar (e sobretudo de aprender) há décadas. Um mestre do jornalismo, veterano com espírito de menino e pique que muitos iniciantes não têm. Não existe uma reportagem sequer em que se meteu e que não virou obra-prima de precisão, arte, sensibilidade e sabedoria. Um Pelé das notícias.

Bom chega de confete, e voltemos ao que interessa. Não constam, nos arquivos de tevês, vivas ou mortas, filmagens desse gol antológico. Vai ver se perderam nos incêndios que, nos anos 60 e 70, destruíram cenários e acervos das emissoras. Há uma foto do instante em que Pelé cabeceia para o gol, reproduzida a três por quatro. Justo.

Nessa lacuna mora o fascínio do episódio há meio século. O fato ficou na memória, mais precisamente na imaginação, de quem o acompanhou ao vivo. Eis aspecto que lhe dá importância superlativa e torna especial o testemunho dos felizardos que na tarde de 2 de agosto foram ao Conde Rodolfo Crespi, na Mooca. Ou dizem que foram.

As pessoas se deram conta do encanto daquele evento à medida que aumentava a distância no espaço e que não se encontravam filmes para mostrá-lo e repeti-lo ao mundo. Cada uma tomou para si a honra de contar, com riqueza de detalhes, tintim por tintim, cada passada de Pelé até a bola dormir na rede do gol do fundo, que dava para o antigo cotonifício da família Crespi. Não por acaso se diz que uns 70 mil estiveram no estádio, cuja capacidade, com boa vontade, não extrapola 5 mil.

Sobram exageros e ficção nos depoimentos – e isso é extraordinário. Note que lindo, numa época em que câmeras vigiam nossa sombra, em que até pensamentos “caem na rede”, termos de recorrer a relatos orais daquela aventura. Equivale ao deslumbramento que gerações e gerações de gregos, na Antiguidade, sentiam ao ouvir os rapsodos entoarem o enredo da Ilíada e da Odisseia, com acréscimos aqui e ali. Ou os nossos cantadores de cordel a recordarem artimanhas de heróis e mitos do sertão.

Nos acostumamos com filmagens como fonte de conhecimento ou prazer. Qualquer fato do cotidiano, anormal ou banal, nos remete aos youtubes da vida. Se não encontramos nada, vêm a dúvida e a frustração. Crentes, agnósticos ou ateus, todos somos São Tomé, que só acreditou no Cristo ressuscitado ao tocá-lo. Não lhe bastaram a fé e o entusiasmo dos companheiros.

Pois precisamos da imaginação, do sonho, da invenção como contrapontos à realidade. Temos crueza demais na vida real. Por isso, me nego a ver a recriação computadorizada do gol. Pra quê? Ele é lindo demais justamente porque está na memória afetiva de cada um. Quero fechar os olhos e ter a minha versão. E, se bobear, também direi que estava na Javari. Eu tinha cinco anos, ué.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, domingo, dia 3/8/2014.)

Quarteto fantástico

Leia o post original por Fábio Soares

Na foto acima, toda a torcida da Inter de Limeira na partida desta quarta contra o Juventus, pela A-3. A garota do canto deu balão no trabalho e pegou o Limeira-São Paulo para representar a “Interror” na Rua Javari. Para Marcelo, o com a camisa 7, dia de jogo da Inter é feriado na faculdade.  Não faltou em nenhum este ano. O pessoal da rádio até perguntou por ele lá da cabine hoje. Os outros dois são da capital. O que não tira o mérito pela  presença. Não foi moleza aguentar aquele sol na moringa. Veio o reconhecimento quando os jogadores foram comemorar o gol no alambrado, com o quarteto. O Juventus empatou logo depois, mas a vibração conjunta já tinha feito valer a jornada.

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