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A Viagem

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 31/10/1981

Uma viagem tem o poder de mudas pessoas. Consegue alterar comportamentos, reformular filosofias e amadurecer os espíritos. A Seleção Paulista de Novos viajou milhares e milhares de quilômetros pelo misterioso continente asiático. Os jogadores absorveram costumes, venceram barreiras naturais, dobraram os sentimentos pessoais. Conheceram terras e mares. Viram como vivem as pessoas na Ásia. Sentiram o pesado silêncio de um rio cortando uma densa floresta e viveram a loucura fervilhante de um porto livre. Conviveram com pessoas seguidoras de todas as religiões. Depararam com dezenas de idiomas, dialetos e assistiram a conflitos raciais. Observaram a presença de pobres e ficaram frente a frente com a fartura gerada pelo petróleo. Sentiram emoção ao ouvirem “Aquarela do Brasil” numa discreta emissora de rádio malaia e comemoraram o “7 de setembro” numa embaixada brasileira ainda em formação. Os costumes orientais atingidos por sintomas ocidentais foram discutidos pelos jogadores da Seleção Paulista de Novos. Jogaram em estádios distintos, com públicos distintos e com recepções entusiasmadas, afinal, os paulistas estavam sendo mostrados como representantes do futebol brasileiro. O futebol que teve Pelé, Rivelino, Tostão, Gérson,…  

O futebol de São Paulo tem 18 jogadores vacinados contra situações difíceis. Um grupo com média de 21 anos e com enorme talento. Revelaram-se eficientes e o futebol de São Paulo – da Primeira Divisão – pode ficar muito mais forte. Depende apenas dos dirigentes. Por bons preços, as grandes equipes de São Paulo, tem a possibilidade de encontrar soluções para problemas crônicos.

A campanha de 16 jogos – treze vitórias, dois empates e uma derrota – pode ser vista como excelentes seleções mais fortes da Malásia, Nova Zelândia, Índia, Emirados Árabes, Indonésia e Singapura, Tailândia, Coréia e Iraque foram enfrentadas e vencidas. Os clubes campeões nacionais também tombaram diante do jovem time paulista.

Hoje, todos estão muito mais calejados. Estão fortalecidos dentro do futebol e com grande dose de cultura adquirida de uma viagem que eles mesmos taxaram de “um verdadeiro sonho, mesclado com alguns pesadelos importantes”.

Estádios lotados, o nome do “BRAZIL” no placar luminoso, arbitragens facciosas e gramados irregulares: tudo foi vencido pela Seleção Paulista de Novos  que foi acompanhada pela A GAZETA ESPORTIVA.

Foi um processo de amadurecimento intensivo que durou 60 dias. A Seleção voltou com jogadores aptos para qualquer teste ou disputa.

Se estivéssemos tratando de assuntos militares, este grupo poderia ser chamado de “especial”.

Os jovens passaram pela densa floresta que corta de norte a sul a Malásia. aquele país tropical foi desbravado. A Malásia está em franco desenvolvimento e o Brasil começa a implantar uma representação diplomática em Kuala Lumpur. O Mar da China banha o leste do país.

É uma monarquia diferente: o rei, reina por cinco anos. Depois, outro, entre os  onze sultões, é eleito pelo grupo.

O selecionado passou também pela libera Bankok, na  Tailândia; pela tristonha Bombay; na Índia; pela flotida e limpa Singapura; pela efervescente Hong Kong; pela islâmica Jedá, na Arábia Saudita; além de muitos países e ilhas encontradas pelo caminho….

As grandes torcidas de São Paulo podem acreditar que hoje já há alternativas de compras no mercado. Quando um dirigente afirmar daqui para frente que “não há ninguém para ser comprado”, ele estará faltando com a verdade. Os produtos estão “próximos”: no interior de São Paulo. São infinitamente superiores aos jogadores comprados em centros distantes e menos avançados no futebol. E há outro aspecto incrivelmente importante: os preços não são exorbitantes.

Cláudio (Palmeiras de São João da Boa Vista), Toni (Rio Preto), Quequi (Velo Clube Rio Claro), Antônio Carlos (Nacional), Jarbas (Rio Preto), Zecão (Aliança), Wilson Gotardo (União Barbarense), Ari (São Carlense), Zanata (SAAD), João Luís (Independente de Limeira), Arnaldo (Santo André), Danial (Pinhalense), Redigulo (Rio Branco de Americana), Barbosa (União Barbarense), Cabinho (Velo Clube de Rio Claro), júlio César (Lemense), Tuico (Portuguesa Santista), e Waltinho (Votuporanguense).

Estes são os produtos que podem ser considerados de ótima qualidade. Há alguns clubes de outros estados começando uma movimentação para contratar essas revelações, estas autênticas realidades.

Entre os nomes citados, há alguns que seriam titulares absolutos em algumas das principais equipes da capital: o médio volante Zanata; o goleiro Cláudio; o zagueiro central Jarbas; o meia Arnaldo; o ponteiro direito Barbosa.

Neste final de ano, os dirigentes terão grandes oportunidades de reforçarem suas equipes. Ainda há tempo para todos os jogadores citados serem observados. A Segunda Divisão está num momento decisivo, um bom instante para análises.

Estes profissionais – há alguns amadores – jogaram e venceram seleções muito fortes e motivadas por milhares de dólares. Os paulistas cumpriram o ritual do prato feito de cada dia (arroz, bife, salada) durante dois meses e sem nunca ter o direito de repetir a dose de comidas ou de refrigerantes. Viagens cansativas e jogos sucessivos.

Destacamos muitos aspectos, mas a saudade não pode ser esquecida. A maioria dos jogadores sequer tinha viajado para a capital de São Paulo. Então, o grupo invadiu aviões e invadiu continentes.

Em determinado instante um deles comentou abatido: não sei onde estou, que horas são, que dia é hoje, para onde vou. Só sei que meu nome é Arnaldo…

Na medida em que os dias foram passando nesta viagem desbravadora e corajosa, a saudade ia crescendo e as lágrimas surgiram. Mas no campo de jogo, tudo era esquecido e o futebol brasileiro, excepcionalmente, bem representado.

Nenhum problema disciplinar ocorreu e o relacionamento foi talvez a arma mais importante para o aparecimento de tantos resultados positivos. No campo da cultura, todos os jogadores estão fortalecidos e o ângulo de análise e observação é muito mais amplo.

A GAZETA ESPORTIVA faz questão de bradar que o futebol paulista continua revelando jogadores. O interior e a capital possuem meninos de talento. A deficiência não está na produção – que poderia ser maior – mas no critério de observação daqueles que são taxados de “olheiros”.

A maioria dos dirigentes preferem contratar jogadores desconhecidos da primeira divisão de um estado distante, que observar e comprar o passe de um jovem da segunda divisão de profissionais.

Não é aceitável, num regime profissional e mostrado como sério, que por exemplo, um médio volante como Zanata, com pouco mais e vinte anos de idade – há cinco no SAAD – não tenha tido uma chance numa equipe da primeira divisão. Zanata está perdendo com isso, mas a divisão nobre paulista, muito mais…

Fica a esperança que após esta viagem longa, com vitória memoráveis, com o nome do futebol brasileiro ainda mais reforçado, com todos os obstáculos naturais sendo ultrapassados e vencidos, ocorra uma mudança de ares providencial e produtiva. Construtiva.

Os jogadores não perderam a oportunidade que foi acenada. Os clubes tem a obrigação de agir da mesma maneira.

Os caminhos da floresta malaia e da fervilhante Hong Kong devolveram jovens vividos dentro e fora dos estádios. Uma viagem que jamais será esquecida, uma viagem que foi capaz de mudar pessoas…

No jogo do adeus, um empate

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 24/10/1981

ARÁBIA SAUDITA (De Wanderley Nogueira, especial para A GAZETA ESPORTIVA)

Electra No último jogo da excursão pelo Exterior, a Seleção Paulista da 2ª Divisão de Profissionais empatou ontem, em Jedá – Arábia Saudita, diante do “Al-Ahil” em 2 x 2. A partida foi disputada sob uma temperatura das mais elevadas e alguns jogadores paulistas estranharam o gramado sintético. O moderno estádio de Jedá lotado, com as principais autoridades sauditas presentes no amistoso. Em razão da grama sintética, alguns atletas jogaram de tênis e outros optaram por chuteiras com sola de borracha. João Luís abriu o escore no primeiro tempo, mas depois, veio a reação do time local que é dirigido por uma brasileiro(Carlos Alberto), sucessor de Didi e Jorge Vieira. Nos instantes finais da partida, o selecionado da F.P.F foi todo a frente e conseguiu chegar ao empate com um gol do zagueiro Zecão. O time formou: Toni; Wilson Gotardo, Jarbas, Zecão e Ari; Zanata, João Luís e Arnaldo; Barbosa, Cabinho e Tuico.

Termina, assim, esta viagem da Seleção Paulista da 2ª Divisão de Profissionais com um total de 16 partidas, 13 vitórias, 2 empates e só uma derrota. A Seleção marcou 52 gols e sofreu 11, comum saldo positivo de 41 tentos e o centroavante Cabinho foi o principal artilheiro do giro com 10 gols. a delegação paulista viaja ainda esta noite para Paris e, amanhã à noite, retorna ao Brasil pelo vôo 091 da Air France, com chegada prevista para às 7h30, de segunda-feira, dia 26/10/81, no Aeroporto de Congonhas.

Um pouco da história Saudita

O hábito dos muçulmanos foram percebidos na chegada da delegação em Jedá, em plena madrugada de quinta-feira. Toda bagagem precisou ser aberta e vistoriada, pois a preocupação maior das autoridades é impedir a entrada de bebidas alcóolicas, revistas pornográficas e qualquer tipo de arma. Por isso, os vistos não foram conseguidos no passaporte, nem em Jacarta, nem em Hong Kong. A seleção viajou sob a responsabilidade de um dos príncipes da Arábia Saudita, ligado ao Governo daquele país, o qual é elemento ligado ao “Al-Ahil” e a própria Federação de Futebol Saudita. Esse príncipe prometeu liberar a entrada da delegação em Jedá e assim aconteceu… mas, depois de quase duas horas deespera no moderno aeroporto, sob olhares atentos dos policiais em toda documentação e bagagem dos brasileiros. Dois ônibus esperavam a comitiva e transportaram para o Hotel Al Hamra Nova Park Jedah, onde todos chegaram por volta das 07h00 da manhã, rumando direto para o salão do café. Depois, algumas horas de sono, até meio dia para um rápido almoço às 13h00. A tarde, Mauro Vieira de Abreu levou os atletas para o moderno estádio onde se realizou a partida desta sexta-feira, com grama sintética que os jogadores paulistas estranharam bastante.

Os hábitos sauditas ficam bem marcados em todos os locais: poucas mulheres pelas ruas, os homens com suas túnicas brancas, em algumas horas do dia, todos param, onde estejam, para reverenciar Alá. O trânsito continua na confusão de anos atrás, motoristas que “voam” com seus modernos carrões, sem obedecer sinalização alguma. Os torcedores sauditas admiram bastante o futebol brasileiro. Aqui em Jedá, todos ainda se recordam das apresentações da Seleção de Novos da F.P.F, em 1977, quando empatou em 1 x 1 e da seleção principal do Brasil, em 1978, quando goleou esse mesmo time do Al-Ahil, na época dirigida por Didi. Depois, vieram Jorge Vieira e Zenon. E atualmente o treinador é outro brasileiro – Carlos Alberto. Mas, seu dúvida alguma, o maior nome do futebol, por aqui, é Roberto Rivelino que jogo pelo “Al Helal” de Ryad. É o mais lembrado e um autêntico ídolo da torcida saudita que, até agora, não sabe explicar porque o Riva resolveu deixar o país, apesar de todo o carinho que sempre recebeu. Até hoje, os jornais fazem comentários elogiososo sobre o futebol de Rivelino.

O progresso galopante dos sauditas

É impressionante o ritmo de desenvolvimento que e observa neste país, cuja fonte maior de renda é o petróleo. A Arábia Saudita é mesmo uma nação bilionária, onde o petróleo garante tudo. Aqui vivem milhares de estrangeiros, de diferentes nacionalidades. Em todo o país vivem cerca de 300 brasileiros. Há uma luta titânica pelo mercado saudita e na opinião de alguns empresários europeus, os brasileiros pecam até hoje pela omissão. Ficam muito isolados dos negócios e perdem contatos com os grandes investidores.

Os sauditas montaram um arrojado plano quinquenal – talvez o mais ousado até hoje realizado em todo o mundo – para o desenvolvimento interno cercada de toda a infra- estrutura necessária. O plano inclui construção de portos, estradas, pontes, viadutos, hotéis, o moderno aeroporto (já concluído), hospitais, escolas e indústrias. E montando tudo isso, os árabes não gastaram metade do que arrecadaram, ao mesmo tempo – exportando petróleo.

As reservas petrolíferas são imensas e durarão muito tempo ainda. Há dois anos atrás, ainda não existia o aeroporto onde desembarcamos e não tinham sido construídas pontes e viadutos por onde passamos na viagem do aeroporto ao hotel. Tudo aqui surge da noite para o dia. Em uma semana se constrói uma enorme avenida e na semana seguinte, ela já está com sua moderna iluminação de mercúrio. O dinheiro consegue cosa incríveis no menor espaço de tempo…

A Arábia saudita pode ser vista como um enorme canteiro de obras, com mil edificações surgindo ao deserto. Uma das dificuldades do empresários brasileiros é o transporte de nossos produtos.

Mas para amenizar esse problema, o Governo Saudita já esta montando um esquema com navios gregos para diminuir o custo do transporte das cargas prioritárias do continente sul-americano. Da exportação brasileira para a Arábia Saudita, metade consiste basicamente no frango congelado. Recentemente, o Brasil venceu uma forte barreira comercial e conseguiu vender 3 aviões construídos pela EMBRAER para a Força Aérea deste país. O nosso café não é consumido pelo sauditas, que preferem o café da Etiópia.

Agora, os sauditas descobriram o Brasil, em termos de turismo, e isso abre boas perspectivas de mercado: além dos príncipes que querem conhecer as belezas naturais brasileiras, muitas missões comerciais e culturais estão indo para o nosso país. A filha predileta do Rei Khaled, já esteve no Brasil e, no ano passado, vendemos 100 milhões de dólares em produtos para os sauditas (o dobro da exportação em 1979). Mas o mercado ainda é pouco explorado e para se ter uma exemplo, basta dizer que o Brasil negociou, em 1980, cerca de 1 bilhão de dólares com a Alemanha Ocidental…

O Governo Saudita já tem duas visitas importantes anotadas para os próximos meses: os ministros, Delfim Neto e Ernani Galveas, do Planejamento e da Fazenda, respectivamente, deverão visitar a Arábia Saudita para firmar novos acordos bilaterais.

Uso e costumes dos brasileiros em Jedá

Em termos de futebol brasileiro, por aqui, tudo bem. Os torcedores acompanham a nossa seleção através de vídeo-cassetes, com jogos do Mundialito do Uruguai e amistosos realizados por Telê Santana realizados nesta etapa de preparação. Todos acredita que o Brasil será finalista na Copa da Espanha, e há uma grande expectativa para que a Seleção Saudita, dirigida por Rubens Minelli, também consiga uma vaga para 1982.

Além do “mito” Rivelino, Zico e Sócrates são muito conhecidos em Jedá. Didi é outro que fez excelente trabalho e é muito lembrado por aqui. Os empresárias brasileiros reclamam uma linha aérea que liga a Arábia Saudita a nosso país, por isso, é preciso viajar até Paris ou Roma para depois vir a Jedá ou Ryad.

Jedá é a capital administrativa do país, onde estão instaladas as Embaixadas e as Representações Diplomáticas dos outros países. Mas a capital da Arábia Saudita é Ryad.

Jedá tornou-se mais conhecida por causa do acesso ao Mar Vermelho. Ryad era praticamente uma aldeia de nômades. Em 1930, o rei saudita conseguiu unificar todos os povos da região, casando-se com as filhas dos principais príncipes e chefes de territórios.

Hoje, cerca de 10 milhões de pessoas vivem na Arábia Saudita, onde o islamismo é o mais fervoroso e rigoroso. Medina e Meca são os pontos básicos da fé muçulmana. Arábia Saudita, ponto final desta excursão.

O jogo do adeus

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 22/10/1981

(De Wanderley Nogueira, especial para A GAZETA ESPORTIVA, De Jedá, Arábia Saudita)

DesertoO selecionado paulista de novos jogará manhã aqui em Jedá, contra o “Al-Ahil” equipe que foi dirigida por Didi e Jorge Vieira e que teve o jogador Zenon. Este será o último jogo da seleção que depois seguirá para Paris e em seguida para o Brasil, passando entretanto o sábado na capital francesa. Os jogadores, em Hong Kong, lamentaram a ausência de gols, mas admitindo que o futebol brasileiro continua com uma cadência invejada por todos os outros.

Os dirigentes de Hong Kong disseram que estão realmente interessados em alguns jogadores e o goleiro Cláudio pode ser o primeiro a ser negociado, neste selecionado.

Os vistos por parte das embaixadas da Arábia Saudita, em Jacarta e Hong Kong, não foram liberados, entretanto as autoridades deste país muçulmano permitiram com uma ordem especial a entrada da delegação.

O jogo será nesta sexta-feira, às 20 horas (local). O jogador Quequi, que recebeu um pontapé no último jogo, sendo necessário receber quatro pontos cirúrgicos, ainda não foi liberado pelo médico Marco Aurélio, e dificilmente jogará, entrando em seu lugar o zagueiro Antônio Carlos.

Júlio César continua vetado. Toni; Antônio Carlos, Wilson Gotardo, Jarbas e Ari; Zanata, João Luís e Arnaldo; Barbosa, Cabinho e Tuico, o time que deverá começar o jogo.

Na tarde de ontem foi realizado um treinamento para os jogadores que dormiram até tarde. Ontem, o dia foi muito intenso com uma viagem de Hong Kong para Penang (Malásia) e em seguida para a cidade de Kuala Lumpur, capital do país.

O selecionado deixou a Malásia por volta das 23h15 minutos voando pela Malasian Air Lines, chegando pela madrugada em Jedá, enfrentando uma temperatura altíssima.

Durante as últimas horas, a conversa predominantes foi aquela que mostrava os mais diversos aspectos de Hong Kong, que passou a ser chamada pelo jogadores da “Ilha da Fantasia”. Tudo atraiu na cidade que tem um governo britânico. Suas milhares de lojas, seus luminosos gostosamente desarrumados, seu trânsito confuso e alegre, uma população que tem as condições de representar todos os povos do mundo. Cruzam-se negros, brancos, amarelos, muçulmanos, católicos, budistas,…enfim, todos passam ou vivem, ou sonham com Hong Kong.

É válido informar mais uma vez que o selecionado deixará Paris na noite do próximo domingo voando através do vôo 091 da Air France com destino ao Rio de Janeiro. Depois voará no “093” – conexão da Air France – até São Paulo, desembarcando no aeroporto de Congonhas. Havia uma dúvida: Congonhas ou Viracopos, mas chegou a informação que os jogadores chegarão na manhã de segunda na capital de São Paulo.

Além da expectativa de chegar, abraçar os familiares ver os amigos, os jogadores sonham com transferências, contratos melhores, prestígio reforçado. Na verdade a campanha foi excelente, muitos revelaram-se possuidores de enormes talentos. Os dirigentes dos principais clubes de São Paulo não podem deixar de observá-los.

Seleção de Novos vence em Hong Kong

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 21/10/1981

HONG KONG (De Wanderley Nogueira, enviado especial de A GAZETA ESPORTIVA)

A Seleção Paulista da 2ª Divisão de Profissionais venceu ontem, a equipe do “Happy Valley”, em Hong Kong, por um tento a zero, gol do ponta-direita Barbosa, da União Agrícola Barbarense FC, de Santa Bárbara D’Oeste. Foi a 15ª partida da atual excursão e a 13ª vitória do selecionado paulista. O jogo de hoje foi disputado num belíssimo estádio, de excelente gramado e boas acomodações, com público de aproximadamente 20 mil pessoas. Barbosa – o autor do gol – foi a melhor figura em campo. O time paulista dirigido por Mauro Vieira de Abreu, formou com: Toni (Cláudio); Quequi (Zecão), Jarbas, Wilson Gotardo e Antônio Carlos (Ari); Zanata, João Luís (Daniel) e Arnaldo; Barbosa, Cabinho e Tuico (Waltinho).

No time de Hong Kong o destaque foi um ponteiro brasileiro, o jogador Silva, carioca que começou no Botafogo FR do Rio de Janeiro e passou pelo futebol português, onde jogou no Belenenses. Está radicado há 3 meses em Hong Kong. Os dirigentes do “Happy Valley” querem promover o futebol e estão investindo na compra de reforços. Depois de Silva, foram buscar o zagueiro Gilmar, outro brasileiro que pertencia ao Flamengo do Piauí e que deverá chegar por aqui nos próximos dias. Cláudio, goleiro desta Seleção de Novos, que terá passe livre em novembro, ao término de seu contrato com o Palmeiras de São João da Boa Vista, também recebeu proposta para atuar durante 3 meses em Hong Kong e deverá aceitar o convite.

Como vem acontecendo em todas as cidades por onde passa a seleção da FPF, aqui em Hong Kong os jogadores também foram carregados depois da vitória contra o “Happy Valley”. Além do ponteiro Barbosa (o melhor do jogo de hoje), merecem destaque também Zanata e Jarbas – que voltou ao time sem nada sentir da antiga contusão muscular – Arnaldo e Wilson Gotardo.

Os dirigentes locais queriam que o goleiro Cláudio já ficasse por aqui para jogar uma importante partida do campeonato asiático, no próximo dia 29. Mas, depois de uma cansativa viagem de quase 60 dias, o jogador nem quis conversar sobre esta possibilidade. Vai retornar ao Brasil, matar a saudades de seus familiares e, lá em São João da Boa Vista, poderá a melhor proposta que lhe for feita para jogar aqui em Hong Kong durante 90 dias, recebendo a soma de 2500 dólares mensais, livre de despesas.

A delegação paulista deixará Hong Kong amanhã, com destino a Kuala Lumpur, capital da Malásia, de onde seguirá para Jedá, na Arábia Saudita. Nessa cidade, fará seu último amistoso da atual excursão, enfrentando o “Al-Ahil” na próxima sexta-feira, às 20:00 horas. Trata-se da mesma equipe dirigida no passado pelos brasileiros Didi e Jorge Vieira e onde atuou também o meia-esquerda Zenon, atualmente no SC Corinthians Paulista. Após essa partida em Jedá, regressa ao Brasil (via Paris) no domingo à noite.

 

Homenagens

Os jogadores da Seleção Paulista da 2ª Divisão de Profissionais foram alvo de várias homenagens na estada nesta cidade – Hong Kong – antes e depois da jogo contra a equipe do “Happy Valley”. No domingo à noite estiveram num luxuoso restaurante chinês, ao lado de dirigentes e atletas locais, nu jantar de confraternização. Ontem, toda a delegação foi recebida, oficialmente, na sede da Federação de Futebol de Hong Kong e, depois percorrei os principais pontos turísticos da cidade. Os jornalistas asiáticos realizaram longas entrevistas, procurando saber detalhes de cada jogador da nossa seleção e do futebol brasileiro em geral.

A TV de Hong Kong fez a “chamada” do jogo com a frase: “O futebol brasileiro chegou aqui, é algo que vale a pena ser visto…”

A campanha no Torneio da Malásia a as diversas goleadas alcançadas nos amistosos pela Indonésia e Ilha de Java fez cm que o interesse do público desta cidade crescesse em torno da Seleção Paulista da 2ª Divisão da FPF.

E os clubes locais ratificaram o interesse por alguns jogadores, fazendo sondagens para contratar o goleiro Cláudio, o meio-campista João Luís (do Rio Branco de Americana) e o atacante Barbosa, além do zagueiro Jarbas. O goleiro do Palmeiras de São João da Boa Vista foi quem mais se entusiasmou com a possibilidade de ficar 90 dias em Hong Kong: é solteiro, tem passe livre ao final deste ano e ganharia 5 mil dólares por esse tempo.

Barbosa, o ponta que pensa em Telê

Com 23 anos de felicidade, o ponta-direita Barbosa, nascido em Piracicaba, começou sai carreira como juvenil EC XV de Novembro, atuando na posição de centro-avante. Atuou várias vezes na equipe principal., mas há muito tempo tem ficado nas concentrações e no Banco Quim. Em 1979, ele disputou no campeonato e, depois foi emprestado ao União Agrícola Barbarense, de Sta. Bárbara D’Oeste, no começo de 1980, jogando todo o campeonato da 2ª Divisão de Profissionais. Se o XV não vendesse em definitivo, Barbosa havia tomado uma decisão: abandonaria o futebol. Diante dessa ameaça, o presidente Romeu Italo Romeu não teve outra alternativa e resolveu negociar o seu passe por 200 mil cruzeiros. O Joinville de Santa Catarina, através do técnico Diede Lameiro, quis contratá-lo mas Barbosa não aceitou sair de São Paulo…

Hoje seu passe deve estar valendo cerca de 5 milhões de cruzeiros e comenta-se que a Portuguesa de Desportos tem interesse em contratá-lo ao final desta temporada. Barbosa é um ponteiro agressivo, busca os gols, dribla e sabe cabecear como poucos, por isso faz muitos gols de cabeça. É admirador de Paulo César, o ponteiro do São Paulo, que ele considera uma das grandes revelações do futebol brasileiro.

Em 1980, Barbosa marcou 12 gols no campeonato da 2ª Divisão e, nesta excursão pela Ásia, tem sido um dos artilheiros da Seleção Paulista. Tem 1.80 metro de altura, é casado e reside em Santa Bárbara D’Oeste. Tem 10 irmãos e quando era garoto, torcia pelo Corinthians, Barbosa não pensa apenas no futebol…

Barbosa está no 2° ano da UNIMEP, em Piracicaba, fazendo um curso de química. Ganha, atualmente, 65 mil cruzeiros mensais e seu contrato vai até dezembro deste ano. Amadurecido, sabendo o que quer, Barbosa tem dois objetivos na sua vida – largar o futebol e se dedicar aos estudos, caso a oportunidade não surja num clube grande. E o segundo ideal está exatamente ligado a essa proposta, como ele mesmo declara: “Eu estou amadurecido, esta viagem era o que faltava em minha curta carreira. Mas sei que posso vencer num clube grande da capital ou de outro Estado. Se conseguir conciliar com os estudos até aceito mudar com a minha família para uma outra cidade. Só que no futebol preciso me definir. Gosto de Santa Bárbara D’Oeste, mas a carreira depende de novos horizontes”.

E conclui com confiança: “Sei que a ponta direita é uma posição diferente de valores no Brasil. Por isso quero ter uma chance para ser melhor observado por Telê Santana. Não sou melhor que ninguém, mas confio no meu futebol e sei que na vida tudo depende, às vezes, de uma chance”.

O interesse por jogadores paulistas

Os dirigentes de futebol de Hong Kong acompanharam toda a campanha da Seleção Paulista de Novos e não escondem o desejo de acenar com ofertas para trazer alguns jogadores para esta cidade.

O primeiro a ser sondado foi o goleiro Cláudio, que tem 23 anos e é dono de seu passe. A diretoria do “Happy Valley” ofereceu – apenas como início de conversa – cerca de 5 mil dólares com todas as despesas pagas, por um período de três meses.

Cláudio ficou de pensar e responder nas próximas horas. O jogador está interessado na proposta por inúmeros motivos: viver três meses numa cidade tão avançada, com tantas raças, com inúmeras alternativas de lazer e cultura. Além disso reforçaria o idioma inglês e adquiriria uma experiência acentuada. Cláudio é solteiro e este fato também foi levado em consideração. Hong Kong é uma cidade atraente e aqui a rotina não é respeitada, e o cansaço não aparece.

Outros jogadores que possuem passe livre, como o zagueiro Jarbas e o jogador João Luís Redigulo deverão ser sondados nas próximas horas.

A campanha realizada na Copa Nacional da Malásia e as várias goleadas ao longo dos amistosos foram mostradas como destaque pela imprensa e levantou o interesse dos dirigentes de Hong Kong.

Havelange em Hong Kong

O presidente da FIFA, o brasileiro João Havelange, chegará, amanhã, nesta para uma reunião com os vices da entidade, integrantes do continente asiático. João Havelange deverá ficar hospedado no Lee Gardens e se o selecionado paulista ainda estiver em Hong Kong as autoridades pretendem apresentá-lo a Havelange que já manifestou interesse pela campanha dos jovens brasileiros nos últimos dois meses.

Seleção de Novos em Hong Kong

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 19/10/1981

Hong Kong(De Wanderley Nogueira, especial para A GAZETA ESPORTIVA, de Hong Kong)

O selecionado paulista de novos está em Hong Kong desde sábado à noite, depois de viajar três horas e meia de Singapura até a esta colônia britânica.

Alguns dias antes de viajar para Hong Kong o empresário Toni Zancour informou que os hotéis da Ilha estavam lotados e que do Sábado para o Domingo a delegação dormiria em Macau, distante 64 quilômetros de Hong Kong, e no domingo depois do almoço viajaria para Macau ficando hospedada no Lee Gardens Hotel.

Entretanto ao chegar em Hong Kong a chefia da seleção foi informada de que a equipe não iria para Macau e sim ficaria num hotel há alguns quilômetros de Hong Kong, para dormir do Sábado para o domingo.

A viagem foi de 35 quilômetros até Pearl Island Hotel, localizado numa área isolada, de três andares sem elevadores e mostrando não receber muita atenção do setor de conservação.

Depois de uma viagem longa e cansativa – mais uma – foi desagradável ver os jogadores e membros da comissão técnica – inclusive o chefe da delegação – chegar malas pela escada até chegar o terceiro andar. Nem carregadores apareceram. Os jogadores tiveram que descarregar o ônibus, aliás carregaram também quando no aeroporto.

Os apartamentos eram velhos e com péssima iluminação. O jantar não foi bom.

O empresário disse mais uma vez que “os hotéis de Hong Kong estão lotados e para esta primeira noite não encontramos outro jeito”.

Quando saiu do Brasil o chefe da delegação recebeu como promessa de Nabi o fato de ter um apartamento individual e do sábado para domingo isso não foi cumprido.

Um detalhe que não pode deixar de ser relatado: mais uma vez ficou configurado o fato do empresário ter vendido a Seleção Paulista de Novos como a “principal força de São Paulo”.

Ao chegar no aeroporto de Hong Kong cerca de uma dúzia de repórteres e fotógrafos esperavam a delegação e dezenas de entrevistas e fotografias aconteceram. O empresário distribuiu uma relação dando o nome dos jogadores e como seus clubes colocou nomes de agremiações da primeira divisão de profissionais.

Instante depois os jornalistas entrevistaram outros membros da delegação e ficaram sabendo a verdade: que este time é jovem, disputou ótimas partidas e mostrou um ótimo futebol, que todos os jogadores possuem grandes qualidades e poderão ingressar na primeira divisão no próximo ano.

Ficaram sabendo os jornalistas que em todos os jogos realizados no continente asiático o futebol brasileiro foi brilhantemente representado. O empresário distorceu até um resultado, afirmando que em Kota Bharu que a seleção havia ganho por dois a zero quando o resultado correto foi o empate por dois gols.

Os jornais de ontem mostraram as duas versões e comentaram a necessidade do empresário tentar acenar com inverdades pois “o futebol brasileiro não seria nunca representado por uma equipe sem condições”.

Disseram os jornalistas locais que ficaram felizes em receber em Hong Kong um selecionado jovem de bons jogadores porque “aqui poderão estar os Pelés, Tostôes e Rivelinos e amanhã”.

Após o jogo de ontem a seleção viajou para o centro de Hong Kong onde fica localizado o Lee Gardens Hotel e ocupou apartamento do oitavo andar.

Foi realizado um treinamento às quatro horas de ontem com a presença de milhares de pessoas num dos estádios públicos existentes nesta cidade.

Esteve presente uma emissora de televisão, outra rádio e também os jornalista estiveram presentes.

Todos esperam que os ingressos sejam vendidos integralmente e o futebol brasileiro dê  “o espetáculo de sempre” é a expectativa que impera por aqui. O adversária da Seleção Paulista de Novos será um combinado de Hong Kong coma presença de muitos jogadores estrangeiros que aqui jogam em troca de verdes dólares norte-americanos.

Os jogadores da Seleção Paulista de Novos encontraram frente os olhos jovens de uma cidade incrivelmente movimentada e dinâmica. As ruas e avenidas receberam milhares de pessoas e os veículos correm para todos os lados. É talvez a cidade iluminada do mundo. Seus milhares de anúncios coloridos e luminosos formam um objeto de decoração não projetada, mais de ótimo aspecto. Esta cidade parece estar permanentemente em festas e milhares de turistas provam que Hong Kong continuam projetando uma atração irresistível.

O comércio de Hong Kong pode ser chamado de uma “loucura” onde tudo é encontrado, de todas as partes do mundo por preço simpatioso. Pena que os jogadores não tenham “reserva” para compras de ocasião.

Hong Kong é uma colônia britânica com cerca de seis milhões de habitantes, numa área de 1045 quilômetros quadrados. Estamos na cidade de Vitória, capital da Ilha e onde fica o Porto. A Colônia situa-se na Costa do Sul da China, cerca de 13 quilômetros a Sudeste de Cantão. É formada por Hong Kong propriamente dita – uma ilha com cerca de 80 quilômetros quadrados – e muitas e novas ilhas e territórios no continente.

A densidade populacional de Hong Kong é muito alta e cerca de 80% vive na área urbana. Aqui há uma quantidade esmagadora de chineses. Hong Kong é um grande centro de navegação, finanças, comércio e indústria, constituindo importante entrosamento mundial, embora a atual política chinesa de negociar diretamente com os outros países tenha reduzido o seu pape de entreposto.

Não há outro jogo confirmado a não ser o da próxima terça-feira às 20 horas (horário local). As partidas de Dubai e Jedá, não foram ratificadas. O empresário demonstra indecisão, enquanto os jogadores e os chefes esperam voltar ao Brasil ainda esta semana.

Rumo à Singapura

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 17/10/1981 

(De Wanderley Nogueira, enviado especial de A GAZETA ESPORTIVA)

A Seleção Paulista da 2ª Divisão de Profissionais viajou de Jacarta para Singapura, por via aérea, onde a seleção deve pernoitar, seguindo hoje para Hong Kong, onde jogará mais uma partida amistosa na próxima terça-feira, dia 20/10/81 contra a seleção local. Jarbas, Zecão, Júlio César e João Luís ( o do Independente FC de Limeira) são atletas que continuam entregues ao departamento médico e o treinador Mauro Vieira de Abreu só poderá confirmar o time para Hong Kong após o treino que deverá ministrar no domingo a tarde, a fim de conhecer as condições do gramado e da iluminação do estádio onde nossa seleção jogará terça-feira. Quase ao término desta excursão pela Ásia, depois de 14 jogos (12 vitórias, um empate e uma derrota), percorrendo 10 cidades de três países diferentes, marcando 47 gols e sofrendo 9, a Seleção Paulista da 2ª Divisão de Profissionais, que tão bem representou o futebol brasileiro pela Ásia, já pode ser analisada com mais cuidado nos seus valores individuais. Na verdade, o time todo merece crédito, é formado por jogadores que ainda não tinham essa experiência de uma longa e cansativa viagem pelo exterior. Mas a equipe soube superar todos os obstáculos, desde a mudança constante de clima, alimentação e costumes, até as péssimas arbitragens e violentos adversários. Jogando seguidamente, com longas viagens, conhecendo gente e costumes diferentes a cada dia, sem tempo para treinar metodicamente, atuando em péssimos campos, a seleção pode, mesmo assim, revelar muita gente boa, até então desconhecidas do grande público da capital.

CLÁUDIO – possui ótimo porte para goleiros e possui ótimas qualidades técnicas. É do Palmeiras FC de São João da Boa Vista e terá passe livre ao final de seu contrato.

TONI – um excelente profissional , bem condicionado, muito ágil e bastante técnico.

QUEQUI – lateral que ataca e defende muito bem.

JARBAS – experiente zagueiro do Rio Preto FC, ótima impulsão e bom desarmes nas bolas rasteiras.

WILSON GOTARDO –  é o mais jovem desta seleção, entrou no time ao final da excursão mas deu conta do recado. Pertence a União Agrícola Barbarense e conhece a posição de 4° zagueiro como poucos. Um bom zagueiro.

ARI – outro jogador de boas qualidades técnicas, e demonstrou uma regularidade impressionante durante esta excursão.

ANTÔNIO CARLOS – joga nas duas laterais, é do Nacional AC da capital e tem boas perspectivas.

ZANATA – o capitão e líder da equipe nesta viagem, um craque que pode atuar em qualquer equipe do futebol brasileiro, e pode até chegar na seleção principal do Brasil no futuro.

JOÃO LUÍS – estilo semelhante ao de Renato, do São Paulo, e parecido até fisicamente com o meia tricolor. Chuta forte e com precisão. É o terceiro maior artilheiro desta seleção, até agora com sete gols.

ARNALDO – jogador que sabe se deslocar, difícil de ser marcado. Apesar da pequena estatura é considerado o mais técnico da equipe.

BARBOSA – um ponta-direito nato, de incríveis qualidades e que sabe marcar gols. tem boa velocidade, chuta forte e cabeceia muito bem.

JÚLIO CÉSAR – centro avante habilidoso e goleador.

WALTINHO – ponta esquerda da AA Votuporanguensa, rápido, driblador, mas com alguns efeitos de posicionamento em campo, perfeitamente corrigíveis.

DANIEL – meio campista forte e sabe fazer bons lançamentos, só não foi titular na excursão devido a excelente fase de Zanata, João Luís e Arnaldo.

JOÃO LUÍS – esse é o João Luiz Redigulo, o do Rio Branco de Americana. Dribla muito bem e possui o chute mais venenoso desta seleção. Emérito cobrador de faltas.

TUICO – o ponta esquerda da Portuguesa Santista. Sentiu a constante mudança de alimentação e teve alguns problemas de peso no final desta viagem. Por isso, está revezando com Waltinho nos últimos jogos. Mas é um excelente ponteiro, ao estilo de Zé Sérgio com muitos dribles, boa velocidade e excelente arremate. É difícil marcá-lo. Tuico sabe que o São Paulo FC quer contratá-lo. Seu passe esta avaliado em 15 milhões de cruzeiros e o Santos FC também tem interesse também tem interesse pelo seu futebol.

CABINHO – um centro avante de ótima impulsão muito oportunista dentro da área. Artilheiro nato, fez muitos gols ao longo desta viagem. Pertence ao Velo Clube Rioclarense e tem propostas da AA Internacional de Limeira, embora seja corintiano desde criança.

No 13º jogo, mais uma vitória dos meninos

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 15/10/1981 

De Wanderley Nogueira, especial para A  GAZETA ESPORTIVA.

De Semarang, capital da Ilha de Jawa Central, Indonésia.

A Seleção Paulista de Novos venceu a seleção do “Tunas Inti” por três gols a um. Foi uma partida difícil sob todos os aspectos, principalmente, pela elevada temperatura. O jogo começou às quinze horas e quarenta e cinco minutos, horário local, e o sol realmente queimava.

Além disso o time adversário é o mesmo há mais de dois anos e apresentou um ótimo conjunto e tinha também a responsabilidade de vingar o futebol de seus companheiros. Em todas as cidades onde os selecionado paulista de novos passou, conseguiu ótimas vitórias e goleadas inesquecíveis. Há uma espécie de apelo nacional: parem o futebol de São Paulo…

Os torcedores de Medan, Peadang, Bandung, Surabaya e de Semarang ficaram satisfeitos com o futebol apresentado. Viram uma equipe brasileira hábil, sempre buscando o gol, jogadores velozes e entusiasmados.

É válido ressaltar que atualmente a volúpia do time dentro de campo caiu diante das inúmeras viagens, alimentação inconstante e irregular, pouco descanso e quase nenhum treinamento.

O selecionado jogou seis partidas pela Copa Nacional da Malásia, três partidas amistosas ainda em cidades da Malásia e cinco até agora na Indonésia. Em todos os lugares que passou foi manchete de jornal, e visto com respeito e admiração da juventude, pela alegria, pela vibração.

Soube cativar as populações de todas as cidades com flores, bandeiras nacionais, sorrisos e gestos afetivos. O samba brasileiro sempre cantado no aeroporto, aviões, restaurantes, ônibus e estádio, foi outro grande argumento para o surgimento de uma nova afeição entre os povos asiáticos e os jovens de São Paulo, em nome do futebol brasileiro.

Ontem o estádio Semarang esteve lotado e o povo se comprimia em todos os cantos. Não há alambrado, a torcida ficou sentada desde a linha lateral até sobre as árvores, muros e telhados…

Quando o selecionado chegou ao estádio foi uma grande agitação com jovens, velhos e meninos correndo e cercando o ônibus para depois sorrirem e tocarem aqueles meninos brasileiros descendentes de Pelé, Tostão, Rivelino e tantos outros muito conhecidos por estas bandas.

Olhos brilhantes, gritos histéricos, gestos pedindo uma camisa de jogo, apenas um abraço, foram muitos e sinceros e mais uma vez os jovens jogadores sentiram que a responsabilidade de representar o futebol brasileiro é algo concreto e real..

Como já era esperado pelo técnico Mauro, o time adversário entrou com sua principal força e total disposição, além de empurrado pela torcida do estádio e também pelos órgãos de imprensa á espera de uma vingança que estava sendo esperada para ontem.

Diante deste quadro, o jogo em muitos momentos passou a ser violento por parte das duas equipes e se o árbitro fosse um pouco mais rigoroso poderia ter expulsado jogadores dos dois times.

Zanata marcou o primeiro gol da Seleção no jogo de ontem, chutando uma bola da entrada da área com muita força e rasteira, surpreendendo o goleiro Tjahyono. Minutos depois o “Tunas Inti” empatou num lance bem parecido ao do gol brasileiro e o entusiasmo aumentou ainda mais. Sentiram em condições de virar o jogo e esse fato melhorou sensivelmente o nível da partida

Para o segundo tempo duas alterações foram feitas: saíram Arnaldo e Waltinho; e entraram João Luís Redigulo e Tuico. Os outros dois gols do selecionado foram marcados por Cabinho e Redigulo. Cabinho cobrou uma penalidade máxima e o goleiro defendeu.

Aqui na Ilha de Java, o sol nasce muito cedo e a noite chega rapidamente, por isso quando a partida terminou já era noite. Agora, ninguém sabe ao certo o que iria acontecer. A viagem pode ter sido encerrado depois da vitória de ontem e há também a partida do dia vinte e dois na Arábia Saudita ser confirmada pelos interessados.

De qualquer maneira, por determinação do empresário, o selecionado ficará nesta quinta-feira aqui em Semarang e viajará somente nesta sexta-feira pela manhã para Jacarta, capital da Indonésia. Está prevista a viagem de Jacarta para Kuala Lumpur, capital da Malásia, sexta-feira às dezoito horas (local) e a seleção espera dormir nesse país.

No sábado pela manhã seguirá para Paris, com escala na Arábia Saudita, e se o jogo for confirmado para o dia vinte e dois e desembarca e fica na Arábia até o dia do jogo, caso contrário seguirá para a França.

Admitindo-se que esta hipótese prevaleça a viagem para o Brasil será no domingo e a chegada em São Paulo será na segunda-feira pela manhã.

Os vistos necessários para o ingresso na Arábia Saudita ainda não foram liberados, isso praticamente elimina a possibilidade de jogo. Entretanto, o empresário está em Jacarta há alguns dias empenhado em conseguí-la e promover mais uma apresentação do futebol brasileiro e, evidentemente, conseguir mais dólares para ele e para a Federação Paulista de Futebol.

–   Através de A GAZETA ESPORTIVA nos informaremos o dia da chegada do selecionado, em qual aeroporto, número de vôo da companhia, para que os familiares possam esperar os jogadores.

É bem possível que na sexta-feira exista uma definição sobre o seguimento ou não desta viagem.

Jarbas, Zecão e Júlio César continua vetado pelo médico Marco Aurélio de Almeida Cunha que garantem entregar liberados aos seus clubes assim que o selecionado chegar ao Brasil. Aliás, as agremiações receberão seus jogadores muito mais experientes e valorizados, passando por ótimo momento técnico, mas com problema de peso. Todos estão acima ou abaixo do seus pesos ideais.

Hoje o 13º jogo

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 14/10/1981

INDONÉSIA ( De Wanderley Nogueira, especial para A GAZETA ESPORTIVA) – Após obter mais duas expressivas vitórias no último fim de semana, a Seleção Paulista da 2ª Divisão de Profissionais jogará, novamente, hoje, no Interior da Indonésia, enfrentando, agora, a equipe do “Tunas Inti”, na localidade de Semarang, capital da Ilha de Jawa Central que dista cerca de 400 quilômetros de Jacarta. O técnico Mauro Vieira de Abreu tem problemas para escalar o time: Jarbas sentiu novamente o estiramento muscular, Zecão também se contundiu e, por isso, o lateral Antônio Carlos será improvisado com quarto-zagueiro na partida de hoje. No meio de campo, João Luís será poupado, ele que vinha sendo o titular da meia-direita, atuando em praticamente em todos os jogos desta excursão. No ataque retorna o ponteiro Barbosa pela direita, mas Tuico ainda não está sob o controle médico. A equipe paulista que fará hoje sua 13ª partida da atual excursão pela Ásia, está praticamente escalada: Cláudio; Quequi, Wilson Gotardo, Antônio Carlos e Ari; Zanata, Arnaldo e Daniel; Barbosa, Cabinho e Waltinho. O selecionado paulista viajará para Jacarta; após está partida em Semarang, podendo atuar novamente na próxima sexta-feira (ou sábado), na capital da Indonésia. Os jogos na Arábia Saudita, que encerrariam esta viagem, ainda não estão confirmados pelo empresário Elias Zancour.

Nessa longa viagem pela Ásia, a seleção paulista cumpriu mais dois jogos no interior da Indonésia no fim de semana que passou. Ganhou da Seleção de Bandung por cinco a dois e este foi, provavelmente, o amistoso mais difícil dessa série de amistosos após a nossa participação no Torneio Internacional “Jubileu de Prata” em Kuala Lumpur. O jogo em Bandung foi muito bem disputado e o centro avante Júlio César, do EC Lemense, tornou-se a artilheiro dessa partida fazendo 3 gols para o time paulista. João Luiz (do Independente FC) e Arnaldo completaram o marcador para a equipe brasileira. Na partida seguinte, a Seleção Paulista obteve outra vitória, em Sarabaya – capital da Ilha de Jawa Oriental, por 2×0, contra a equipe da “Warna Agung” que é atual campeão de clubes da Indonésia, com sete jogadores da seleção nacional deste país. Os dois gols brasileiros anotados pelo centro-avante Cabinho, do AE Velo Clube Rioclarense, que continua sendo o principal artilheiro desta temporada com 9 gols, seguido pelo seu reserva imediato – Júlio César – que já marcou 8 gols, apesar deste último não ter atuado o mesmo números de jogos que Cabinho. Ao longo desta excursão pela Ásia, a Seleção Paulista já atuou 12 vezes, conquistando 10 vitórias, um empate e sofrendo uma única derrota. O time marcou, até agora, 44 gols e sofreu apenas 8, com saldo positivo de trinta e dois.

Mais uma vitória em Java

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 13/10/1981

De Wanderley Nogueira, especial para A GAZETA ESPORTIVA, de Surabaya, Capital oriental de Java, Indonésia. – A Seleção Paulista de Novos jogou ontem na Ilha de Java contra o campeão nacional da Indonésia, o Warna Agung Galatama composto por jogadores desta cidade e por sete integrantes do selecionado nacional.

Era uma espécie de guerra, pois em todas as partidas da Seleção Paulista de Novos imprimiu um ritmo muito forte e conseguiu marcar muitos gols.

O primeiro tempo terminou sem abertura do placar e uma partida realmente muito equilibrada, mas no segundo tempo a equipe de São Paulo subiu de produção e marcou dois gols. A equipe dirigida pelo técnico Mauro jogou com: Cláudio; Quequi, Zecão, depois Antônio Carlos, Wilson Gotardo, Ari e Zanata; João Luís depois Daniel, Arnaldo e Cabinho; Cabinho, Júlio César depois Barbosa e Waltinho.

O zagueiro Zecão sentiu uma contusão muscular e não pode continuar até o final da partida e entrou sem as melhores condições também com dores musculares. Cabinho foi o autor dos dois gols e tornou-se agora o artilheiro do selecionado com noves gols marcados.

E seguido por Júlio César que tem oito gols. Os jogadores ofereceram a vitória ao jogador Júlio César que ontem completou vinte e dois anos de idade.

O estádio de Surabaya com lotação para 25 mil pessoas esteve lotado desde primeiro minuto de jogo o público incentivou seu campeão nacional. Apenas por determinação comercial o jogo foi realizado em Surabaya.

Os resultados anteriores principalmente, o de Pedang quando o selecionado marcou oito gols provocou uma espécie de revolta e os torcedores queriam que alguma coisa acontecesse em termos de troco. Não estavam mais admitindo essas goleadas e convocaram até o melhor time da Indonésia para vingar a honra nacional. Mas isso não foi possível pelo bom futebol jogado pelo selecionado paulista. A seleção nacional não arriscou e cancelou a partida preferindo transferi-la para uma outra integrante do campeonato e este jogo será realizado no dia 16. No dia 14, o selecionado paulista fará mais um jogo: será na cidade de Semerang capital da Ilha de Java Central.

Tuico continua vetado pelo médico Marco Aurélio, mas talvez possa ser liberado até o final a semana. Jarbas e Zecão, a dupla de zaga considerado titular, está com problemas musculares e o técnico Mauro tem dúvidas para escalar a equipe para os próximos jogos.

Tanto para ir ao estádio como para voltar ao ônibus, que foi escoltado por batedores do exército da Indonésia e na medida que ia passando pelas ruas era saudado pelo povo. A cidade de Surabaya fez do jogo de ontem uma verdadeira festa.

É válido lembrar que a partida ontem foi a mais difícil até agora, jogado pela seleção. Nem mesmos os adversários da Copa Nacional da Malásia apresentaram tamanho nível técnico.

O centro avante Júlio César que recebeu ontem uma pancada no joelho direito é dúvida para o próximo jogo. O empresário ainda não confirmou oficialmente os jogos de Jedá na Arábia Saudita, mas tudo fazer crer que as partidas acontecerão nos dias 22 e 24.

A Seleção Paulista de Novos segue sua caminhada, indiscutivelmente, vitoriosa. Marcando gols, mostrando um ótimo futebol, reforçando o prestígio do futebolista brasileiro e revelando novos valores para o futebol de São Paulo, esta seleção merece continuar sendo prestigiada e é uma espécie de obrigação por parte dos dirigentes de clubes de primeira divisão observar os jogadores que se destacaram nesta longa caminhada.

Mais uma goleada na Indonésia

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 11/10/81

De Wanderley Nogueira, especial para A GAZETA ESPORTIVA, de Bandung, IndonésiaA Seleção Paulista de Novos venceu a seleção de Bandung aqui na Indonésia por cinco a dois. Foi talvez o mais difícil jogo da seleção ao longo dos amistosos realizados – exceto, é claro, da Copa Nacional da Malásia. Os adversários são dirigidos por um treinador polonês que deu padrão ao time aproveitando a habilidade dos jogadores e a acentuada velocidade. Tanto é verdade que a seleção de Bandung por duas vezes esteve na frente no placar (1 a 0 e 2 a 1). Ocorreram lances violentos e incríveis falhas de arbitragem. O primeiro tempo terminou com empate de dois a dois. O grande destaque da tarde de ontem foi o centro avante Júlio César, autor de três bonitos gols. João Luís e Arnaldo mararam os outros dois gols. O estádio de Bandung esteve lotado e as principais autoridades do Estado foram ao jogo. Um ingresso custou em média cinco dólares norte-americanos.

A Seleção Paulista de Novos foi levada para o estádio foi levada para o estádio através de um luxuoso ônibus escoltado por batedores do exército da Indonésia. O mesmo ocorreu na volta ao hotel e o povo postou-se nas calçadas para acenar as mãos e cumprimentar os jogadores paulistas depois da excelente exibição.

Este foi o décimo segundo jogo do selecionado de novos que marcou 42 gols e sofreu apenas 8. Com os gols marcados ontem aqui em Bandung, Júlio César é o artilheiro do time com 8 gols marcados, apesar de não ter jogado em todas as partidas. O selecionado não demostrou nervosismo em nenhum momento, mesmo estando desfavorecido no placar. O amadurecimento deste time é outra agradável surpresa.

Como estamos dizendo há alguns dias, o desgaste e o cansaço estão presentes entre os membros da delegação. Ontem o zagueiro Jarbas voltou a sentir dor muscular na coxa direita e não pode entrar em campo. Em seu lugar entrou o zagueiro Zecão que não entrou desde o início do jogo, em sua posição – quarta zaga – exatamente por estar com dores na virilha. Mas diante do fato de não contar com mais nenhum jogador para a zaga central. Mauro pediu que Zecão substituísse Jarbas e o zagueiro do Aliança foi para o “sacrifício”.

Tuico e Barbosa dois que não sentaram no banco de reservas, também vetados por dores musculares.

Para a próxima partida, contra a seleção de Surabaya, neste dia 12, o técnico Mauro terá problemas para formar a equipe. A Federação Paulista de Futebol e a chefia da delegação decidiram não aceitar o pedido do empresário que queria um jogo no dia 13 numa cidade não divulgada. – menos de 48 horas depois do jogo da segunda-feira.

Se o empresário conseguir a data do dia 14, o selecionado jogará.

Até agora, não há oficialmente nenhum outro jogo acertado, além desses citados. Não foram confirmados, ainda, os jogos da Arábia Saudita. Aparentemente a volta para o Brasil não irá demorar muito.

A viagem para Jacarta – onde a seleção seguirá de avião para Surabaya – será neste domingo pela manhã, de ônibus. A viagem levará quatro horas e a estrada é ruim e perigosa.

Júlio César, o artilheiro

Com 22 anos de idade, Júlio César, centro avante é o atual artilheiro da Seleção Paulista de Novos. Marcou 8 gols. Nasceu em Araras e em 76 um amigo decidiu levar para fazer um teste no Corinthians, no Parque São Jorge. Cabeção era o treinador. Foi aprovado e estava quase para assinar o contrato, mas o Corinthians não tinha – hoje ainda é deficiente – alojamento para os jovens do interior e depois de um mês Júlio César foi obrigado a voltar para a sua cidade, não podia mais ficar na casa do amigo.

No interior, começou a jogar como amador do Comercial de Araras e depois jogou no Usina São João, outro clube amador. Foi artilheiro e, então, o Lemense foi   buscá-lo. Chegou como juvenil, mas começou a jogar no time principal. Foi emprestado para disputar pelo Palmeiras a Taça São Paulo de juvenis em 79. Voltou ao Lemense em 80 e tornou-se o artilheiro da terceira divisão com 30 gols marcados. O Lemense foi campeão da terceira, e subiu para a segunda.

81 foi repleto de contusões e seu futebol não apareceu tanto. Seu estilo é bem parecido ao do Careca do Guarani. É hábil, inteligente, sabe driblar e marcar gols considerados impossíveis. Santos, Fluminense, Cruzeiro, Paulista, Portuguesa de Desportos e Rio Branco tentaram contratá-lo por empréstimo, mas o Lemense só admite vencê-lo em definitivo. O seu passe estaria em torno de cinco milhões de cruzeiros.

Convocado para a Seleção Paulista de Novos, Júlio César treinou, recuperou-se, voltou a marcar gols e hoje é a grande esperança no ataque deste time. Tem excelentes qualidades. Na sua opinião, Dadá Maravilha é o melhor centro avante do Brasil, aliás, Júlio César comemora seus gols imitando um “beija-flor”: fica com as mãos abertas e saltitando pelos gramados. Apesar de não ter jogado todos os jogos é o artilheiro do selecionado e sua fase é das melhores.

Ganha 20 mil cruzeiros mensais e é um dos jogadores que participaram dessa viagem que não pode deixar de ser observado pelos clubes da primeira divisão. É bem superior há muitos atacantes que hoje estão “com ótimos empregos”. O jovem Júlio César marca gols e sabe fazê-los. Outro mérito deste selecionado.