Arquivo da categoria: Serginho Chulapa

Visão diferente, mesmo amor

Leia o post original por Odir Cunha

Hoje tenho uma visão diferente do Santos da que eu tinha quando era apenas torcedor, ou jornalista, pois vejo o clube por dentro. Sei das mazelas herdadas, dos problemas quase crônicos, dos obstáculos aparentemente insuperáveis. Então, posso vibrar como em um gol decisivo quando sou informado de que conseguimos pagar uma grande dívida ou resolvemos uma antiga questão trabalhista. Fazer parte de uma gestão nos torna um torcedor mais intenso. Enxergamos, e sofremos, além do presente.

Não que eu não sofra como o mais fanático dos torcedores diante de um jogo dramático e, pior ainda, de uma derrota. Mas sei que os piores revezes ocorrem nos escritórios frios dos credores. Hoje sei como clubes de enorme tradição, com Guarani e Portuguesa, foram ao fundo do poço e ainda não regressaram de lá. O torcedor costuma olhar só para o futebol e não vê o que muito dirigente faz por baixo dos panos. Quando percebe o mal, este não pode mais ser reparado.

Então, se eu já tinha de ser controlado como jornalista, pois não podia gritar na tribuna de imprensa diante de um gol do Santos, por exemplo, hoje, como dirigente, sei muito bem quais são as prioridades do clube. E elas nos obrigam a preparar o caminho para os dirigentes santistas que virão. Não queremos, de forma alguma, que o Santos volte à situação em que o encontramos. Chega de deixar um clube arrasado para os gestores seguintes. Isso não é ético e nem honesto.

O vídeo deste blog é de um jogo do Campeonato Paulista de 1988, que eu gravei no videocassete e assisti até quase perder a cor. É que o Santos perdia quase todas naquela época e essa vitória, sobre o forte São Paulo de Raí, foi um alegre oásis de felicidade que eu bebi até a última gota. Naquele ano o Santos nem chegou ao quadrangular final do campeonato, mérito que times menores, como São José e Bragantino, conseguiram.

Eram tempos muito difíceis em campo, mas fora dele o torcedor santista se mostrava bem mais companheiro do time. O último título comemorado tinha sido o Paulista de 1984 e o seguinte viria só em 1997, com o Torneio Rio-São Paulo, mas aqueles torcedores, para os quais tiro o chapéu, realmente seguiam o Glorioso Alvinegro Praiano onde e como ele estivesse.

Antevendo um resultado ruim neste Sansão no Morumbi, alguns santistas disseram que vão fazer outra coisa no domingo, para não sofrer. Bem, cada um faça o que quiser, mas como alguns torcedores podem pedir garra e ânimo ao time se eles próprios não os têm? Sim, falta um meia, faltam mais alguns jogadores, que deverão vir em julho, mas, até lá, que tal se fôssemos apenas torcedores, como aqueles que estavam no Morumbi em 1988?

E você, o que acha disso?


Serginho: jogo de qualquer maneira

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 14/06/1982

Serginho Chulapa pela Seleção BrasileiraSEVILHA (De Wanderley Nogueira especial para A GAZETA ESPORTIVA) – Os momentos de tensão vividos por todos que estavam no Estádio de Mairena, onde treinava a Seleção Brasileira, quando da contusão de Serginho, já foram mostrados por todos. Jogadores assustados, centenas de torcedores brasileiros envolvidos por enorme expectativa. Telê Santana gritando contra fotógrafos que queriam registrar o flagrante de Serginho caído e chorando. O médico Neylor Lasmar, trêmulo, medindo as palavras. Jornalistas e radialistas correndo de um lado para o outro em busca de informações quentes e precisas. Os espanhóis, olhando para todos os lados, querendo saber maiores detalhes sobre toda aquela correria. Quando Serginho fugiu pela porta dos fundos, o receio de que ele também estivesse fora da Copa aumentou ainda mais. Tudo isso foi escrito, dito e mostrado. As lágrimas de Serginho ao sair de campo, foram ressaltadas q que aumentou ainda mais o temor de ver a seleção perdendo mais um centro-avante.

Médico, treinador, preparador físico anunciando “somente depois de 24 horas poderemos dizer alguma coisa sobre o estado de Serginho”. Um enorme mistério foi elaborado pelos componentes da comissão técnica.

Ao chegar ao Parador Carmona, levado por um automóvel particular< Serginho já podia andar normalmente, embora estivesse calçando um chinelo e carregando numa das mãos o par de chuteiras. Foi direto para o seu apartamento e lá o massagista Paulinho – auxiliar de Nocaute Jack – iniciou um tratamento conhecido e eficiente; aplicação de uma bolsa de gelo no local atingido, o calcanhar de Aquiles.

Serginho jantou no quarto e em seguida, cansado, adormeceu. Mas ao lado dele, por muitas horas, o massagista ficou substituindo o gelo derretido por novas pedras. Os jogadores conversaram entre si sobre as contusões, mas todos demonstraram entusiasmo: “Acho que nada vai tirar aquele crioulo do primeiro jogo…”

O dia amanheceu e o local atingido pelo jogador do Alcala não estava inchado e Serginho não sentia nenhuma dor. Foi uma alegria geral. No café servido aos jogadores, foi o principal assunto e Careca fez questão de dar um apoio ao Serginho: “Levei um susto quando soube que você tinha saldo do treino…Mas você está andando bem, calçando o tênis… Ainda bem, estou torcendo por você. Quero vibrar com seus gols.”

Telê Santana, Gilberto Tim, Moraci Santana, Neylor Lasmar, Ricardo Vivacqua, Nocaute Jack, Paulinho, estavam satisfeitos pela boa disposição de Serginho, mas queriam esperar um pouco mais. No treinamento que seria realizado, mais uma vez, no Estádio Mairena. Serginho seria submetido a um teste pelo preparador físico e pelo médico.

Não treinou com bola, mas foi exigido fisicamente. Fez alongamento, foi forçado a movimentar o tornozelo e o calcanhar e nada sentiu. O doutor Neylor sorriu, Moraci Santana também, Serginho voltou a cantar baixinho os sambas que aprende na Casa Verde, um bairro de São Paulo. Foi abraçado por Sócrates, recebeu um tapa nas costas por parte de Falcão e Oscar não conseguiu resistir: “Ainda bem, negrão. Pensei que você ia deixar a gente na mão…”

Telê, Neylor e Vivacqua não conseguiam esconder o otimismo, mas mesmo assim preferia deixar para “instantes antes do jogo a confirmação de  Serginho…” Oficialmente, a dúvida permanece, entretanto, ao lado de Gilberto Tim a frase de Serginho simplesmente defina a sua escalação:

“Graças a Deus, professor, não está doendo absolutamente nada e só não jogo se me prenderem na concentração ou se o pessoal me algemar…”

Dirigindo-se para o vestiário, orientado pela comissão técnica para não falar nada, não confirmar a sua presença, para provocar preocupação nos adversários e deixar a torcida do Brasil vivendo uma enorme ansiedade, o centro-avante diria umas palavras como se fosse gravação: “Tudo bem… vamos ver… amanhã é outro dia… o doutor é que vai decidir…” Mas num dos corredores do Parador Carmona, logo após entre Bélgica e Argentina, Serginho, foi claro:

“Fiquei apavorado quando tomei o pontapé, por trás e senti o local inteiramente adormecido. Inicialmente, pensei que fosse uma fratura, depois, pensei que meu calcanhar de Aquiles tivesse sido estourado. A dor diminuiu um pouco, mas quando vi todos os jogadores formando uma rodinha e com expressões de preocupação, comecei a chorar. Foi uma mistura de dor, medo e decepção…”

Eu lutei muito para chegar a esta Copa. Cometi erros, e em determinado momento pensei que o Telê não desejasse mais contar com o meu futebol tive problemas particulares sofri expulsões, atritei com companheiros de profissão, lembrei da contusão do Careca, do corte de meu companheiro, da tristeza que ele sentia e continua sentindo. Naquele instante imaginei ficar de fora da Copa…”

“Hoje estou certo que jogarei, não sinto mais nada, quero marcar gols na União Soviética, isso não sai da minha cabeça. Descansei um pouco esta tarde e com a cabeça no travesseiro continuei pensando sobre a participação de um jogador decisivo. É uma espécie de desafio, não como deixar para outro dia.  Já pensou seu fosse tirado do time por uma contusão, um dia antes da estréia da seleção? Confesso que seria melhor nem ter viajado.”

“Mas os momentos em que eu passei naquele treino, jamais irei esquecê-lo. Foi um instante de medo. Ficou provado que ninguém deve pensar que é o dono da posição, que é insubstituível, que é intocável. Um problema físico pode liquidar ou arranhar uma carreira.”

“De que adiantaria a um jogador ter sido o mais brilhante jogador dos treinamentos da seleção, ter marcado dezenas de gols, ter sido aplaudido por companheiro de dentro e de fora, concedido centenas de entrevistas? Nada, absolutamente nada… Se ele um dia antes do jogo for vetado, será esquecido, simplesmente.”

Foi mais um capítulo escrito na vida desta seleção que começa hoje uma nova participação brasileira num Mundial, pela décima segunda vez ficou provado que o homem importante. Ficou claro que o homem é sim insubstituível. Esquemas são importantes, mas não são primordiais. No esporte tudo gira em torno do atleta.

Um pontapé desferido por um desconhecido jogador de uma equipe de terceira divisão espanhola poderia ter diminuído sensivelmente o poder de fogo da seleção do Brasil, a favorita em todas bolsas de apostas do mundo. Por muito pouco, aquele moço do Alcala, pequena cidade há 14 quilômetros do Parador de Carmona, não arrancou gols dos brasileiros. Os bons e maus momentos são feitos pelos homens e isso valoriza ainda mais a vida, a vontade de viver, de participar, de ultrapassar, obstáculos, de enfrentar emoções, de vencer, de ser forte no segundo da derrota.

Chulapa está certo!

Leia o post original por Odir Cunha

O técnico interino Serginho Chulapa está certo ao dizer que os técnicos brasileiros de hoje, no geral, são acomodados e aproveitadores. Agem assim porque os dirigentes dos clubes não entendem nada de futebol e não são bons administradores. Muitos desses dirigentes procuram um clube para tirar dele o dinheiro que não conseguiram ganhar trabalhando no mercado normal, em que é preciso currículo e eficiência para se ter um bom salário. Assim, para esses cartolas paraquedistas, é cômodo pagar caro a um técnico afamado e deixar que ele comande o time do jeito que quiser.

Veja, querido leitor e querida, bem-vinda e rara leitora (pela enquete, só 1% dos leitores deste blog são mulheres, que coisa…). No mesmo domingo em que o decantado Tite perdia para Serginho Chulapa na Vila Belmiro, em partida na qual o Santos jogou sem seis titulares; o abominável Dunga, histriônico técnico da Seleção Brasileira, enchia o time de volantes para, pasmem, agüentar a pressão e segurar a vitória contra a Venezuela, país cujo esporte mais popular é o beisebol.

Note, portanto, que os clubes brasileiros foram induzidos a pagar fortunas para técnicos que resolvem muito pouco. Só para lembrar, nomes há pouco cantados em prosa e verso, como Mano Menezes, Muricy Ramalho, Leão, Felipão e outros aos e inhos, estão vagando por aí ou já penduraram a prancheta. Se fossem tão bons, teriam lugar reservado nos grandes clubes.

Robinho e Lucas Lima vão embora mesmo

Acho que há uns dois meses postei um artigo exortando os santistas a irem a um jogo do Santos na Vila Belmiro, pois poderia ser a última vez que veríamos Robinho e Lucas Lima no Santos. De lá para cá muito se falou, se prometeu, mas a verdade é que o clube não tem como bancar os salários que o mercado pode pagar a ambos. Só mesmo uma parceria com um patrocinador poderia resolver a questão, mas essa parceria é bem improvável.

Contra a Venezuela, Robinho mostrou que é titular absoluto da Seleção de Dunga. Deixá-lo no banco enquanto Firmino, Fred e quetais usam a camisa amarelinha, é brincadeira de mau gosto. Lucas Lima é outro que tem lugar garantido no Escrete. Ambos estão por cima da carne seca. Os dois e mais Neymar, Willian e Daniel Alves farão a bola correr redondinha no time do Dunga. Não há, infelizmente, como o Santos segurar jogadores tão valorizados pelo mercado. Paciência.

Ao que tudo indica, Robinho irá para o Querétaro, do México, no lugar de estrela que antes era de Ronaldinho Gaúcho. E Lucas Lima é cotado no Milan. Talvez os nomes dos clubes mudem, mas o certo é que deverão ir e o santista deve se conformar. O jeito é contar com o que é possível , preparar melhor e valorizar os garotos, efetivar Rafael Longuine como titular e seguir em frente.

Time dos Sonhos será relançado, pode confiar. E apoiar

time dos sonhos - autor lendo trecho do livro para Robinho

Tenho encontrado santistas com algumas dúvidas com relação “a esse negócio de crowdfunding”, ou financiamento coletivo. Querem saber, por exemplo, se o livro Time dos Sonhos será republicado mesmo que o total arrecadado com a campanha fique muito aquém da meta de 70 mil reais; se haverá coquetel de lançamento se um número muito pequeno de pessoas comprar essa recompensa; se nenhum patrocinador adquirir uma das três cotas de 10 mil reais; se…; se…

A todos respondo o mesmo. Time dos Sonhos será reimpresso, com uma qualidade gráfica equivalente ou superior à original: no mesmo formato 21 x 25 cm, com as mesmas 528 páginas, com o miolo em papel offset 90 gramas, a capa em papel Cartão Royal e lombada quadrada. Enfim, um livro atraente, para você guardar com carinho e consultar sempre que quiser lembrar passagens marcantes da história do Santos desde a sua fundação até o título brasileiro de 2002.

Quem garante que o livro será publicado é o autor da campanha, no caso este humilde blogueiro que vos fala. E a vantagem de se associar à campanha desde já é pegar um preço melhor pelo livro e pelas recompensas e já garantir o nome no último capítulo, o que só pode ser feito antes da impressão da obra, obviamente.

Clique aqui para ver como vai a campanha para a reimpressão de Time dos Sonhos. Perceba como tudo é transparente. E participe!

E você, o que acha disso tudo?


Empresa do pai de Neymar quer aumento para Marcelo Fernandes

Leia o post original por Odir Cunha

Colocação Clube UF TOTAL % Total
1º FLAMENGO RJ 2.812.460 5,21%
2º CORINTHIANS SP 2.510.343 4,65%
3º SANTOS SP 1.868.435 3,46%
4º SAO PAULO SP 1.858.871 3,45%
5º PALMEIRAS SP 1.730.957 3,21%
6º GREMIO RS 1.634.263 3,03%
7º VASCO DA GAMA RJ 1.484.235 2,75%
8º INTERNACIONAL RS 1.433.252 2,66%
9º CRUZEIRO MG 1.366.659 2,53%
10º BOTAFOGO RJ 1.314.431 2,44%
11º ATLETICO MG 1.225.020 2,27%
12º BAHIA BA 1.184.462 2,20%
13º FLUMINENSE RJ 1.166.020 2,16%
14º FORTALEZA CE 1.031.526 1,91%
15º GOIAS GO 910.063 1,69%

O futebol é mesmo um campo vasto para experiências e descobertas. Quando a gente pensa que já viu tudo, eis que surge mais uma. Agora ficamos sabendo que a empresa do pai de Neymar assinou contrato com Marcelo Fernandes, técnico do Santos, para gerenciar sua carreira. E uma das primeiras medidas para valorizar o treinador santista é conseguir um aumento de salário para ele. Ao menos é o que diz a matéria de A Tribuna:

A empresa quer fazer com Fernandes o que foi feito com Neymar, um modelo de gestão. O objetivo é que a carreira do treinador cresça junto com a marca. A primeira ação é a busca por um aumento no salário de Marcelo, que ainda está longe do padrão brasileiro.”

Pera aí. Vamos por partes. Valorizar um profissional começa por qualificá-lo melhor, fazendo, por exemplo, com que estude métodos modernos de treinamento, de trabalho em equipe, cumpra estágio nos grandes clubes do mundo, participe de congressos e por aí vai. Pedir aumento de salário é a última etapa desse processo.

Neste trecho que tirei da matéria de A Tribuna lemos que “o salário de Marcelo ainda está longe do padrão brasileiro”. E eu digo que ainda bem, pois é justamente por isso que ele foi efetivado e é o técnico do Santos. Sem nenhuma experiência na direção de equipes profissionais, ele foi uma aposta que, com a ajuda dos jogadores, da direção, de todos – até este blog, humildemente, deu sua parcela de apoio ao novo técnico – conseguiu se firmar no cargo. Mas daí a falar em aumento vai uma grande diferença.

Até porque o rapaz já teve um reajuste. Sei lá se ganha 20, 30 mil por mês. De qualquer forma, está excelente para quem ainda está aprendendo os macetes da profissão e ainda se diz discípulo de Muricy Ramalho e Oswaldo de Oliveira. Em outras atividades a pessoa trabalha bem durante um ano, dois, três, para ter um pequeno aumento. O futebol parece a terra prometida de leite e mel. Começou, conseguiu alguma coisinha, já quer mais dinheiro.

Pois, com toda a sinceridade, eu digo que se o Santos não estivesse na penúria em que está, se houvesse muito dinheiro em caixa, Marcelo Fernandes não seria o técnico contratado. Contribuiu demais para sua oportunidade o fato de o clube estar vendendo o almoço para comprar a janta. Espero que, em despeito dos conselhos que deve estar recebendo dos expertos da empresa de Neymar pai, ele não perca de vista que só está no cargo porque é barato e porque o universo santista conspirou a favor dele.

O padrão brasileiro de salários de técnicos de futebol está totalmente fora da realidade. Pelo que sabem, pelo que produzem, pelo que trabalham, os técnicos nacionais jamais deveriam receber salários superiores a, digamos, cinqüenta mil reais por mês. Sei que a experiência, o feeling, o trato com os jogadores é importante, mas um técnico deve ser um especialista em métodos de treinamento, em táticas, em relacionamento com atletas e trabalho em equipe, e isso, quantos treineiros brasileiros são?

Para se manter atualizado com o que se faz de mais moderno no primeiro mundo do futebol, é preciso, no mínimo, entender Inglês e Espanhol para acompanhar as publicações especializadas, participar de congressos, manter contato e intercâmbio com os melhores treinadores do planeta. Se a empresa do pai de Neymar pretende fazer isso com o técnico do Santos, ótimo, mas primeiro realmente faça, mostre resultados, e só depois pense em conseguir-lhe uma melhor remuneração.

Tudo também é uma questão de resultados, de cumprir metas. Ganhar o Paulista foi ótimo, mas o prêmio pela conquista já foi dado e o primeiro contrato assinado. Agora vem a prova de fogo, ou as provas de fogo, que são a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. A estréia já foi decepcionante, amargando um empate com um time que quase foi rebaixado no Campeonato Catarinense. Agora virá o Cruzeiro, em casa. Vamos desenhando… De acordo com o andar da carruagem veremos até onde vai a competência e o jogo de cintura de Marcelo Fernandes para montar um time competitivo apesar das dificuldades financeiras do clube.

Pois, se já nesses dias, o técnico entrar na sala de Modesto Roma e pedir aumento, acho que não restará outra opção ao presidente do que pegar o celular e chamar o Serginho. E se o Chulapa também quiser ganhar muito, que chame o Pepinho. Em vez de se pagar fortunas aos técnicos, que se reserve o dinheiro para manter os melhores jogadores.

E você, acha que Marcelo Fernandes já merece aumento?


Conselho de Serginho Chulapa para Fabuloso: “Tem que ter calma”

Leia o post original por blogdoboleiro

Muita calma nesta hora. É o que o atacante Luis Fabiano e o meia Valdívia precisam ter daqui para a frente. Este foi o conselho que Serginho Chulapa deu para os dois atletas que andam às voltas com expulsões e períodos longos no departamento médico. Embora não se trate de caso de "chinelice" ou "destempero crônico", a situação dos dois atletas não é das melhores.

Serginho, 60 anos, entende o problema. "Eu era igual a eles", disse ao Blog do Boleiro. Ao longo da carreira, Chulapa acumulou gols, títulos e confusões. Ele é o maior artilheiro da história do São Paulo (242 gols) e um dos mais eficazes do Santos pós Pelé (104). Disputou uma Copa do Mundo, em 1982 na Espanha.

Mas Serginho já foi suspenso por um ano depois de desferir e acertar um chute num bandeirinha. Já se atracou com um amigo de infância, o zagueiro corintiano Mauro, num clássico no Morumbi. Ele também admitiu que arrumava uma contusões para não jogar partida longe de São Paulo.

Hoje, trabalhando para o Santos como olheiro e organizando peneiras com jovens, Chulapa diz que só tomou jeito aos 30 anos, quando a carreira já se encaminhava para o final. "O próprio jogador é quem precisa entender que estas coisas marcam a carreira deles. É preciso ter calma", disse.

E mais: do alto da experiência de quem já viu alguns cartões vermelhos pela frente, Serginho avisa: não adianta nada punir ou mesmo desligar estes jogadores que, segundo ele, são craques. Isso vale para a decisão do São Paulo de multar o Fabuloso em 30 por cento do salário e indicar consultas com um psicólogo.

Blog do Boleiro – Serginho, como as diretorias do São Paulo e do Palmeiras devem tratar com o Luis Fabiano e Valdívia?
Serginho Chulapa –
Pode dialogar com eles. Não adianta punir, dar bronca, chamar psicólogo. O jogador tem que tomar a rédeas e saber que estas expulsões não são legais para o clube, mas é mais prejudicial para o jogador. Eu sei porque eu era igual a eles. Deixei o São Paulo na mão com minhas expulsões.

Você teve a carreira prejudicada com isso?
Opa, claro que sim. Deixei de disputar a Copa do Mundo de 1978 porque agredi o bandeirinha (Vandevaldo Rangel) num jogo contra o Botafogo e peguei um gancho de um ano. Eu estava na melhor fase. Agora, se eu soubesse que ia tomar aquele gancho, tinha arrancado a cabeça do bandeirinha (risadas). Mas sério, é chato porque você fica marcado para sempre e os árbitros pegam no pé. Veja o que aconteceu ontem com o Luis Fabiano.

Você viu o jogo do São Paulo e Huachipato?
Eu vi. E acho que o Fabiano quis apenas passar na frente do cara e, na correria, acertou o rosto. O juiz interpretou como agressão, mas não foi. Dava no máximo um cartão amarelo.

Que conselho você daria ao Luis Fabiano?
Ele tem que ter calma. Assim não vai cair no mesmo erro outra vez. Eu mesmo só fui aprender com mais de trinta anos. Para mim, o Luis Fabiano tem vaga na seleção brasileira, mas se ficar nesta coisa de ser expulso, ele pode perder esta oportunidade.

Seria o caso de demissão dos dois jogadores?
Não. Você não abre mão de jogadores como o Valdivia, que sabe jogar e é craque, e como o Luis Fabiano, que é matador. O Valdívia ainda é expulso por coisas pequenas que não podem acontecer. Ele tem que se policiar. Mas são os dois jogadores que tem que pensar bastante, tomar as rédeas e mudar de jeito.

Pra jogar no Tricolor precisa ser bonito? E bola?

Leia o post original por Neto

Presidente Aidar quer o kaká de volta por ele ser bonito

Presidente Aidar quer o kaká de volta por ele ser bonito

Em entrevista à Rádio Bandeirantes o Sr. Carlos Miguel Aidar, atual presidente do São Paulo, disse em alto e bom som que estaria planejando contratar o meia Kaká porque esse jogador tem o estereótipo do são-paulino: bonito, culto e com todos os dentes na boca. Ou seja, completamente diferente da aparência de boa parte dos jogadores brasileiros. Mas a verdade é que o cartola estava sendo irônico e de certa forma preconceituoso.

Fico pensando se essa é a forma correta de um presidente de clube pensar. Afinal desde que mundo é mundo o jogador de futebol tem que ser escolhido pela bola que joga. Se for bom fica, se for ruim sai. Simples assim. Mas para o Aidar tem que ser bonito. Curioso isso, hein? é fácil lembrar de ídolos recentes como Zetti, Raí e Kaká, caras considerados bonitos pela mídia especializada. Mas o que dizer dos outros? O que falar do Luís Fabiano? Não é um cara bonito. Não serve para o Tricolor?

Vou ainda mais atrás. E Leônidas da Silva, o grande mito da era ‘pré-Pelé’? Jogou muito tempo no São Paulo. Não servia porque não era um galã? Serginho Chulapa, maior artilheiro da história do clube com 242 gols, também nunca foi exemplo de beleza. Não serve para jogar no time do Sr. Aidar? Para vai! Muitos craques do Tricolor foram feios de doer.

O futebol é tão provocativo e tumultuado entre os torcedores mais sem noção que fico revoltado quando dirigente de futebol vem a público aguçar mais ainda esse tipo de coisa. É claro que ele vai se defender dizendo que não teve ironia nas palavras. Mas teve sim. Quem conhece de futebol sabe muito bem disso.

Serginho no fim, César no começo

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 06/05/1981

Pelo jeito, a carreira de Sérgio Bernardino (23 de dezembro de 1954), o Serginho, está definitivamente encerrada na Seleção Brasileira. Na verdade, Telê Santana, ao assumir a direção do quadro nacional, custou a convocar Serginho, vivendo instantes de dúvida, enquanto ia observando (ou mandava observar) o craque tricolor. E tanto isso é verdade que existe uma ficha completa de Serginho, com anotações totais, envolvendo, sobretudo, a parte disciplinar nas partidas em que esteve em ação. O moço parecia mesmo ter mudado, após aquela lamentável atitude do dia 12 de fevereiro de 1978, em Ribeirão Preto, ao desferir um pontapé em um auxiliar de arbitragem, o que tirou do jogador todas as possibilidades de disputar o Mundial argentino. E olhem que houve quem lutasse para que Serginho fosse perdoado.

Inutilmente, porém, Serginho teve que cumprir a punição.

Serginho Chulapa pela Seleção Brasileira

E ia continuando

Mas, finalmente convocado por Telê Santana, desde junho do ano passado, o artilheiro tricolor foi sendo mantido pelo treinador, porque na Seleção sempre agira com muita correção. E tanto isto é verdade que, ao tratar de fazer sua lista de 18 jogadores para esta viagem a Europa, Telê manteve Serginho, como centroavante, ao lado de Reinaldo. Claro esta lista foi feita antes da decisão da Copa de Ouro no Morumbi, mas foi nesse jogo, aos 88 minutos, que o artilheiro do tricolor “caiu do galho”, com aquele gesto triste sobre Leão.

O resto da história todos conhecem:

Serginho viajou para o Rio com o Dr. José Carlos Ricci, porém, não junto com o grupo de jogadores paulistas, gaúchos e mineiros. Apresentou-se no Hotel das Paineiras, mas com o médico tricolor já apresentando o argumento de que o craque não tinha condições. Foi uma apresentação “pro forma”, Serginho estava cortado.

Chances foram dadas

A carreira de Serginho, na Seleção Brasileira, antes de Telê assumir, foi muito curta, sobretudo porque o jogador ficou suspenso durante uns dez meses, pelo pontapé naquele auxiliar de arbitragem.

De qualquer modo, há que se reconhecer que foi Telê quem deu a Serginho as maiores chances, as oportunidades mais amplas, o que parece provar a confiança que o treinador mantinha pelo jogador.

No entanto, aos 88 minutos do jogo da decisão da Copa de Ouro, cessou a confiança de Telê por Serginho. E, se não houve tempo hábil para mudar a lista de convocados, distribuída no Morumbi, já se poderia calcular como certa a desconvocação do artilheiro, o que se concretizou na segunda-feira, à noite, em pleno Hotel das Paineiras.

Sem seqüência

Aqui está a carreira de Serginho na Seleção Brasileira:

Com Cláudio Coutinho:

12 – 10 – 77: 3×0 sobre o Milan, no Rio – 1 gol

31 – 05 – 79: 5×1 sobre o Uruguai, no Rio

Com Telê Santana:

01 – 05 – 80: 4×0 sobre combinado mineiro, em Brasília – 1 gol

08 – 06 – 80: 2×0 sobre o México, no Rio – 1 gol

24 – 06 – 80: 2×1 sobre o Chile, em Belo Horizonte

29 – 06 – 80: 1×1 contra a Polônia, em São Paulo

21 – 12 – 80: 2×0 sobre a Suíça, em Cuiabá

07 – 01 – 81: 4×1 sobre a Alemanha Ocidental, em Montevidéu – 1 gol

10 – 01 – 81: 1×2 contra o Uruguai, em Montevidéu

01 – 02 – 81: 1×1 contra a Colômbia, em Bogotá – 1 gol

08 – 02 – 81: 1×0 sobre a Venezuela, em Caracas

25 – 03 – 81: 2×1 sobre o Chile, em Ribeirão Preto

29 – 03 – 81: 5×0 sobre a Venezuela, em Goiânia

Portanto, no total, 13 jogos com a camisa do Brasil, destacando-se, como dissemos, que Telê Santana, deu mesmo a Serginho as maiores oportunidades, embora, no caso de Cláudio Coutinho, tivesse havido aquele problema da suspensão do craque, por agredir a um bandeirinha.

Tivesse Serginho mantido a serenidade, talvez chegasse mesmo a disputar a Copa do Mundo de 1982. No momento, porém, depois do que houve, do desligamento em 24 horas, parece terminada a carreira do moço-artilheiro na Seleção. Por culpa exclusiva do jogador, que voltou a perder a cabeça, com uma facilidade terrível. Infelizmente.

Depois, aquela longa reunião no Hotel das Paineiras, as especulações todas em torno do jogador que substituiria Serginho: Baltazar ou Careca, Cláudio Adão ou Roberto Dinamite? Os dois últimos, como se sabe, estão sem condições físicas, enquanto Careca está discutindo ainda a reforma de seu contrato com o Guarani. E Baltazar? Com Telê, apenas 20 minutos em Fortaleza, naquele amistoso contra o Uruguai.

O substituto “driblou” todo mundo:

Júlio César Coelho de Moraes (25 de julho de 1954).

Bom futebol, o centroavante César, que jogou no Palmeiras, onde chegou a ter boas atuações, embora nem sempre mantendo a regularidade, transferido posteriormente para o Vasco da Gama, pelo qual também andou jogando bom futebol. Na Seleção que vai à Europa, César se junta a Paulo Sérgio e Vitor, como os “caras novas” entre os 18.

Serginho e seus golpes mortais

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 20/04/1981

Serginho Chulapa no São PauloE Serginho continua aparecendo. Destacando-se da melhor maneira possível: marcando gols. E gols importantes, decisivos, vitoriosos e coloridos. A sua característica na comemoração já é conhecida: mãos agitadas, pedindo que a torcida comemore junto com ele. Sapateando e aguardando os abraços aquecidos dos companheiros. Correndo para o banco de reservas e descarregando sorrisos. Esse é o Serginho de hoje. Um novo Serginho como ele mesmo faz questão de ressaltar: “Aquele Serginho irresponsável não existe mais…”.

E Serginho não está mentindo ou jogando palavras ao ar. Ontem, no início do jogo, uma bola sobrou para o centroavante do São Paulo, do jeito que ele gosta. Preparou-se para o chute… então, Arnaldo César Coelho marcou uma posição de impedimento. Serginho elevou a perna e num passado não muito distante daria um chute na bola e fim de conversa. O novo Serginho controlou-se, pegou a bola com as mãos e entregou ao árbitro. Arnaldo César Coelho sorriu e o jogo continuou. Nestes pequenos detalhes fica figurada a presença de um Serginho disciplinado, agradável, engraçado, sorridente, amigo e goleador.

Este é o Serginho que todos queriam. Carlos Alberto Silva considerando-se responsável por boa parte da recuperação da imagem do atacante e isso é uma verdade. A diretoria do São Paulo, satisfeita, afinal suportou as rebeldias  do moço Serginho Bernardino.

A torcida do São Paulo também entende ter colaborado com Serginho, não deixando de apoiar o seu artilheiro em nenhum momento. Há algum tempo, quando os atritos com Serginho eram muitos, muitas faixas eram vistas no Morumbi: “SERGINHO, NÓS ACREDITAMOS EM VOCÊ” – o texto de uma delas.

Várias as vezes em que os companheiros suportavam os momentos de desequilíbrio de Serginho. Diversos os momentos em que Serginho prejudicou o São Paulo e os companheiros entenderam, apoiaram.

Serginho ainda recorda uma pitada de mágoa aquele dia em que deu um pontapé em Vandevaldo Rangel, em Ribeirão Preto, e foi punido por 14 meses. Recorda a anistia pela visita do Papa. Não pode esquecer o dia que agrediu o preparador físico do Corinthians, Nicanor de Carvalho. Não consegue lembrar todas as suas expulsões ou todos os momentos em que foi advertido.

Jamais poderá esquecer que ficou muito tempo distante do selecionado brasileiro pelo seu temperamento agressivo e ouviu isso do próprio técnico Telê Santana.

Mas este Serginho negativo faz parte do passado. Não é um jogo de palavras ou mesmo o pronunciamento de alguém que pretende defendê-lo. As atitudes do centroavante provam que nasceu um novo jogador e não seria arriscado dizer, um novo Sérgio Bernardino.

Um Sérgio Bernardino vitorioso. Acostumado a marcar gols, gostando de marcá-los e procurando-os desesperadamente. Há partidas em que Serginho é útil do início ao fim, outras em que “só” marca gols. Mas a sua eficiência é indiscutível e ontem ele provou isso mais uma vez para os descrentes.

Tem um ótimo relacionamento entre os componentes do grupo. Os torcedores devem estar lembrados em que todos os jogos em que a vitória está certa para o São Paulo – ontem aconteceu novamente – Serginho pede para sair. Simula um início de dor no joelho ou na virilha, ou mesmo na coxa, para a entrada de um outro jogador. Todos sabem que quando um jogador entra, ele recebe um prêmio pela vitória, além de aparecer também diante da torcida e da imprensa. Esse é Serginho, sem nenhuma vaidade, admitindo que costuma dominar bolas com a “canela”, que sua perna direita não é precisa, que necessita treinar muito e que Reinaldo é o melhor centroavante do Brasil.

Esse Serginho, chega a entusiasmar. Alguns garantem que ele é o sinônimo de gol, outros o taxam como o ponto mais importante do São Paulo, uns preferem ficar com o artilheiro demolidor. Serginho deseja apenas que “a boa fase continue. Centroavante que não marca gols, é igual a um advogado que não sabe falar”.

É o artilheiro do time do São Paulo, distante de conquistar o título de “goleador do Campeonato Brasileiro”, mas Serginho sabe que daqui para frente, mais do que nunca, o São Paulo depende dos seus gols. Terá o Botafogo pela frente, depois mais jogos difíceis e é assim que um goleador aparece.

Certamente, se o São Paulo precisar de gols e não marcá-los, Serginho será crucificado. Todos esquecerão os gols que ele marcou até agora. Hoje, a diretoria do são Paulo sequer admite conversar sobre o preço do seu passe. O Internacional não esconde o desejo de contratá-lo e Serginho é sincero o suficiente para dizer que “está na hora da independência financeira”. Mas, se o São Paulo não conquistar o título nacional, se os gols não surgirem, Serginho não “será tão importante”, principalmente com a presença de Éverton no elenco do Morumbi.

De qualquer maneira, falando do presente, Serginho é um bem para o futebol paulista e brasileiro. Os gols dele são verdadeiras injeções revitalizantes. A presença de Serginho em campo pode ser comparada à presença de um animal feroz pronto a atacar. E seus golpes são mortais. Ele não perdoa. Quando vê o gol pela frente, não encontra outra alternativa. É uma espécie de vida ou morte, vencer ou morrer, o novo ou o antigo Serginho.