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Autor de tributo a golpe militar diz ter festejado democracia corintiana

Leia o post original por Perrone

Osmar Stabile, conselheiro oposicionista do Corinthians, não quer dar entrevistas neste momento sobre a iniciativa de financiar vídeo de apoio ao golpe militar de 1964 e que acabou sendo divulgado pelo Planalto no último domingo (31). Porém, o blog apurou que nos bastidores ele argumenta não ter ido na contramão do clube, que no primeiro jogo contra o Santos pelas semifinais do Paulista resgatou faixa a favor da democracia. Sua narrativa longe dos microfones também é de que ele tem dúvidas sobre a ocorrência de tortura durante o regime militar.

Ao UOL Esporte, Edna Murad, vice-presidente do Corinthians, criticou Stabile dizendo que credita seu posicionamento a uma visão rasa da história do país e do alvinegro. Classificou como absurda a defesa de um regime acusado de praticar tortura. A apuração do blog é de que Stabile afirma ter apoiado e celebrado a volta da democracia nos anos 1980 e a Democracia Corintiana, simbolizada por Sócrates, por entender que a ditatura se estendeu demais. Ele também se diz um democrata, apesar do apoio ao golpe, e que por isso não está numa linha contrária à do clube.

A pelo menos um interlocutor, no entanto, o ex-vice-presidente de esportes terrestres na gestão de Alberto Dualib declarou não poder afirmar que ocorreram torturas durante o regime militar. Alega não ter tido parentes ou amigos torturados. Na nota em que escreveu sobre o vídeo, ele sustentou que não teve a intenção de mexer com os sentimentos daqueles que “se dizem perseguidos pelas forças do Estado” na ocasião. Ao mesmo interlocutor ele afirmou que seu vídeo se refere à intervenção em 1964, não entrando no mérito do que aconteceu durante o regime militar.

Longe dos microfones, o ex-candidato à presidência do Corinthians, também tem dito que concorda com Antonio Roque Citadini, assim como ele conselheiros de oposição no Corinthians. Seu colega se manifestou em rede social afirmando que a maioria esmagadora dos membros do Conselho Deliberativo, o que inclui a atual diretoria, votou em Jair Bolsonaro para a presidência do país.

Filho de Sócrates notifica Corinthians por uso de imagem do pai

Leia o post original por Perrone

O ex-jogador Zé Maria e o lateral Fágner posam em volta da estátua de Sócrates        Reprodução/Twitter

Por meio de advogado, Gustavo Vieira de Oliveira, filho do ex-meia Sócrates, enviou notificação judicial ao Corinthians sobre o uso da imagem de seu pai. No documento, o clube é alertado para que a partir de agora pedidos de autorização para usar a imagem do ex-jogador sejam encaminhados para Gustavo. Isso porque ele é o inventariante (responsável na Justiça pelo inventário do pai, morto em dezembro de 2011).

A notificação aconteceu porque o alvinegro fez uma promoção para lançar seu novo uniforme homenageando a Democracia Corintiana. Parte do material publicitário faz referência a Sócrates, um dos líderes do movimento marcante nos anos 1980. Na última quarta, antes do empate com o Ceará, uma estátua do ex-jogador foi inaugurada na Arena Corinthians.

“Não acusamos ninguém de ter dado autorização sem poder para isso. Só perguntamos ao clube se houve autorização para usar a imagem dele e, se houve, quem deu. Explicamos que, na condição de inventariante, qualquer que seja a manifestação, o Gustavo precisa ser consultado. Isso porque, se alguém deu autorização erroneamente, ele precisa avisar o juiz (que cuida do caso). A família respeita a entidade, tem apreço pelo fato de o Sócrates ter uma pequena participação na história do Corinthians e não quer animosidade com o clube”, afirmou ao blog o advogado Paulo Henrique Marques de Oliveira, autorizado por Gustavo a cuidar do inventário de seu pai. Ele deixa claro não exisitir a intenção dos familiares de processar o clube pelo ocorrido. Oliveira afirmou ter enviado a notificação na semana passada.

O problema é que o Corinthians alinhavou a campanha com Kátia Bagnarelli Vieira de Oliveira, viúva de Sócrates. A estátua foi doada por ela, segundo o clube. Kátia alega que recebeu por escrito autorização do marido para usar com exclusividade sua imagem por meio de uma empresa dela. No entanto, há discordância com a família. “Na qualidade de único legitimado a autorizar o uso da imagem já informei ao clube que estamos à disposição para coordenar qualquer iniciativa de interesse do Corinthians”, declarou Gustavo ao blog por meio de mensagem de texto. Ele afirmou que a família se sentia honrada com a homenagem e não demonstrou descontentamento com alvinegro. Também não acusou o clube de agir irregularmente.

Por sua vez, o Corinthians confirmou que recebeu a notificação, mas assegura que o uso da imagem também foi alinhado com Gustavo. “Sim (o clube tem um acordo feito com a viúva). Se necessário, será rescindido. Mas a utilização da imagem do Sócrates também foi alinhada pelo Corinthians com o inventariante do espólio e representante dos demais herdeiros. É importante ficar claro que o clube não cometeu irregularidade”, declarou Luiz Felipe Santoro, um dos advogados da agremiação.

Kátia afirma que no começo do ano passado avisou ao advogado que representa Gustavo no espólio estar disposta a desistir de exercer o direito que entende que sua empresa tem em relação à imagem de Sócrates. Porém, as medidas necessárias para isso não foram tomadas por Gustavo até agora, segundo ela. O advogado Paulo Henrique confirmou ao blog que a viúva manifestou esse interesse de desistência e enviou documentos que ainda estão com Gustavo.

Num e-mail datado de 19 de novembro, e ao qual o blog teve acesso, Kátia explica a um advogado consultado pra representá-la no pedido de desistência, os motivos que a levaram a não querer mais o direito de utilizar a imagem de Sócrates.

“Minha cortesia, doando os contratos ao espólio, completamente e de forma absoluta sem nenhum custo ou pagamentos devidos posteriormente ou até a data desta transferência, se dá pela incapacidade dos demais herdeiros de gerenciar ao meu lado tais empreendimentos e principalmente pelo fato de estarem atuando verbal e energicamente em direção a prejudicar o excelente pioneirismo no Brasil, trabalho construído por nós”, diz a viúva em trecho do e-mail.

Kátia declara que chegou a avisar ao advogado do Corinthians que desistiria de todos os contratos de exploração da imagem do Doutor, outro apelido do ex-jogador. Além da promoção feita a partir da semana passada, sua empresa tem acordo que envolve uma fabricante de roupas e o Corinthians para a utilização em conjunto das marcas do clube e do ex-meia.

“Só que ninguém me procurou para formalizar a desistência. Daí o (Luis Paulo) Ronsenberg, diretor de marketing do Corinthians, me chamou para fazer esse projeto. Minha empresa ainda tem os direitos”, explicou a viúva.

Livro

Num vídeo publicitário para lançar os uniformes inspirados na democracia corintiana, o clube usou uma camisa com o número oito e a inscrição “Sócrates”. No mesmo dia da inauguração da estátua e do início das vendas das novas camisas, passou a ser comercializado na loja do clube um livro com textos escritos por Magrão. A obra foi organizada por Kátia. Os compradores ganham uma estatueta com o rosto do Doutor.

“A estátua e as estatuetas fazem parte do projeto da editora, igual ao que eles fizeram com o livro do Ayrton Senna. São três estátuas de dois metros e três mil esculturas pequenas para os primeiros compradores do livro do Sócrates. Publiquei o livro como pude porque ouvir a voz dele na UTI dizendo: ‘linda joga isso em praça pública’  não me saía da cabeça”, contou Kátia.

Depois da inauguração da estátua, ciente do imbróglio, Caio Campos, gerente de marketing do Corinthians teve, por telefone, uma conversa amistosa com o filho de Sócrates e ex-diretor remunerado de São Paulo e Santos. Pelo menos aparentemente, não ficaram rusgas entre as partes, apesar da notificação. Gustavo havia dito ao blog o seguinte: “não se faz necessário contato somente sobre este assunto. Este é um tema menor diante de algo muito grande entre Corinthians e Sócrates. Mas vou avaliar com meus tios e irmãos”.

O Corinthians não vê irregularidade no fato de ter concordado em unir a imagem de time e jogador em camisas produzidas nos últimos anos por meio de acordo com a viúva. O clube alega que ela estava autorizada para isso.

O blog teve acesso a um contrato assinado em 18 de março de 2011 no qual o ex-jogador cede para Kátia “os direitos patrimoniais, autorais” que eventualmente sejam decorrentes da “obra audiovisual Brasil Mais Brasileiro”, apresentada por ele e com a empresa dela participando do trabalho. A cessão foi feita “em caráter inteiramente gratuito”.

Depois de um processo doloroso, Kátia e os filhos de Sócrates fizeram um acordo para que ela deixasse de fazer parte do espólio, que definirá a divisão do patrimônio deixado por Magrão.

Trecho de contrato pelo qual Sócrates cedeu para Kátia direitos sobe a obra “Brasil Mais Brasileiro”

 

Vice corintiano diz que Dualib deixou legado maior do que Matheus

Leia o post original por Perrone

Com Dielgo Salgado, do UOL, em São Paulo

Quem deixou maior legado para o Corinthians entre os ex-presidentes Vicente Matheus e Alberto Dualib? Essa é a polêmica que despontou na última quinta-feira no Parque São Jorge.

Durante reunião com conselheiros, o 1º vice-presidente do clube, André Luiz Oliveira, o André Negão, afirmou que Dualib, afastado após uma série de acusações de irregularidades, deixou legado maior do que o lendário cartola. Vicente presidia o clube no histórico título paulista de 1977, depois de um jejum iniciado na sequência da conquista do Estadual de 1954.

André, primeiro enumerou os feitos de seu grupo, Renovação e Transparência, liderado por Andrés Sanchez, como a construção da Arena Corinthians, além de uma respeitável coleção de taças. Entre elas uma da Libertadores e outra do Mundial. Realçando a importância de se deixar um legado, disse que Dualib, praticamente escorraçado pelo grupo de André, fez mais nesse quesito do que Matheus. Citou a construção do auditório onde foi o encontro. O local é uma das melhorias implantadas pelo ex-presidente no Parque São Jorge.

Dualib também tem em seu currículo uma série de títulos, incluindo o Mundial de 2000.

Por sua vez, Matheus era o comandante alvinegro na conquista do Brasileiro de 1990. Além de frases cômicas, tem sua história marcada por manobras astutas nos bastidores. Entre as mais famosas estão a rasteira no São Paulo ao contratar Sócrates e uma troca com o Palmeiras que recebeu o Dida (lateral) e Ribamar cedendo Denys e Neto. O atual comentarista se transformaria em seguida num dos maiores ídolos da história corintiana.

Milionário, Matheus também ganhou fama de ser um presidente que colocava dinheiro do próprio bolso no clube. Dualib diz ter feito o mesmo, apesar de ser execrado por conta dos escândalos ocorridos durante sua gestão.

O carinho com que a maioria dos corintianos trata Matheus e a revolta da maior parte deles com Alberto, gerou indignação entre conselheiros, principalmente da oposição, com a afirmação feita por André.

“Falei mesmo. Disse que o Dualib deixou uma construção. É diferente. O Vicente teve três (títulos) paulistas e um brasileiro. Falei o legado que todo mundo deixou”, afirmou André, confirmando a declaração que gerou polêmica.

“Meu avô deixou um legado moral para o clube. Ele tirava dinheiro de casa, da família para colocar no Corinthians”, disse ao blog Afonso, neto de Matheus, ao ser indagado pelo blog sobre a comparação entre os dois ex-presidentes e envolvendo também a gestão do Renovação e Transparência.

Sócio do Corinthians e integrante do grupo oposicionista Lava Jato, o descendente do cartola campeão em 1977 diz que nos tempos de seu avô não existiam algumas facilidades atuais. “Se ele fez o que fez sem internet, sem 50 patrocinadores na camisa, sem a visibilidade (e as receitas) de hoje, imagina o que teria feito se fosse presidente agora?”, declarou Afonso. Sua mãe é filha do primeiro casamento de Vicente, que depois se casou cm Marlene Matheus, também ex-presidente corintiana.

 

Chile campeão, Argentina chora, Héber desastre

Leia o post original por Fernando Sampaio

Cl7QZr0WEAARlTKO Chile levou mais uma Copa América.

A Argentina continua na fila de 23 anos.

Foi um jogo igual, truncado, quente, muita discussão e poucas oportunidades.

Héber Roberto Lopes foi um desastre no primeiro tempo. O árbitro brasileiro errou feio na expulsão do Diaz. Daí em diante ficou perdido, buscando compensação. Conseguiu. Expulsou Rojo numa jogada para amarelo.

Ridículo.

Héber deveria ter se aposentado há um bom tempo.

O jogo ganhou emoção na prorrogação.

Infelizmente ficou no 0x0.

Vidal e Messi abriram a série desperdiçando suas cobranças. Incrível. Raí, Sócrates, Zico, Baggio… Muitos craques perderam pênaltis importantes. Vidal foi o melhor em campo. Apesar do pênalti perdido, saiu feliz. Já Messi saiu desolado. Derrota amarga. Maradona vai cair matando.

Taticamente e coletivamente o Chile é a melhor seleção da América.

Título merecido.

Telê Santana, dez anos de saudade

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Faz dez anos que seu Telê Santana foi embora.

Mas quem conviveu com ele conversa com o Mestre todo dia. Topa com situações passadas a seu lado. Dá risadas ao lembrar de suas piadas. Fica admirado com seus exemplos.

Telê mandava jogadores humildes devolverem os carrões comprados com o dinheiro dos prêmios. Obrigava essa turma a comprar primeiro uma casa para suas famílias invariavelmente pobres.

Telê era exemplo de dedicação, levantava cedinho no Centro de Treinamento do São Paulo e ia catar praguinha no meio do gramado, onde seus meninos iriam treinar dali a pouco.

Telê não fugiu da concentração após a derrota para a Itália, no Sarriá, em 1982. No dia seguinte estava lá esperando firme e forte a chegada dos poucos jornalistas que se arriscaram a tentar entrevistas com os derrotados de Barcelona.

E, como foram poucos os repórteres, acabamos comendo uma bela feijoada com todo o time, que tinha homens como Sócrates e Zico – que também não fugiram às explicações, nem abandonaram a delegação.

Telê Santana sabia ganhar. E sabia perder.

Era leal, mas não protegia ninguém. Não dava notícias exclusivas a repórteres de meios de comunicação influentes. Todos os trabalhadores tinham o mesmo direito às informações.

Telê rompeu barreiras, ensinou futebol e ensinou a vida a muita gente.

Telê Santana, num domingo, logo após abandonar o futebol, foi ver o neto jogar numa equipe mineira. Chegando ao estádio, viu o menino dividir uma bola e cair ao chão. “Fraturou a perna”, disse contrariado e foi caminhando para dentro do campo.

Sem se alterar chegou perto do menino, pôs a mão no ombro dele e disse: “Isso não é nada, logo você volta a jogar”.

Dez anos se foram e Telê continua vivo. Na memória dos que o queriam bem. Nos exemplos que deixou.

A eterna magia de Pelé

Leia o post original por Quartarollo

pelé

Hoje Pelé comemora 75 anos de idade. Edson Arantes do Nascimento, que lhe empresta o corpo e a voz, vai nessa carona e também faz a festa.

A magia de Pelé continua eterna. Imbatível. Todos os dias quando surge um bom jogador logo já se diz: “É o novo Pelé”

É Pelé disso, Pelé daquilo. Pelé suplantou Edson há muito tempo e passou a ser sinônimo de coisa genial, de alta qualidade.

Não é necessário falar dos feitos do eterno Pelé, isso todos já falam, mas a magia perdura e atravessa décadas e invadiu o novo século.

Esse é um cara iluminado. Convivi com Pelé menos do que gostaria e mais do que muita gente pretendia.

Sou um cara de sorte. Entrevistei Pelé várias vezes, nunca no auge do seu futebol.

Nasci em 1957 quando ele explodia genialmente para o mundo. Conheço suas histórias e suas conquistas, mas vi Pelé jogando pela primeira vez contra o XV de Piracicaba no Barão de Serra Negra, em Piracicaba, em 1973, se não estou equivocado.

Não foi o grande Pelé de sempre, já caminhava para se despedir, mas ainda é o que mais chamava a atenção da torcida e dos adversários.

O XV festejou porque empatou em casa com o Santos de Pelé, 0 x 0, com direito a bola na trave do rei e com Edu jogando demais na ponta-esquerda.

Comecei em rádio em 1972, ele ainda era a majestade dos campos. Quando cheguei em São Paulo, na Rádio Gazeta, em 1980, tive mais contato profissional com Pelé.

O entrevistei várias vezes e via que ele atendia a todo mundo com o mesmo carinho. Vi Pelé deixar de almoçar, deixar a comida esfriando no prato, para atender seus fãs.

Quantos cafezinhos ficaram nas xícaras por causa disso. Era dar uma bicadinha e já vinha alguém, posso tirar uma foto com o senhor seu Pelé?

E lá ia o Rei atender seus súditos independente de onde eram, quem eram ou para quem torciam.

Em 1985, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, em Assunção, no Paraguai, estávamos todos, imprensa e jogadores, concentrados no Hotel Ita Enramada, e naquela época você entrevistava os craques da Seleção a qualquer hora.

Tomava café com eles, jogava baralho e na folga tomava até cerveja junto. Eram todos muitos próximos, jogadores e imprensa, nem a figura atual do assessor, ou censor de imprensa, existia.

Na manhã do jogo com o Paraguai, no saguão do hotel, estávamos fazendo matérias para rádio, jornal e televisão e todos os jogadores ali batendo papo e a torcida querendo também falar com os atletas.

Nisso chegou Pelé. Falecido Sócrates, do alto da sua inteligência, começou a sorrir.

Eu olho para ele e pergunto: “Tá rindo de quê, Magrão?” e ele respondeu: “Agora acabou nosso papo com vocês, todos vão querer falar com o maior de todos. O rei chegou, a atenção é para ele. Qualquer coisa tô no café”

O incrível é que naquela seleção havia gente consagrada como o próprio Doutor Sócrates, Falcão, Careca, Casagrande, Renato Gaúcho, Leandro, Júnior e outros mais.

Era a base do belíssimo time de 82 com algumas mexidas. Ninguém era maior que Pelé e Sócrates sabia disso de longe.

Eu estava lá pela rádio Record e o grande Roberto Silva, ainda na Rádio Bandeirantes, tinha mais intimidade com Pelé e foi falar com ele.

“Pelé, a gente precisa fazer uma entrevista com você. Pode ser agora?”

O Rei todo sorridente e atendendo todo mundo que se aproximava: “Roberto, prazer em revê-lo, estou chegando de viagem, vou subir tomar um banho e em meia hora desço para falar com vocês e atendo todo mundo”

Não deu outra, meia hora depois estava e eu e outros companheiros ao vivo com Pelé para o rádio do Brasil, como costumamos dizer.

Quando saiu para o estádio ainda perguntou se tinha atendido todo mundo e isso valia também para os torcedores que queriam fotos e autógrafos.

Há pouco tempo, Flávio Prado resolveu fazer um programa para a TV Gazeta reunindo os cinco jogadores daquele que é considerado o melhor ataque de todos os tempos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Pelé topou a parada na hora e avisou: “Vamos fazer lá na minha casa, no Guarujá”

Flávio topou e na época eu estava participando da campanha da Jovem Pan por respeito ao Hino Nacional nos estádios e faltava falar com Pelé que sempre estava viajando.

Pois com Pelé é assim, se você chegar perto passa a ser do time dele e ele te abraça e os assessores não falam mais nada, mas se precisar de ajuda para chegar e ele não sabe que você quer falar com ele, há uma certa complicação.

Pedi ao Flávio para que ele gravasse um depoimento de Pelé sobre o Hino Nacional. Ele fez mais do que isso, me convidou para ir junto.

“Já falei com Pelé que você vai conosco e ele falou que não precisava nem pedir. Você está convidado, vamos lá”

Lá fui eu com um motorista e um técnico da rádio. Pelé nos recebeu de braços abertos, se emocionou ao reencontrar seus antigos companheiros, fez questão de que a TV Gazeta pagasse um cachezinho, com o qual ele colaborou pessoal e secretamente para que não ficassem melindrados, para cada um dos seus velhos amigos, fez comida para a gente almoçar, levou-nos ao altar da Santa de sua devoção que cuida todos os dias com carinho e contou histórias de vida, de família como se fosse um igual a nós.

Ah, antes de tudo isso, foi buscar pessoalmente o motorista e o técnico da rádio que estavam no carro lá fora esperando pela matéria para voltar à São Paulo.

Foram levados para dentro para almoçar e passar o dia com a gente. Esses dois jamais esqueceram o fato: “Ser convidado por Pelé em pessoa era demais para eles”

O gozado foi Pelé me perguntando. “Cadê os meninos que vieram com você?”

Estão lá fora me esperando, vou passar a matéria e voltar para São Paulo.

“Vai nada, espera aí, vou chamar os dois. Nada disso. Vamos almoçar todos juntos” e assim aconteceu.

Tempos depois estou entrevistando Mané Maria, ex-excelente ponta-direita do Santos dos anos 70 e amigo pessoal de Pelé até hoje, e ele me fala assim: “Quartarollo, tenho aqui um garoto que quer pedir uma ajudar para você. Você pode conversar com ele na Jovem Pan?”

“É claro que posso, bota o menino aí no telefone”.

“Oi seu Quartarollo, aqui é o Edson, tô procurando um time para jogar e ninguém me dá chance”

“Ah, é? O que você sabe fazer?

“Sei chutar com o pé direito, com o pé esquerdo. Sei cabecear, driblo bem, faço muitos gols, mas ninguém me dá chance”

E eu entrando na brincadeira do Rei. “Ah, você sabe tudo isso. Quem você pensa que é, pensa que é o Pelé?”

Gargalhadas à parte, veio na sequência mais uma grande entrevista cheia de histórias boas e análises sobre os rumos do futebol brasileiro.

É por isso que quando alguém quer comparar algo muito bom, pode se comparar a Pelé, mas ele é inigualável, é o maior de todos sem nenhum favor.

Quando um jogador se destaca muito a primeira questão é: “Esse é melhor que Pelé, esse é igual a Pelé”

Agora é a vez de Messi ser comparado. Logo, logo isso passa. No passado outros também foram comparados a ele, mas Pelé só existe um, mas é gente igual a gente. Tenha certeza disso.

Pelé tem um grande coração. É do tamanho desse aí de cima na foto magistral de Luiz Paulo Machado que teve a felicidade de pegar o exato momento em que o suor fazia um desenho perfeito no peito do Rei.

E ele conseguiu isso numa época em que as máquinas fotográficas eram bem diferentes dessas de hoje. Não dava para inventar e nem montar. Era isso ou isso e nada mais.

Machado era um dos Pelés das fotografia. E era ótimo. Parece que realmente os polos, ou os pelés, se atraem.

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Leia o post original por Odir Cunha

Hoje à tarde a volta de Robinho e a grande rivalidade entre Santos e Corinthians darão o maior ibope deste Campeonato Brasileiro.

Veja como os Meninos do Santos foram campeões na África do Sul:

Santos vence Benfica por 2 a 0 e é campeão em Durban

João Igor, o herói do título

A equipe Sub-19 do Santos, orientada por Pepinho, filho do grande Pepe, venceu o Benfica por 2 a 0, com dois gols de João Igor, que entrou no segundo tempo, e se tornou campeã do Torneio de Durban, África do Sul. Mais do que a vitória e o título internacional, os meninos do Santos espalharam alegria na África do Sul e sentiram um pouco do carinho que o grande Santos sentiu quando jogava pelos cinco continentes. Este é o destino do Santos – ser um time do mundo e cativar torcedores de todo o planeta. Isso foi esquecido ou abandonado, mas precisa voltar. Veja e se emocione com uma visita dos Meninos da Vila a uma escola de Durban:

Confira aqui a cobertura no site Supersports, da África do Sul

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Quem não gosta de Robinho e de Neymar provavelmente não teria gostado de Garrincha

Quando voltou ao Santos, em 2010, Robinho, como todos sabem, estreou fazendo, de letra, o gol da vitória diante do São Paulo. Na saída, um repórter ouvia pequenos fãs que esperavam pelo autógrafo do ídolo. Entre os meninos, havia um com a camisa do São Paulo. O repórter lhe perguntou: “Mas você não é são-paulino? Por que quer o autógrafo do Robinho?”. Ao que o garoto, demonstrando uma espontaneidade e uma sabedoria que geralmente escapam das mesas redondas das tevês, respondeu, com um sorriso: “Ué, Robinho é Robinho, né?”.

É difícil encontrar essa mesma sensibilidade em um jornalista, mas há muito tempo conversei com um que a tinha. Não me lembro exatamente quem foi, mas me recordo em detalhes a sua expressão sincera e arrebatada ao falar da dificuldade de ser um jogador de futebol: “Pô, os caras analisam como se jogar futebol fosse fácil. Eu acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é ser jogador de futebol. Já pensou entrar naquela estádio lotado, os caras querendo te arrebentar, e você ter de dominar a bola, correr, fazer jogadas, gols… Pô!… (ele sorria, sarcástico, como se interiormente completasse: “Esses caras não sabem de nada!”).

Veja o desafio a que Robinho se impôs: o de ser um artista, um criador de jogadas, um criativo em meio a um bando de burocratas militarizados com a faca dos dentes. Sim, pois hoje o futebol é isso. Trocentos zagueiros, trocentos volantes, todo mundo ajudando na marcação, todos com ordem de matar o contra-ataque adversário, nem que seja na porrada e só um ou outro para fazer o que o torcedor realmente quer, que é o drible, o gol, a irreverência. Robinho, meus amigos, é um sobrevivente.

É importante que haja jornalistas esportivos especializados em números e estatísticas. Também é interessante que existam outros essencialmente críticos, como se estivessem sempre mal-humorados. Das críticas sempre se tira algo proveitoso. Porém, se todos forem assim, as pré-históricas mesas-redondas da tevê virarão uma chatice. Foi o que ocorreu sexta-feira na ESPN.

Não me pergunte o nome do programa. Estava zapeando entre o clássico “O Encouraçado Potemkin”, um documentário sobre Luis Carlos Prestes e o jogo entre Roger Federer e David Ferrer, quando me deparei com o programa comandado pelo José Trajano. Falavam de Robinho. Fiquei pra ver. E percebi o que muitos leitores do blog também perceberam: a má vontade, a indiferença, a quase falta de respeito com um ídolo popular do nosso combalido futebol.

Clubismo? Falta de respeito com um ídolo do Santos? Não chegarei a tal ponto. Mas posso afirmar que se meus colegas de ESPN julgassem todos os jogadores brasileiros com a mesma severidade com que julgaram Robinho, sobraria muito pouca gente para contar a história.

Um jogador que está há nove anos na Europa – jogou três anos no Real Madrid, dois no Manchester City e está desde 2010 no Milan – e recebe um salário equivalente a um milhão de reais por mês, está muito longe de ser um fracassado. Não foi o número um do mundo, como queria, e como todos nós queríamos, mas daí a dizer que passou em branco pelo continente que tem os mais poderosos clubes do planeta, vai uma grande diferença.

Se usarmos o mesmo rigor para analisar a passagem de outros brasileiros pela Europa, como faríamos para definir o estágio de Sócrates, que jogou apenas um ano pela Fiorentina, em 1984/85 e em 25 jogos dez apenas seis gols (um a menos do que marcou pelo Santos em 1988/89)? Ou Junior, que entre 1984 e 1989 defendeu os pequenos Torino e Pescara e voltou para o Flamengo sem nenhum título, nem mesmo em torneios regionais? Ou Roberto Dinamite, que ficou apenas uma temporada no Barcelona (1979/78), fez 8 gols em 17 jogos e voltou correndo para o seu Vasco? Ou mesmo Zico, que defendeu apenas o humilde Udinese por dois anos e, por não receber proposta de nenhum grande europeu, voltou para o seu eterno Flamengo?

Está certo que nos quatro anos em que defendeu o Santos, Robinho fez mais gols (94) do que nos nove de Europa (81), mas mesmo assim seu desempenho no futebol europeu não pode ser desprezado. Foi seis vezes campeão, três pelo Real Madrid e três pelo Milan.

Sem contar sua participação na Seleção Brasileira, pela qual fez 102 jogos (8 pela Sub-23) e marcou 32 gols (3 pela Sub-23). Em 2007 foi artilheiro (6 gols) e considerado o melhor jogador da Copa América, vencida pelo Brasil. Também foi bicampeão da Copa das Confederações, em 2005 e 2009.

E Robinho é o tipo de jogador que não pode ser analisado apenas pelo currículo. Ele pertence a uma classe especial e em extinção, que é aquela que reúne os artistas, os palhaços, aqueles que fazem rir com arte. Ele, como Neymar, é da mesma estirpe de Garrincha, capaz de alegrar o povo sem fazer gol. É isso o que faz tão querido pelo torcedor comum, mesmo pelo adversário.

E veja que, ao contrário de Garrincha, Robinho levou o seu time, o Santos, a dois títulos brasileiros e a uma final da Libertadores, enquanto o título mais importante que o grande Mané ganhou com o seu Botafogo foram três estaduais. Por aí se vê que os números, o currículo, nem sempre definem a relevância da carreira de um jogador.

Na verdade, todos esses jogadores que citei foram grandes, enormes mesmo, para o futebol brasileiro, e é isso que mais deveria interessar aos jornalistas esportivos nesse momento de penúria, e não o desempenho que tiveram na Europa. Quem está com o pires na mão, quem não tem ídolos e nem jogadores carismáticos, quem vê seus times mais populares caindo pela tabela, o público se afastando dos estádios e da tevê, é o pobre futebol que já se considerou o melhor do mundo.

A volta de Robinho ao Brasil deveria ser saudada ao menos como um sinal de esperança, pois, ao contrário de outros que, como o salmão, sobem o rio e voltam às origens para terminar sua história, Robinho ainda tem físico e habilidade para mostrar um futebol que não se vê mais por aqui. E se Alex, aos 36 anos, pode ser uma das últimas reservas de categoria e inteligência que ainda se vê em nossos campos, Robinho ainda tem alguns anos de boa lenha para queimar.

Será que o Robinho está em forma?

E pra você, como a imprensa tem tratado a volta de Robinho?

Causos da bola: presente inesquecível de um ídolo

Leia o post original por Neto

Sócrates e suas chuteiras mágicas

Sócrates e suas chuteiras mágicas

Quando era garoto em Santo Antônio de Posse fui o único dos cinco filhos do meu pai são-paulino a se identificar com o Corinthians. Paixão talvez herdada da minha mãe. Lembro perfeitamente de torcer pelo clube na final do Paulistão de 77 ao lado do radinho de pilha da Dona Chimbica. Mas quando comecei a jogar admirava aquela geração da ‘Democracia Corintiana’. Eu que sempre fui meio folgado e de personalidade forte, achava demais aqueles gestos de rebeldia da turma do Sócrates, Casagrande, Wladimir e companhia.

Ainda menino no Guarani minha primeira chuteira foi dada pelo meu pai, que sofreu para comprar com o soldo miserável de policial militar. Mas meu sonho mesmo era aquela Topper bonita que via o Doutor em campo. Aquilo sim era chuteira! Parecia que o toque saia mais redondo. Sei lá, era uma visão mágica. Na base do Bugre adorava quando tinha jogo contra o Corinthians. Ficava nas arquibancadas reparando nos detalhes. Isso quando não pedia e conseguia ser gandula. Aí era uma festa! Só eu queria entregar a bola para o Sócrates. E sempre secando a chuteira.

Alguns anos depois, quando já fazia sucesso no Corinthians, contei essa história em uma rede de televisão. Pra minha surpresa, em uma participação com o próprio Sócrates no programa ‘Cartão Verde’ da TV Cultura, ele me deu o par de chuteiras. Aquele mesmo que sonhei por 20 anos. Foi uma surpresa maravilhosa que vou guardar para sempre.

Deus levou o Doutor Sócrates no final de 2011, mas ele estará guardado para sempre nos corações corintianos. Especialmente o meu.

Sócrates, 60 anos!!! Hoje, o “Pai do Bom Senso” completaria seis décadas de vida!!! Relembre a trajetória do grande ídolo corintiano e ouça a bela entrevista de Sócrates Júnior, que revela o legado de seu pai!!!

Leia o post original por Milton Neves

blog_socrates

Neste 19 de fevereiro de 2014, o saudoso Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o nosso Dr. Sócrates, completaria 60 anos.

O craque ex-Corinthians, Flamengo, Santos, Fiorentina, Botafogo-SP e Seleção Brasileira morreu em 4 de dezembro de 2011, no mesmo dia que o Timão sagrou-se pentacampeão nacional.

Uma data eternizada pela tristeza de um ídolo que se foi, com importante conquista alvinegra.

E não se fazem mais jogadores como Sócrates.

Completo dentro e fora de campo, é o verdadeiro pai do “Bom Senso FC”, muito antes da ótima ideia do beque Paulo André sair do papel.

Aliás, assim como o ex-zagueiro do Timão que “fugiu” para a China, o eterno camisa 8 também mudou-se do Brasil por não concordar com os rumos que o país tomava.

Sócrates foi importante na política, na literatura, no cinema, no jornalismo e, claro, no futebol.

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Seu legado segue vivo, como conta Sócrates Júnior, quinto filho do craque, em entrevista ao Domingo Esportivo da Rádio Bandeirantes, confira:

 

O que o Dr. Sócrates acharia do Bom Senso FC?

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