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Trabalho e Garra

Leia o post original por Odir Cunha


Este blog é de santistas, mas exemplos de garra a gente admira.

Em primeiro lugar, quero agradecer, mais do que isso, reverenciar, os comentaristas que mantiveram este blog pulsante durante as minhas férias. Acho que esse deve ser mais um recorde santista, pois um blog não receber nenhum post novo por três semanas consecutivas e alcançar, nesse período, a média de 400 comentários diários, é algo histórico. Isso prova que o blogueiro se tornou supérfluo e, como eu já disse, o melhor deste blog são os comentários. Fico muito feliz com isso, pois é mais uma evidência de que este espaço pode continuar vivo e influente sem mim.

Dessa forma, sem querer interromper os temas sempre atuais e interessantes que brotam espontaneamente entre os frequentadores deste espaço, e que certamente seguirão o seu curso, independentemente do assunto do post, volto ao trabalho incorporado pelo objetivo tão desafiador quanto fascinante do título brasileiro, e sobreponho duas imagens para ilustrar meu pensamento.

A primeira, teórica, vem das pesquisas e do texto da norte-americana Angela Duckworth no livro “Garra, o poder da paixão e da perseverança”. A segunda, prática, veio ontem à noite, da Argentina, onde a valente Chapecoense arrancou um empate com o San Lorenzo del Almagro e deu um passo importante para disputar a sua primeira final de uma competição internacional.

O livro de Duckworth nos dá a certeza de que mais do que enfatizar o talento de um jogador, as pessoas que o cercam deveriam ressaltar a necessidade do seu trabalho constante para atingir as metas que o tornarão um nelhor profissional. Em vez de se basear em uma ou outra jogada de habilidade que se espalhará pelo mundo pelo Youtube, o ideal é construir um estilo sólido, aplicado, capaz de manter um bom rendimento em qualquer circunstância.

Atrás de um Pelé, um Messi, um Cristiano Ronaldo e mesmo de um Neymar há muito trabalho físico e técnico, há muita tentativa e erro, há muito empenho. Pelé continuava treinando faltas quando todos já tinham ido embora e o zelador não via a hora de apagar os refletores da Vila Belmiro e ir para casa. A mesma história de muito treino de repetição se verá na vida dosa grandes craques. Nenhum jogador melhora o índice de acerto de chutes e cruzamentos sem os treinarem à exaustão.

Corro o risco de dizer que há mais jogadores famosos pelo trabalho, pela garra de vislumbrar um objetivo lá na frente e fazer o possível para alcançá-lo, do que pelo talento puro e simples. Talento não é nada sem garra.

Quando vi o Chapecoense brigando pela bola, no alto ou na grama, e, ao obtê-la, tocá-la com cuidado e precisão para mantê-la em seu poder e criar condições que lhe dariam o empate, como deram, alegrei-me com a disposição e a hombridade do time de Santa Catarina, capaz de demonstrar qualidades que muitas vezes faltaram ao nosso querido Santos, ainda mais em jogos fora de casa.

Escrevi “faltaram”, no passado, porque algo me diz que não faltarão até o final do Campeonato Brasileiro. Analiso novamente os cinco jogos que restam ao Santos e só vejo motivos para confiança e fé. Vejamos os obstáculos a superar:

Ponte Preta, sábado, dia 5, às 21 horas, em Campinas – Jogo tradicionalmente difícil, diante de um adversário valente e ofensivo, que joga e deixa jogar. Caso iguale na luta, o Santos tem tudo para vencer.

Vitória, quarta-feira, dia 17, às 19h30, na Vila Belmiro – Um time que luta para fugir do rebaixamento torna-se ousado e perigoso, mas o Santos não pode nem pensar em outro resultado que não a vitória.

Cruzeiro, domingo, dia 20, no Mineirão – Respeitável, como sempre, mas sem poder ofensivo e um tanto desentrosado, o time mineiro perdeu, em casa, para o Grêmio, por que não pode perder para o Santos?

Flamengo, domingo, dia 17, no Maracanã – Um dos clubes que mais investiu em contratações, este Flamengo lembra aquele que contratou Sávio, Romário e Edmundo para formar o melhor ataque do mundo. Mas aquele, como este, podem ser batidos por um time mais organizado e focado, como esperamos que o Santos seja nessa partida.

América Mineiro, domingo, 4 de dezembro, na Vila Belmiro – Pode se tornar um jogo nervoso, caso o Santos dependa da vitória para se tornar campeão brasileiro, porém o América, já rebaixado, provavelmente só será motivado por prêmio$ oferecidos pelos rivais. Dessa vez não há como não esperar pela vitória do Santos.

Otimismo exagerado? Creio que não. Se lembrarmos que na reta final para o título de 2002 os Meninos da Vila bateram São Paulo e Corinthians, à época com equipes bem mais poderosas do que as atuais, nos jogos de ida e volta, por que não acreditar que com trabalho, determinação e garra o Santos possa repetir aquele doce e inesquecível milagre?

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odir octa

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E você, o que acha disso?


De tanto repetir, afirmações falsas viram “verdadeiras”

Leia o post original por Mion

A realidade com ou sem dor

A realidade com ou sem dor

Discurso decorado citado exaustivamente na mídia brasileira:

“Times brasileiros são muito melhores tecnicamente em comparação aos seus adversários na Libertadores”.

“Fora os poderosos europeus, outras equipes seriam saco de pancada no Brasileirão”.

Tudo papo furado. A qualidade técnica do futebol brasileiro chegou ao fundo do poço. Primeiro, talento escasso, na sequência a parte técnica colocada em segundo plano para intensificar velocidade e força. Pra quem pensa que trata-se de opinião, últimos fatos comprovam que não: após 23 anos nenhum clube brasileiro chegou à semifinal da Libertadores. Por outro lado, alguns podem afirmar, Brasil ganhou as quatro últimas edições do torneio. Não desfazendo das conquistas, todas foram sofridas e muito mais por trabalhos sérios, melhor estrutura de nossos clubes e mais por times competentes do que superiores tecnicamente, exceção do Santos de 2011 que tinha dois craques. Neymar e Paulo Henrique Ganso quebraram na época a ausência de jogadores talentosos nas conquistas brasileiras.

O Corinthians faturou Libertadores e o Mundial de Clubes, muito mais por causa do trabalho de Tite, o mesmo ocorreu com Celso Roth em 2010 no Inter tendo como destaque principal D’Alessandro, um argentino. O gol do Mundial do Timão não foi diferente: peruano Guerrero decidiu. O Galo deve grande parte não a Ronaldinho Gaúcho, craque em clara decadência, mas sim a Victor. Ou seja, um goleiro decidiu a parada. Só lembrando, este time do Galo é composto em sua grande maioria por jogadores rejeitados e desgastados no mercado brasileiro.

Na realidade o processo de sucateamento técnico do nosso futebol acontece nos últimos 20 anos. Por ter mais recursos financeiros e contar com força política, Brasil conseguiu se segurar no topo, mas nunca com sobras como a maioria da mídia insiste em dar ênfase.

O mesmo ocorre com relação aos times europeus. Este conceito de os times intermediários do Velho Mundo não teriam qualidade para disputar Brasileirão é pura enganação. Quem assiste os jogos do futebol espanhol sabe muito bem de que pelo menos cinco clubes de lá se sairiam muito bem, não são inferiores de Chapecoense, Sport, Palmeiras, Figueirense, Coritiba, Criciúma, Botafogo, Flamengo entre outros. Em condições normais o quarto colocado do espanhol brigaria com certeza entre os 10 da Série A com reais condições de ficar entre os 5 melhores.

A maior prova concreta é a seleção brasileira. Se compararmos as escalações de Bayern de Munich e Real Madri com a da seleção que disputou a Copa, haveria equilíbrio muito grande. Caso se enfrentassem seria uma partida equilibrada, qualquer um poderia ganhar. Até entendo o desespero de procurar manter por cima o futebol brasileiro, mas enquanto o torcedor for enganado e a mídia se acomodar com a falta de qualidade, o futebol brasileiro jamais conseguirá recuperar pelo menos parte do talento que já teve.

 

Seleção Brasileira sempre perde, nunca adversário ganha

Leia o post original por Mion

A realidade com ou sem dor

A realidade com ou sem dor

Terminada partida entre Brasil e Holanda na Copa 2010, após ouvir algumas entrevistas de jogadores do Brasil, um jornalista holandês em conversa com outro brasileiro disse: “Interessante, nunca o adversário ganha, sempre a seleção de vocês perde”. Desculpe não lembrar do nome do profissional brasileiro, acho que trabalha na SporTV. Vale mesmo o testemunho e a constatação da veracidade da afirmação. As décadas passaram e o Brasil continua fantasiando estado atual de seu futebol, não muda discurso que parece decorado. Muitos ainda acreditam piamente naquela história de ser país do futebol e só o Brasil produzir craques. Estrangeiro, sempre é excelente, Zidane quebrou  parcialmente esta resistência, recebeu a consideração de craque, só porque ganhou uma Copa em cima do Brasil. Mesmo assim ainda tem gente com coragem de considerar Ronaldo mais fenomenal que o francês. Desrespeito ao talento!

Nem os resultados adversos remetem o brasileiro ao mundo real. Nem mesmo o péssimo futebol que vemos pela TV todos os dias. Me dá desanimo lembrar que nas décadas de 70 e 80 tínhamos poucos jogos transmitidos, perdemos grandes oportunidades de vermos mais vezes craques inesquecíveis. Não é saudosismo, garanto que os jovens de hoje se vissem aqueles jogos concordariam. Nos resta tentar reverter a situação, entretanto para isso o futebol brasileiro como um todo, e aí incluo desde a mídia até aqueles que trabalham nas bases dos clubes que formam jogadores, devem rever seus conceitos e tomar novas atitudes.
 E como já escrevi em outras oportunidades: NÃO ADIANTA GANHAR A COPA, NÃO MUDO UMA LINHA DO QUE PENSO E ESCREVO AGORA. E digo a razão: A Copa tem muitas injunções, políticas, financeiras etc… E não me venham com o papo de teoria da conspiração. FIFA, CBF e outras Federações mundiais estão chafurdando em denúncias de corrupção: suborno disto, suborno daquilo. Por que só a Copa não pode ser negociada?  É interessante para o business, incluo parte da mídia, precisa de torcedores iludidos do mundo inteiro que consumam e sustentem estas gangues.
Para encerrar, encaro com felicidade a supremacia do futebol espanhol, confesso ser torcedor ferrenho porque jogam um futebol de alta qualidade, dá gosto de assistir. O Barcelona incomodou tanto alguns brasileiros nos últimos anos, despertou inveja e mexeu profundamente com a vaidade, ao ponto de desprezarem o estupendo  talento do futebol catalão. A queda do Barça, normal após mais de 5 anos de supremacia,  serviu de alívio para os recalcados. Só que Real Madri e Atlético deram resposta imediata em nome do futebol espanhol, decidem a Champions League, reafirmam o país como representante legal do que há de melhor do futebol mundial. A Espanha ganhando ou não a Copa do Mundo, também não mudará em nada, é o país do futebol, porque lá se joga futebol de melhor qualidade aliado a resultados. Sem aquele papo “engana bobo” de que para vencer não interessa ter talento, é ganhar.. . por ganhar. Só para ser o melhor!

Uma pena, Ganso e Pato poderiam fazer toda a diferença

Leia o post original por Mion

E pensar que há três anos os dois eram nomes certos para esta Copa. Brasil perdeu talento e técnica.

E pensar que há três anos os dois eram nomes certos para esta Copa. Brasil perdeu talento e técnica.

Futebol não é simples e muito menos exato. Falar em hipóteses, suposições, o tal do “Se” então, fora de questão. Entretanto convenhamos, Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato poderiam significar fator diferencial na Copa do Mundo. Os dois rendendo aquilo do que são capazes transformariam a seleção brasileira num time poderoso e mais perto daquilo que sonhamos em termos de qualidade.

A meia-cancha peca por faltar talento e o ataque necessita de alguém que acompanhe pelo menos próximo a genialidade de Neymar. Fred é goleador, mas está longe de ser diferenciado. Pato tem inteligência, técnica, força e velocidade para completar o maior craque do Brasil. Pato e Ganso seriam as cerejas que faltam ao bolo.
Felipão poderia tranquilamente jogar com três volantes como deseja, ninguém reclamaria, porque daria liberdade para Ganso criar e enfiar aquelas bolas maravilhosas. Na frente Neymar e Pato não teriam  posições fixas deixariam a defensiva contrária completamente perdida. Quando necessitasse de mais ofensividade poderia retirar um volante e colocar Hulk ou outro atacante. Também um quadrado na meia-cancha com dois volantes, Oscar pela direita e Ganso na esquerda. Enfim o Brasil estaria recheado de opções e o mais importante com talento e técnica de sobra para encantar e ganhar o hexa. Seria uma conquista digna do futebol brasileiro. O brasileiro poderia dizer orgulhoso: sou Hexa…. de boca cheia

Raposa a galope passa por cima das “galinhas mortas”

Leia o post original por Mion

Marcelo montou um Cruzeiro vencedor em poucos meses. Dagoberto desacreditado no Inter mostra que ainda é  diferenciado.

Marcelo montou um Cruzeiro vencedor em poucos meses. Dagoberto desacreditado no Inter mostra que ainda é diferenciado.

       O Cruzeiro arrebenta no Brasileirão porque é um timaço ou os adversários não têm qualidade? Este é o tema atual de muitos programas e artigos da imprensa nacional. Uns defendem a primeira hipótese, outros a segunda. Em minha opinião prevalecem as duas opções: o Cruzeiro tem um belo time e realmente os adversários estão bem abaixo do representante mineiro. Por isso mesmo a Raposa já está 11 pontos à frente do vice Grêmio, a tendência segue no sentido de aumentar ainda mais nas próximas rodadas.

Se analisarmos criteriosamente a campanha do líder, observamos certas características que contrariam o normal. Começa por seu técnico: Marcelo Oliveira assumiu em janeiro o comando de um time desmontado que em 2012 lutou barbaridade para terminar em 9º lugar na Série A. No decorrer do certame Mineiro a diretoria contratou reforços e Marcelo conseguiu em pouco mais de três meses dar padrão de jogo e em seis tornar o grupo entrosado e vencedor. Fato que merece registro, poucos atingem esta excelência em tão pouco tempo.

Outro fator a ser analisado, assim como Atlético Mineiro o elenco conta com jogadores desprezados em outros mercados e até ironizados. Como exemplo Nilton e Egídio, quando saíram de Vasco e Flamengo respectivamente, não deixaram nenhuma saudade, ao contrário as duas torcidas cansaram de vaia-los. O mesmo aconteceu com Dagoberto no Inter, sem esquecer de Ceará e Borges considerados em final de carreira. Todos eles estão próximos de conquistar o Brasileirão. Quem diria?

Não há como negar a fragilidade técnica e tática dos demais adversários mais próximos, entretanto contestar a competência e qualidade do time que conquista em 25 rodadas, 17 vitórias, somente 3 derrotas, marca 55 gols (média superior a 2 gols por jogo) e sofre apenas 20, é má vontade ou pura inveja de torcedor adversário.

Carência de talentos no Brasil forja “joias falsas”

Leia o post original por Mion

Vitinho ainda "engatinha" no futebol e já querem transformá-lo em craque.

Vitinho ainda “engatinha” no futebol e já querem transformá-lo em craque.

     Nem bem “largou das fraldas” no futebol e Vitinho é chamado de joia, craque e alguns mais empolgados chegam a traçar paralelos com Neymar. Em poucos meses o atacante do Botafogo recebe status de estrela. Infelizmente com a saída de Neymar para o Barcelona o futebol brasileiro ficou órfão de seu único jovem craque. O desespero tomou conta da mídia porque não tem mais assunto. Falar dos veteranos não projeta nada em termos de futuro. Criar expectativa exagerada em cima de Vitinho pode atrapalhar o desenvolvimento desse que por enquanto é uma promessa. Já vimos tanta gente jovem ser engolida pelo início promissor e depois não vingou. Vitinho não conquistou nada até agora, apenas alguns e jogos diferenciados.

Outro dia fiquei assustado ao assistir um jogo do Ceará e ver Lulinha na reserva. Há poucos anos atrás surgia no Corinthians como craque, badalado. Em pouco tempo caiu no ostracismo e hoje com apenas 23 anos não consegue se firmar no fraco time do representante cearense. Vitinho tem velocidade, dribla bem e faro de gol. Estas virtudes não o tornam craque. Enquanto alguns fazem comparativos com Neymar – verdadeiro absurdo não tem talento e muito menos genialidade do ex-santista – acredito que está mais para Lucas ex-São Paulo, outro também considerado prematuramente craque. Na Europa e seleção brasileira a realidade apareceu. Lucas continua sendo candidato a excelente jogador, jamais craque ou joia. Lembro que no Botafogo também surgiu Jobson, um atacante acima de média, no final a vida extra-campo acabou com o seu futuro, apesar de qualidades inquestionáveis. Até entendo a ansiedade de se encontrar um substituto para Neymar como ídolo, mas isto não pode cegar as pessoas a ponto de enxergar craque onde na verdade por enquanto existe apenas gente acima da média brasileira, que aliás, não serve de empolgação porque a nova geração tem revelado uma série de jogadores medianos.

Tá duro de assistir jogos do Brasileirão. Tanta gente ruim!

Leia o post original por Mion

Tarefa difícil acompanhar a Série A. O futebolzinho de baixa qualidade técnica, irrita e cansa os torcedores mais pacientes. Se em anos passados havia equilíbrio por cima, agora desmoronou, a luta ocorre entre os “menos ruins”. Alguns clubes lançam gente nova, a esmagadora maioria composta por jogadores medianos. A falta de dinheiro obriga colocar uma meninada na “vitrine” para ver se consegue alguns milhões de euros na próxima janela. Alguns clubes estão “vendendo o almoço para poder comprar o jantar”.

O futebol brasileiro adquiriu o vício de justificar a fragilidade dos espetáculos. Até abril vem aquele papo de início de temporada, este ano então piorou, a Copa das Confederações coube como uma luva para mais desculpas esfarrapadas. Depois de setembro já falam em cansaço e final de temporada.

Fluminense e São Paulo apostaram em técnicos inquestionáveis, entretanto os elencos deficientes colocam os dois em situação difícil. Não adianta pagar fortunas aos técnicos se o grupo de jogadores não tem talento para dar a resposta esperada, são incapazes em executar aquilo que o treinador deseja.

Discordo daqueles que anunciam com euforia equilíbrio dom campeonato. Falam em sete candidatos ao título. Desculpem, mas até agora poucos jogos justificaram esta euforia. Caminhando para o final do turno realmente temos sete ou oito clubes em condições de título, só não falam que isso ocorre por faltar times de alta qualidade. Vence quem tem mais disposição e vontade de chegar ao topo.

Alemães deflagram a 3ª guerra mundial… no futebol

Leia o post original por Mion

 

Com apenas 24 anos, Özil é o maior talento do futebol alemão e joga no Real Madri.

Com apenas 24 anos, Özil é o maior talento do futebol alemão e joga no Real Madri.

      Depois da supremacia brasileira, veio a espanhola, agora os alemães querem a condição de donos do mundo da bola. E a guerra já começou. Quando o ex-lateral da seleção alemã campeã do mundo de 1974 e do Bayern de Munich visitou o Brasil na semana passada e participou de diversas entrevistas onde afirmou que a Alemanha acordou, evoluiu nos últimos 6 anos porque percebeu que estava ultrapassada e avisou: o Brasil está estacionado há 20 anos. Muita gente o considerou arrogante e agressivo. Escrevi um comentário reconhecendo o mérito de Breitner por ser íntegro e falar a verdade. Não concedeu entrevistas para falar as mesmas baboseiras de sempre: o jogador brasileiro é diferenciado, o melhor do mundo. Pura mentira nos últimos 15 anos.

As goleadas de Bayern e Borussia Dortmund sobre os poderosos Barcelona e Real Madri comprovam que ele estava falando a verdade e usou de toda sinceridade possível. Apenas quis alertar os brasileiros. Breitner não teve o menor constrangimento em dizer que o espelho foi o futebol espanhol, mais especificamente o Barcelona que deflagrou a conscientização da necessidade de reformular e evoluir. Breitner foi taxativo: somando as nossas virtudes com as dos espanhóis seremos os melhores do futebol mundial.

A Alemanha aproveitou os pontos fortes de seu poderoso futebol: jogadores altos, fortes, velozes, disciplinados taticamente e competitivos. Reconheceram os seus pontos fracos (chutões para o ataque além de viverem apenas de jogadas aéreas) adicionaram qualidade técnica, toque de bola e talento dos espanhóis.

Nos últimos seis anos trabalharam a base e revelaram jogadores diferenciados, quase craques, Özil ( joga no Real), Bastian Schweinsteiger, Thomas Mueller, Toni Kroos, Poldoski, Mario Gomes entre outros.

Contrataram feras da bola entre elas o holandês Robben, francês Ribery para dar aquele molho necessário, também colaboraram em apurar a técnica e habilidade dos jovens alemães. Os sistemáticos alemães evoluíram e hoje começam a colher os frutos. Não significa que após golearem Barça e Real – dois resultados não podem significar algo definitivo- que já sejam os melhores, mas estão trabalhando com seriedade e talento para conquistar o mundo do futebol.

Afinal, querem arte ou futebol prático?

Leia o post original por Mion

A verdade com ou sem dor

É interessante a postura de boa parte da imprensa. Vive chiando por faltar arte, as jogadas de efeito e quando alguém tenta fazer as tais jogadas descem a lenha. Sinceramente sempre achei uma babaquice esta história de todo jogador brasileiro ser especial, ter malandragem, e outras baboseiras.

De tanto parte da imprensa acreditar nisso, os jogadores assim como os torcedores veem o futebol dessa maneira. Basta vestir a camisa amarelinha, já se exige jogadas de efeito, a tal ginga… esperteza. Tudo “malandro-agulha” como se dizia no passado. Serve apenas para vender a imagem falsa do futebol brasileiro.  O narrador Galvão Bueno paga caro por isso. Ele foi o precursor dessa mística e há mais de 20 anos não muda o discurso. Muitos torcedores já acordaram e enjoaram,  recebe críticas e até campanhas como “Cala boca, Galvão!” Hoje este ufanismo faz mal para o futebol brasileiro e está cada vez pior. Galvão poderia ser precursor de uma nova fase, mais realista, tem capacidade para isso.

Agora que a corda apertou para o Brasil, a mesma imprensa pede seriedade de Neymar, enfim praticidade com bola na rede. Sempre deve ser assim, o lance diferenciado surge naturalmente, a obrigação de fazer algo fora do comum acaba bloqueando a criatividade, porque ela depende exatamente do improviso e da naturalidade.

Guerrero, muito mais do que um “cabecinha de ouro”

Leia o post original por Mion

Guerrero marca contra o São Caetano: estilo, olhos abertos e categoria no cabeceio. (foto - Gazeta esportiva)

Guerrero marca contra o São Caetano: estilo, olhos abertos e categoria no cabeceio. (foto – Gazeta esportiva)

        O centroavante Guerrero chegou ao Corinthians sem muito alarde e reconhecimento de grande parte da imprensa e até torcida. O badaladíssimo  Alexandre Pato recebido como craque. Pouco fez nos últimos dois anos que justificasse tanta animação. O peruano tem muito mais pedigree. No jogo de sábado diante do São Caetano marcou novamente de cabeça. Está recebendo o apelido de “cabecinha de ouro”. É muito pouco para Guerrero.

Em sua carreira passou 4 anos no Bayern de Munich (contratado com apenas 18 anos junto ao Alianza Lima), ninguém fica tanto tempo num dos três maiores clubes do futebol europeu se não for talentoso e bem acima da média, ainda mais centroavante. Em 93 jogos no Bayern marcou 55 gols (média 0.59). Também defendeu por 4 anos o conceituado Hamburgo. No Corinthians já jogou 20 e fez 11 (0,55), na limitada seleção peruana, 41 e 19 gols (0,46).

Guerrero tem técnica, confunde a defesa, se movimenta, auxilia na marcação dos zagueiros e faz gols de todas as maneiras. Tem categoria, não é um simples matador. Só veio para o Brasil porque deseja estar mais próximo do Peru e pensa em Copa do Mundo (Isso se o Peru conseguir vaga. É difícil, atualmente vice-lanterna, mas a disputa está na metade e a 4 pontos do Uruguai em quinto lugar. Então não é impossível). Por isso a imprensa precisa ter mais atenção e dar o devido valor ao peruano, ao invés de direcionar toda a badalação para Pato e ainda supervalorizar Emerson.

Quando o Corinthians foi campeão Mundial, Guerrero fugiu dos holofotes preferiu seguir para a Alemanha resolver assuntos particulares, enquanto o Sheik aproveitou a brecha e ao chegar do Brasil ofuscou até o goleiro Cássio o maior responsável pelo título Mundial, seguido por Guerrero. Deu um banho de marketing pessoal.

No final de todo este “oba oba” Guerrero será sempre o titular e comprovará que é o melhor. Só espero que não ocorra com ele o que houve com Martínez, hoje um dos principais jogadores do Boca Juniors da Argentina, tudo porque Emerson precisa jogar, não aceita a reserva. Pato será escalado porque é uma “mercadoria cara” e tem marketing fortíssimo. O normal será Guerrero e Pato na frente, Emerson no banco. Estou pagando pra ver se o Sheik não vai dar um jeito de destruir e reverter o óbvio. Tomara que eu esteja errado! A Fiel que caia na real e proteja o que é melhor para o Timão continuar dominando o futebol brasileiro.