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Dia de Finados no Futebol

Leia o post original por Antero Greco

A folhinha tradicional assinala 2 de Novembro como Dia de Finados. Pelo menos em grande parte do Ocidente, essa é data para reverenciar a memória dos que partiram, mandar orações para as almas (paras os que creem) ou para relembrar bons momentos passados.

No meu calendário emocional, o Dia dos Mortos é 5 de julho. Começou numa noite de verão europeu, em 1982, e religiosamente me vem em mente, ano após ano. Naquela jornada fatídica, o Futebol belo, poético, encantador morreu – e o falecimento foi anunciado no placar do Estádio Sarriá, em Barcelona, que apontava 3 para a Itália, 2 para o Brasil.

Naquele campo, que também não existe mais, se decretava o fim de uma era, a da escola brasileira baseada na arte de jogar bola como ninguém. Sei que soa chavão, mas é assim mesmo: o implacável Paolo Rossi, com uma tripleta, enterrava uma ideia de encarar o esporte mais popular do mundo como expressão de alegria, criatividade, molecagem.

Para ser mais injusto ainda, a seleção de Telê Santana não era um amontoado de irresponsáveis, nem bando a jogar de qualquer forma, tampouco um catadão de fim de semana. Ao contrário, era uma orquestra formada por virtuoses, com mestres no manejo da pelota. Até Valdir Peres e Serginho, os menos badalados daquele grupo, eram bons pra caramba. Nos padrões do futebol de hoje, sobrariam em suas equipes.

No entanto, a queda para a Squadra Azzurra derrubou aquele conceito. Dali em diante, espalhou-se entre nós o conceito estúpido de “que não adianta jogar bonito e não vencer”. Depois daquele desastre, até ganhamos mais dois títulos, com bons times, mas sem o fascínio da turma de 1982…

E aquele tropeço parecia improvável de ocorrer. Depois de início vacilante contra a União Soviética (2 a 1, de virada), vieram 4 a 1 na Escócia e 4 a 0 na Nova Zelândia. Primeiro lugar na chave F e passagem para a próxima fase, com Argentina (então campeã mundial) e Itália (bicampeã). As duas rivais haviam pisado na bola e terminaram os grupos em segundo.

A Itália bateu os argentinos por 2 a 1. Em seguida, Falcão, Sócrates, Zico & Cia. lascaram 3 a 1 nos hermanos, com direito a show de bola e vermelho para Maradona. O Brasil ia para o duelo com os italianos precisando só de empate. Ninguém duvidava do sucesso, até Enzo Bearzot, treinador da Azzurra, a quem havia entrevistado dias antes daqueles jogos. “Vamos enfrentar os atuais campeões do mundo e os próximos campeões…”

Lembro que saí do hotel com uma camisa polo azul escura, parecida com a camisa da Itália, só para tirar onda de meus colegas de cobertura pelo “Estadão”. Ainda brinquei com um deles ao afirmar. “Já estou vestido para curtir a vitória dos meus patrícios”, em clara referência à origem dos meus pais. Eu que sou brasileiro do Bom Retiro, graças a Deus…

Assim que cheguei ao estádio, encontrei vários jornalistas italianos, com os quais fiz amizade durante a Copa, porque eu havia sido designado para cobrir a Itália. Um deles me chamou e disse: “Greco, o Brasil precisa ganhar. Pelo bem do futebol.” O sujeito era um visionário…

Eu e meus colegas brasileiros nos ajeitamos na tribuna de imprensa, tiramos fotos, curtimos a festa das torcidas e nos preparamos para grandes reportagens. A bola rolou e com 5 minutos Paolo Rossi fez 1 a 0. Justo ele que vinha de suspensão de dois anos e meio e não havia visto a cor da bola nos jogos anteriores. O doutor Sócrates empatou aos 12, para alívio geral.

Jogo equilibrado, os italianos bem distribuídos em campo, até que uma bola mal tocada por Cerezo sobra para Rossi fazer o segundo aos 25 minutos. Ficou tenso dali em diante, e assim foi até os 23 da etapa final, com o novo empate, desta vez com Falcão. Foi das raras ocasiões em que extravasei durante o trabalho: dei um murro na mesa, gritei e vibrei, junto com milhões de brasileiros. Era a vaga para a semifinal!

Mas Rossi acabou com tudo aos 29, com o terceiro gol. Dali em diante foi uma agonia: o Brasil avançava, a Itália se fechava, ia em contragolpe e ainda marcou o quarto, mal anulado pelo árbitro. A última esperança veio na cabeçada de Oscar já aos 46… Zoff caiu no canto esquerdo, pegou a bola com uma mão. Uma foto do fotógrafo Arnaldo Rizzutti, do Estadão, mostrava que ela estava meio dentro do gol. Por uns gomos, não era o empate.

Ficamos atônitos nas tribunas, assim como a torcida canarinha nas arquibancadas. Meu chefe na época, Luiz Carlos Ramos, olhou pra mim e disse: “Estamos tristes, mas amanhã o jornal sai.” Eu respondi. “Vai à merda, Luiz. Você tem toda razão!” Estávamos lá para contar a história, não para ficarmos tristes.

Fiz as entrevistas, escrevi os textos, com um aperto no coração. Depois de tudo terminado, saímos para jantar, eu, Nelson Cilo e outros colegas. Tomamos vinho, voltamos para o hotel, foi difícil dormir. Alta madrugada, me flagrei com lágrimas, pela seleção, pelo meu trabalho (eu havia ido para a Espanha um mês antes da Copa), pela saudade de meu filho mais velho (tinha apenas quatro meses e há dois eu não o via).

Mas sobretudo pela morte de um tipo de jogo brasileiro que provocava temor e inveja, fora parâmetro e desapareceu. Por isso, desde 1982 em todo 5 de julho dedico alguns minutos para relembrar aquele esquadrão, para agradecer Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Zico, Cerezo, Falcão, Sócrates, Serginho, Éder e mestre Telê Santana por terem permitido que eu sonhasse.

Obrigado, hoje e sempre. Vocês têm lugar de destaque no coração de quem ama o futebol.

Amém.

A grande lição

Leia o post original por Antero Greco

Há 35 anos que a lembrança pontualmente ressurge, no dia 5 de julho. Data especial para quem ama o futebol em geral, o do Brasil em particular. Sim, a folhinha nos recorda da fatídica partida com a Itália, na segunda fase do Mundial da Espanha.

Para quem acompanhou o episódio e para os jovens que só ouviram falar ou assistiram pela tevê, é o momento de recordar dos 3 a 2 que eliminaram a seleção de Telê. Maldito Paolo Rossi! Que de maldito não tinha nada. Apenas fez o que se esperava de um centroavante – gols, três de uma vez.

Para mim, a “Tragédia do Sarriá” como o duelo ficou conhecido – por causa do nome do antigo estádio do Espanyol – tem significado decisivo. Foi um marco profissional e uma lição de vida. Quero dividir a experiência com os amigos, sobretudo com os que são ou sonham em ser jornalistas.

A Copa de 82 foi a primeira das sete que cobri ao vivo – em outras três fiquei na redação. Na época, já não era um iniciante (“foca”, na nossa gíria), tampouco muito rodado. Tinha acompanhado um pouco times brasileiros na Libertadores e contava com o Mundialito do Uruguai (80/81) no currículo. Mesmo assim, a turma do “Estadão” botou fé em mim e decidiu me mandar para aquela grande cobertura.

No entusiasmo de quem tinha 20 e tantos anos, topei a parada. E mais: fui um mês antes do pontapé inicial e voltaria só um mês depois. Quase 90 dias fora de casa – e tinha um filho de apenas três meses. O primeiro ensinamento: aguentar saudade da família. Para piorar, eu fiquei a maior parte do tempo sozinho, pois minha missão era seguir os passos da Itália.

O ambiente entre os italianos era péssimo. Os jogadores não falavam com a imprensa, irritados com críticas que recebiam e até insinuações maldosas. Era um sufoco obter notícia – e não tinha internet, smartphones, tevês a cabos e novidades do gênero. Era máquina de escrever, gravador e telex. Alguém ainda sabe o que seja um telex?

Mesmo assim, deu pra fazer coisa boa, digna da tradição do jornal. Ruim era o futebol da Itália, que passou de fase com empates com Polônia, Peru e Camarões. Por pouco, a equipe africana não tira a “Azzurra” do páreo. A certeza de todos, incluído o técnico Enzo Bearzot, era de que penariam diante de Argentina e Brasil na etapa seguinte.

A Itália saiu do nada, derrubou os argentinos (então campeões do mundo) e atropelaram o Brasil, na última vez em minha carreira em que vibrei e fiquei triste com a “amarelinha”. Para não tomar mais seu tempo precioso, chego ao ponto central desta crônica.

Na tribuna de imprensa do estádio, eu estava sentado entre Nelson Cilo, companheiro de muitas batalhas, grande repórter, e Luiz Carlos Ramos, na época o chefe de Esportes do “Estadão”. Tão logo acabou o jogo, Cilo e eu nos olhamos sem saber como reagir, tal a decepção, a incredulidade diante do que acabáramos de assistir.

Assim que me viro para o Luiz Carlos, que passou o jogo todo batucando na máquina de escrever, ouço o seguinte: “Bem, estamos todos tristes, mas amanhã o jornal sai.” Reagi: “Vai à merda, Luiz! Você tem toda razão.”

Entendi, naquela hora, que minha missão ali era contar a História e não chorar como torcedor. O jornal me mandara para o “front” por avaliar que estava preparado para qualquer situação anormal. E aquela derrota era totalmente fora do comum, um choque.

Só que eu não tinha direito de me abater. Ao menos enquanto estivesse em atividade. Deveria manter equilíbrio e serenidade para relatar para os leitores o que havia acontecido ali, por que, como, e o que aquilo representaria para nosso futebol. As pessoas confiavam que, no jornal do dia seguinte, encontrariam uma luz – e ela viria dos profissionais enviados para tal tarefa.

Levantei-me da tribuna, fui à entrevista de Telê Santana (aplaudido pelos estrangeiros), conversei com jogadores, escrevi meu material e ainda dei uma ajuda pro Cilo, que continuava abalado. Depois, sem pressa, fomos andando até nosso hotel, nos trocamos, saímos para jantar. Tomei uns dois copos de vinho (o que era um despropósito pra mim, abstêmio convicto) e só então me emocionei. Permiti que algumas lágrimas rolassem.

Na volta para o hotel, como estava difícil conciliar o sono, fui conferir a crônica do Luiz Carlos, nosso guia e experiente homem de imprensa. Ela dizia que a “história iria julgar” aquela seleção. E a História a colocou dentre as melhores do futebol.

O Luiz (“Barriguinha” para os amigos e colegas) estava certo em tudo: na previsão e no conselho que me dera ainda no calor da hora. Nunca mais esqueci que jornalista precisa manter o sangue frio enquanto a história passa na frente dele. Deve ter nervos sob controle. Terminada a jornada, então ria, chore, grite, viva como “um ser normal”.

Porque afinal de contas, como diria o sábio, “jornalista também é gente”.

 

Marco Polo continua, isso sim é relevante e revoltante

Leia o post original por Fernando Sampaio

alx_marin-dunga-del-nero_originalIncrível.

Marco Polo é um dos piores cartolas do futebol mundial.

Fez uma péssima administração na FPF.

Foi a pior gestão da arbitragem paulista.

Criou as piores fórmulas do Paulistão, estadual que até hoje muda o formato a cada ano.

Não sai do Brasil com medo de ser preso.

Continua manda chuva na CBF.

Dizem que é laranja do Ricardo Teixeira, sinceramente duvido.

Neste sentido, a discussão sobre a saída do Dunga é irrelevante. Cada um tem sua opinião. Respeito aqueles que defendiam sua demissão, respeito aqueles que viram trabalho de renovação sendo feito… Tanto faz. Saiu Felipão, saiu Mano Menezes, saiu Dunga… Não fique surpreso com a saída de Tite antes da Copa de 2018.

Até aí tudo certo, não existe unanimidade quando o assunto é técnico de futebol.

Muricy já foi “Burricy” no São Paulo, Tite já foi “Empatite” no Corinthians….

Zagallo, Parreira, Felipão… todos os grandes campeões já foram duramente criticados.

Telê Santana era chamado de pé frio antes de ser bicampeão mundial.

Duro mesmo é ver que o Marco Polo continua no comando da CBF.

Isso sim é relevante, isso sim é revoltante.

Buda Mendes/Getty Images

Goleiros da minha vida

Leia o post original por Quartarollo

Goleiros da minha vida

Hoje aqui no Blog vou começar a falar dos goleiros da minha vida. Conheci muitos e ouvi muito sobre os melhores da posição.

Na década de 60 meu pai ouvia os jogos num rádio enorme que ele colocava no quintal para ouvir as emissoras da capital e de outros Estados quando o Palmeiras jogava fora da São Paulo.

Foi assim quem me apaixonei pelo rádio e sem querer talvez tenha começado ali a minha vocação para a comunicação.

Quando o seu “Parmera”, lá em Piracicaba e região é assim que se chamava o Verdão, ia jogar em Minas, Bahia, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, ele já começava no sábado à tarde a buscar a sintonia das rádios dessas capitais para ouvir o jogo no domingo já que as emissoras de São Paulo nem sempre cobriam os jogos fora da capital tendo um grande jogando aqui. Ainda é assim. Coisa de custo mesmo.

E chegava o domingo e lá vinha aquela transmissão cheia de chiados com o grito de gol pelo meio e a grande defesa ou o chute do atacante se perdendo no eco e no vazio das ondas curtas do rádio da época. Seria uma “velha” novidade para os garotos de hoje e tão normais naquele tempo.

Foi assim que me tornei santista e uma das ovelhas negras da família. O outro é meu irmão mais velho, Tony José, o mesmo que por muito tempo trabalhou na Rádio Bandeirantes, aqui em São Paulo, e que não se sabe porque virou corintiano numa época que o Corinthians só sofria e não ganhava nada.

Eu virei santista porque a cada transmissão o que tinha de gol de Pelé, Douglas, Toninho, Edu, Dorval e depois Mané Maria, e muitos outros, era uma coisa marcante.

Se esse é o time que mais ganha é para esse que vou torcer, dizia na minha inocência de criança e acabei me apaixonando pelo time de Vila Belmiro mesmo. O que começou apenas como provocação e brincadeira, virou verdade conforme os anos se passaram.

Foi assim que ouvia defesas fantásticas de Cláudio, no Santos; Valdir, no Palmeiras, Picasso, no São Paulo, e tantos outros.

Cláudio era goleiro de Seleção Brasileira e foi reserva de Félix nas Eliminatórias para Copa de 70. Era baixinho para os padrões atuais, mas tinha tal agilidade que compensava tudo.

Tinha muita sorte também. Jogava atrás de uma zaga que tinha Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo e na cabeça de área o genial Clodoaldo ao lado de Lima, às vezes ao lado de Negreiros. Isso eu me lembro bem.

Nunca vi Cláudio jogar no campo, mas era como se tivesse visto suas grandes defesas graças aos grandes narradores da época. Agradeço a eles pela emoção.

Morreu cedo, aos 38 anos de idade, com uma dor “misteriosa” que nunca se curava, era câncer. Morreu por causa da dor como disse num texto o brilhante Michel Laurence, pai do ótimo repórter da Globo, Bruno Laurence.

Valdir Joaquim  de Moraes nunca vi jogar. Tive e tenho a honra de ser seu amigo dele até hoje.

Também era mais posicionamento e agilidade, não era alto, mas era difícil de ser batido e minava a vontade dos atacantes adversários com grandes defesas.

A sua história é linda. Ao lado de Emerson Leão, Oberdan Catani e Marcos, é um dos maiores de todos os tempos na história do Palmeiras e do futebol brasileiro.

Batia tão bem na bola que parecia atacante numa época que goleiro não usava tantos os pés. Tanto assim que quando inventou a função de treinador de goleiros era um deleite vê-lo treinar os arqueiros. Ele avisava o canto que ia bater e raramente errava.

Na época de Seleção Brasileira e também no São Paulo disputava com Telê Santana quem conseguir colocar mais bolas num grande cesto que ficava ao lado do gramado.

Colocar, entendam bem, com o pé, chutando a bola. Normalmente a disputa se arrastava muito, era difícil alguém errar e os efeitos que davam deixavam embasbacados os jogadores profissionais do tricolor e da Seleção de então. Valdir foi grande demais e uma pessoa extraordinária.

Picasso saiu do Palmeiras justamente por causa dele e foi jogar no Juventus e depois no São Paulo. Grande goleiro, de defesas espetaculares e se consagrou também no Grêmio.

Não vi jogar, só ouvi muito de suas defesas mirabolantes. São goleiros que fazem parte da minha vida. Ainda voltarei ao tema. Farei em capítulos.

Até os dias de hoje vi muita gente boa debaixo do gol, vi a evolução da posição, vi aqueles que fizeram a história e fazem parte da minha história.

Em tempo:

Antes desses citados houve Gylmar dos Santos Neves, aquele que é considerado o maior goleiro da história do futebol brasileiro, segundo Mauro Beting, mas esse eu não vi jogar. Sei dos seus feitos magníficos e tenho que aplaudi-los à distância.

Telê Santana, dez anos de saudade

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Faz dez anos que seu Telê Santana foi embora.

Mas quem conviveu com ele conversa com o Mestre todo dia. Topa com situações passadas a seu lado. Dá risadas ao lembrar de suas piadas. Fica admirado com seus exemplos.

Telê mandava jogadores humildes devolverem os carrões comprados com o dinheiro dos prêmios. Obrigava essa turma a comprar primeiro uma casa para suas famílias invariavelmente pobres.

Telê era exemplo de dedicação, levantava cedinho no Centro de Treinamento do São Paulo e ia catar praguinha no meio do gramado, onde seus meninos iriam treinar dali a pouco.

Telê não fugiu da concentração após a derrota para a Itália, no Sarriá, em 1982. No dia seguinte estava lá esperando firme e forte a chegada dos poucos jornalistas que se arriscaram a tentar entrevistas com os derrotados de Barcelona.

E, como foram poucos os repórteres, acabamos comendo uma bela feijoada com todo o time, que tinha homens como Sócrates e Zico – que também não fugiram às explicações, nem abandonaram a delegação.

Telê Santana sabia ganhar. E sabia perder.

Era leal, mas não protegia ninguém. Não dava notícias exclusivas a repórteres de meios de comunicação influentes. Todos os trabalhadores tinham o mesmo direito às informações.

Telê rompeu barreiras, ensinou futebol e ensinou a vida a muita gente.

Telê Santana, num domingo, logo após abandonar o futebol, foi ver o neto jogar numa equipe mineira. Chegando ao estádio, viu o menino dividir uma bola e cair ao chão. “Fraturou a perna”, disse contrariado e foi caminhando para dentro do campo.

Sem se alterar chegou perto do menino, pôs a mão no ombro dele e disse: “Isso não é nada, logo você volta a jogar”.

Dez anos se foram e Telê continua vivo. Na memória dos que o queriam bem. Nos exemplos que deixou.

Dedé, o sofrimento de um zagueiro

Leia o post original por Antero Greco

Quando Dedé começou a aparecer no Vasco, houve consenso: lá estava o novo zagueiro da seleção. Jogava sério, quando preciso; fazia graça, quando dava.

Era um Luiz Pereira dos tempos modernos, sabia defender, sabia desarmar, sabia atacar e tinha intimidade com a bola.

Mas jogador de futebol também precisa de sorte. E esta tem faltado para Dedé.

O destino é rigoroso. Para quem calça chuteira e põe uniforme de time grande, as contusões e os sustos são uma ameaça constante.

Quem lembra de Carlos Alberto Borges? O moço apareceu no Parque Antártica jogando o fino da bola, muito tempo atrás. Um dia um raio caiu no Centro de Treinamento do Palmeiras durante um coletivo e nunca mais o meia repetiu as grandes jogadas.

Zé Sérgio era um ponta promissor, brilhou na Copa de Ouro no Uruguai, no início dos anos 80, e era nome certo na seleção de Telê Santana que iria à Espanha. O estilo veloz, cheio de dribles, começou a ficar escasso, até que um exame positivo de doping (depois revisto) reduziu o jogo vistoso e encantador a um camisa 11 normal.

A gangorra do gramado fabrica ídolos com a mesma velocidade com que os engole.

E, quando as contusões se tornam rotineiras, o jogador precisa de muita força de vontade para reagir.

O massagista Mário Américo, que participou de inúmeras Copas do Mundo, contava sempre que era uma espécie de psicólogo dos craques campeões. Passava horas a fio fazendo compressas, aplicando toalhas, recuperando Pelé & Cia Ltda. Com isso, virava confidente, psicólogo, amigo e esperança final de jovens que só queriam jogar futebol.

O zagueiro Dedé, agora no Cruzeiro, precisa de gente como o velho Mário Américo a seu lado. Depois de ser submetido a uma cirurgia no joelho direito em 2015, voltou a jogar neste ano. Infelizmente sofreu nova lesão. Na mesma perna. Deve ficar mais dois meses em recuperação.

Na vida como nos campos ninguém sabe o futuro.

E Dedé está aprendendo isso do jeito mais dolorido.

(Com Roberto Salim.)

Nem Marcelo Oliveira aguenta mais Leandro Almeida

Leia o post original por Quartarollo

Ontem Leandro Almeida não devia ter saído de casa. Só faltou ser expulso, no Pacaembu, no empate de 2 x 2 com o São Bento, de Sorocaba.

Fez lambança, errou feio, foi vaiado e até o técnico Marcelo Oliveira já avisou que perdeu a condição de titular do Palmeiras.

A verdade é que Leandro Almeida é paixão de treinador. Quem o trouxe foi o próprio Marcelo Oliveira que entregou suas falhas na coletiva pós jogo.

Custou caro, ganha um ótimo salário e hoje não pode sair às ruas que será apupado pela torcida esmeraldina.

A culpa não é dele, é de quem o contratou a peso de ouro. Desde os primeiros jogos deu para notar que não era um grande zagueiro.

Estava no Coritiba que vive brigando para não cair no Campeonato Brasileiro.

É cria do Atlético Mineiro e por isso conhecido do treinador que também, se não estou equivocado, o dirigiu no clube do Paraná.

Isso acontece quase que sempre. As paixão dos técnicos por alguns jogadores discutíveis não é anormal.

Telê Santana, um dos maiores da história, treinou para a Copa da Espanha o tempo todo com Paulo Isidoro na direita ao lado de Cerezo, Sócrates e Zico tendo à frente Sérginho e Eder e na estréia quem começou jogando foi Dirceu, que tinha disputado as duas Copas anteriores, mas que não vinha sendo aproveitado normalmente.

Telê morreu sem dar explicações a Isidoro porque tomou tal decisão. Quando perguntado só respondeu que era problema dele e que não dava satisfação quando escalava e nem quando tirava do time.

Ninguém entendeu, até Telê que no intervalo tirou Dirceu e recolocou Isidoro no time.

A formação só valeria para o primeiro jogo contra a União Soviética porque Falcão estava suspenso e não podia jogar. Isidoro não seria titular, mas muito menos Dirceu.

Se até o grande Telê tinha suas paixões mal compreendidas, porque crucificar Marcelo Oliveira por gostar de um zagueiro que entrega o ouro para o adversário.

O fato é que ficou difícil o clima para Leandro Almeida no Palmeiras. Sua recuperação é quase impossível.

O pior de tudo isso é que um técnico chega, indica jogadores e deixa de aproveitar alguns iguais ou melhores que já estão no elenco e que são cria do próprio time.

Que o diga o jovem Nathan que nunca teve boas chances no Palmeiras e já de algum tempo observa passar um monte de zagueiro ruim pelo seu time.

Esse menino precisa arranjar um técnico apaixonado por ele também, senão não vai jogar nunca.

Ele é melhor que Leandro Almeida e mais barato.

O achador de espaço

Leia o post original por Antero Greco

Gostar de futebol, todo brasileiro gosta.

Jornalista então, nem se fale.

Quando cobria a Portuguesa era gostoso ouvir as histórias de Oto Glória, que tinha no meio de campo o grande Dicá, mestre em achar companheiros desmarcados.

No Palmeiras, as conversas eram com Jorge Vieira, um buscador incansável de espaços na defesa adversária, com jogadas ensaiadas.

Tinha Oswaldo Brandão no Corinthians… O piadista João Avelino… O “seu” Rubens Minelli.

Todos tinham um 10 especialista em criar jogadas.

Uma vez falei para o Telê Santana, assim que assumiu o Palmeiras, que no clube tinha um meia canhoto bom de bola. Tinha vindo do Sul. Anos depois, quando era comentarista do SBT na Copa de 1994, seu Telê me chamou de lado e falou: “Lembra daquele meia? Não jogava nada…”

E completou sorrindo: “E você… não entende nada de bola…”

Dito isto vou falar de América Mineiro e Palmeiras, jogo de domingo cedo, pela Copa São Paulo.

Foi um jogo gostoso de ver.

No América, destaque para Matheuzinho, meia inteligente, rápido. Arrisco dizer: um futuro craque.

No Palmeiras, o meia Lipe entrou no segundo tempo e jogou muito. Ele acha espaços onde não existe. Jogador inteligente, criativo, como o time profissional não tem.

Um maestro: deu passes inacreditáveis para os companheiros, mas o jogo terminou 1 a 1.

Nos pênaltis, o time mineiro venceu por 5 a 4.

Não sei se verei de novo o Lipe jogando pelo Palmeiras ou por outro time. Uns cinco atrás também vi um meia chamado Ramos comendo a bola na Copa São Paulo e o Felipão disse que ele não servia para o Palmeiras.

Alguém sabe onde anda o Ramos?

(Com Roberto Salim.)

Muricy está invicto

Leia o post original por Antero Greco

O que estava previsto aconteceu: Muricy Ramalho foi apresentado como técnico do Flamengo nesta terça-feira. Casamento perfeito. Um grande técnico para um grande clube. “Estou invicto há oito meses”, brincou Muricy na entrevista coletiva, referindo-se ao tempo de afastamento dos campos de futebol.

Na verdade, no jogo da bola, Muricy está invicto desde o início da carreira como treinador.  Aprendeu com Telê Santana, seguiu a linha de honestidade e competência do Mestre, tem um comportamento digno e até sua rabugice não incomoda tanto, quando ele consegue dosá-la, ainda mais no contato com jornalistas.

E a invencibilidade dele não é exatamente no jogo da bola. Muricy é invencível no caráter: não se dobra, não se vende, não compactua com as tramoias do mundo do futebol. A maior demonstração de dignidade foi a negativa em assumir a seleção brasileira quando foi convidado por Ricardo Teixeira, então presidente da CBF.

Talvez um dia Muricy conte por que recusou o convite. Mas aos poucos o mundo inteiro está descobrindo o que havia por trás da camisa amarelinha e as convocações muitas vezes surpreendentes.

(Colaborou Roberto Salim.)

Se o São Paulo for realmente rebaixado pelo STJD da CBF devido ao “Caso Maidana”, não será a primeira vez que o Tricolor frenquentará a “segundona”! Porque em 1990 ele caiu, palavra de Telê! Vejam as provas!

Leia o post original por Milton Neves

segundona

É, amigo são-paulino, as coisas andam feias pelos lados do Morumbi.

Mas, como vocês já devem ter ouvido por aí, elas ainda podem piorar.

Afinal, o imbróglio envolvendo a contratação do zagueiro Iago Maidana (clique aqui e saia mais sobre o caso) pode levar o Tricolor para a… SÉRIE B!!!

Claro, esta seria a punição mais dura.

As mais brandas renderiam ao clube uma advertência, uma multa ou o impedimento de contratar jogadores na janela de transferências.

Mas, caso o STJD resolva rebaixar o São Paulo, saibam vocês que não será a primeira vez que o clube do Morumbi frequentará a “segundona”.

Afinal, por mais que o são-paulino negue o fato, o Tricolor caiu, sim, no Paulistão de 1990.

Confira abaixo algumas provas:

1º – Telê Santana, o insuspeito, assume que chegou ao São Paulo com o time na segunda divisão do Paulista.

2º – Mais recentemente, Zetti, outra unanimidade entre os são-paulinos, também confirmou o descenso do Tricolor em 1990.

3º – Ingresso da partida entre São Paulo e Marília, pela Série B do Paulistão de 1991.

ingresso

4º – Manchete do caderno de esportes da Folha de S.Paulo do dia seguinte ao rebaixamento são-paulino.

segundona

E agora, torcedor são-paulino, chegou a hora de assumir a vergonha de ter caído no estadual?

O que os rivais acham da declaração de Telê e de Zetti?

Opine!