Arquivo da categoria: Torcidas organizadas

Mídia segue o mico de tentar conscientizar bandido

Leia o post original por Rica Perrone

Mais uma vez marginais usaram o pretexto do futebol para brigar e destruir coisas num estádio.  Universo paralelo as leis do país, ninguém será punido individualmente porque para a polícia e para a mídia “a torcida do ….”  é que brigou. Enquanto não individualizarem os marginais e punirem será sempre rotulado como “a torcida do…” …

Para Conselho de Administração, SPFC expôs atletas em reunião com torcida

Leia o post original por Perrone

Com José Eduardo Martins, do UOL, em São Paulo

Para membros do Conselho de Administração do São Paulo a diretoria do clube expôs jogadores ao permitir na última quarta uma reunião deles com torcedores no Centro de Treinamento.

Integrantes do órgão acreditam que a atitude pode gerar descontentamento dos atletas com a direção. Os cartolas contrários à  ideia avaliam que, além de deixar o elenco exposto a cobranças de membros de torcidas organizadas, entre outros torcedores, a atitude pode fazer com que o grupo perca confiança na diretoria. A análise é de que a equipe pode se sentir traída pelos cartolas com a permissão para ser questionada pela torcida dentro de seu ambiente de trabalho.

Outro ponto levantado é que a direção teria dado um sinal de fraqueza e que, se o time reagir a partir de agora, as uniformizadas podem usar o fato para dizer que só com a intervenção delas o clube escapou do rebaixamento para a Série B do Brasileiro. O encontro foi idealizado pelos torcedores uniformizados.

Três dos nove integrantes do Conselho de Administração confirmaram que em reunião do órgão na última terça a preocupação com a reação dos atletas foi manifestada para o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. O cartola, no entanto, defendeu o diálogo com os torcedores.

“A administração do São Paulo Futebol Clube compete ao Conselho de Administração, um poder de deliberação colegiada, e à diretoria eleita, auxiliada pela diretoria executiva”, diz o site do clube.

Faixas e instrumentos de organizadas serão liberados em SP

Leia o post original por Perrone

Com Danilo Lavieri e Guilherme Costa, do UOL, em São Paulo

Reunião nesta segunda, na sede secretaria de Segurança Pública de São Paulo definiu que haverá uma flexibilização em relação a proibições que afetam as torcidas organizadas. Itens como faixas, instrumentos musicais e bandeirões serão liberados nas arenas paulistas desde que as uniformizadas atendam às exigências que serão feitas.

Uma reunião entre torcedores e a Polícia Militar no próximo dia 1° vai sacramentar a liberação.

Cada torcida terá que indicar um responsável para chegar com antecedência e apresentar o material para fiscalização, algo semelhante ao que já acontecia antes do veto.

Participaram do encontro desta segunda representantes de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, e integrantes do Ministério Público, entre outras autoridades ligadas à segurança pública.

A volta desses itens aos estádios é uma antiga reivindicação das uniformizadas. As proibições ocorreram em razão de atos de violência.

FPF e dirigentes de clubes enxergam a liberação com bons olhos. A federação se apoia em pesquisa encomendada por ela que mostrou a aprovação de quase todos os torcedores ouvidos à festa feita pelas organizadas durante os jogos.

Justiça libera são-paulinos acusados de invadir CT para irem a jogos

Leia o post original por Perrone

O Tribunal de Justiça de São Paulo revogou a decisão que proibia determinados integrantes de torcidas organizadas são-paulinas de comparecerem aos jogos do time. Eles tinham sido barrados por participarem da invasão ao CT do clube em agosto do ano passado.

O pedido de revogação, foi feito pelos advogados e pelo Ministério Público, que denunciara os torcedores, sob a alegação de que eles vinham cumprindo todas as medidas restritivas impostas e colaborando com a Justiça, além de as uniformizadas não terem se envolvido em novas confusões.

A publicação da decisão no Diário Oficial nesta quarta cita os réus Ricardo Barbosa Alves Maia, André da Silva Azevedo, Alessandro Oliveira Santana, Alan Aquino de Souza e outros que não tiveram seus nomes divulgados. Assim, não especifica o caso de Henrique Gomes, o Baby, presidente da Independente que foi preso em janeiro por ir a um jogo do clube na Copa São Paulo de Juniores e solto por meio de habeas corpus. Doze são-paulinos estão envolvidos no processo.

Apesar de permitir aos torcedores que compareçam às partidas, o juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior, do Anexo de Defesa do Torcedor, manteve a proibição de o grupo ter contato com jogadores, funcionários e dirigentes do São Paulo. Os réus também continuam proibidos de deixar a cidade sem autorização da Justiça enquanto durar o processo.

Maracanã parecia presídio depois de rebelião ao final de Fla x Corinthians

Leia o post original por Perrone

Policiais procuram membros de organizadas do Corinthians que agrediram PM

Policiais procuram membros de organizadas do Corinthians que agrediram PM

Flamengo e Corinthians empatavam em um gol e as duas torcidas faziam uma bela festa no Maracanã quando corintianos tentaram invadir a área reservada aos flamenguistas e brigaram com policiais militares. Em segundos, o clima de festa se transformou em terror. Foram horas de tensão acompanhadas pelo blog. No começo da noite de domingo, o estádio lembrava um presídio em final de rebelião.

Assim que estourou a briga na parte de cima da arquibancada, veio a ordem de um líder da Camisa 12: “tirem as bandeiras do bambu”. Imediatamente, os mastros foram apontados para os policiais, como se fossem lanças. Houve correria, mas logo a situação se acalmou.

Então, começou a caçada dos policiais aos agressores de seus colegas. Todas as organizadas tiveram que sair da arquibancada e levar seus objetos para serem revistados no corredor do estádio.

Com fotos de vários torcedores nas telas dos celulares, os PMs checavam os rostos dos corintianos em rodas formadas no corredor para buscar os acusados, identificados antes em imagens de TV. “Machucaram um dos nossos companheiros mais gente boa. Não vamos bater em ninguém, vamos achar quem fez isso e prender. Já achamos um”, contava um dos policiais.

Ao final da partida, a caçada se intensificou. Mais de 45 minutos depois do fim do jogo, policiais atravessaram o corredor com um torcedor preso. Entraram com ele por uma porta na qual se lia a inscrição: “área restrita”. Então, deu para ouvir o que parecia o som de pancadas. Não foram ouvidos gemidos e nem gritos. Pouco depois, apenas um policial saiu de lá e foi cumprimentado por colegas.

Por volta das 20 horas, um PM gritou: “todas as mulheres podem sair, só as mulheres”. Torcedoras integrantes de organizadas passaram pelo portão e aguardaram os homens na rampa que leva à saída do estádio.

Do lado de dentro, todos os torcedores identificados como membros de organizadas foram amontoados perto de uma parede. Os policiais separaram dois deles, que ficaram sentados no chão. Daí veio a ordem para que o grupo tirasse a camisa e voltasse para a arquibancada.

Quem ficou no corredor teve dificuldade para sair, mesmo sem pertencer as uniformizadas. “Mostrem a chave do carro”, dizia um dos policiais que controlava a saída para torcedores que suspeitava serem membros de caravanas das

 organizadas tentando escapar da operação.

Quem voltou para arquibancada mandava mensagem para amigos pedindo ajuda e para a imprensa ser informada do que estava acontecendo.

Às 21h30, já fora do estádio, o blog recebeu a mensagem de um membro da Gaviões da Fiel que estava em São Paulo, mas tinha amigos e parentes no Maracanã informando que os torcedores estavam no ônibus, iniciando a viagem de volta. Contou, porém que havia gente machucada. Assim, parecia terminar mais um domingo de horrores no futebol brasileiro.

Retirada de cadeiras a pedido de organizadas rende processo ao Corinthians

Leia o post original por Perrone

A decisão do Corinthians de retirar as cadeiras do setor norte de seu estádio a pedido das torcidas organizadas rendeu ao clube um processo na Justiça. O torcedor Julio Fernando Condursi Paranhos da Silva pede indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil por ter se machucado no local durante partida contra o São Paulo, em 21 de setembro de 2014. O clássico foi justamente o primeiro jogo sem assentos na parte da arena destinada às uniformizadas.

Ele comprou ingresso para o assento 44 da fileira k, mas não havia mais cadeiras no local. Só arquibancadas de concreto. Afirma que quando foi marcado pênalti para o alvinegro, na comemoração, ele se chocou com um dos trilhos (hastes de sustentação das cadeiras retiradas), sofrendo um profundo corte no pé direito.

O torcedor alega ainda que foi atendido rapidamente no estádio, mas que foi informado que não poderia ser transportado de ambulância para um hospital porque era a única que havia no local para atendimento dos torcedores. Foi por conta própria buscar atendimento e ficou 12 dias sem trabalhar por causa do acidente. Também afirma que o clube não se ofereceu para ajudar a cobrir os gastos médicos e cobra um ressarcimento R$ 689,59 relativos às despesas que diz ter tido.

Em sua defesa, o Corinthians explica que retirou as cadeiras para que o jogo pudesse ser assistido em pé atrás do gol, como era o desejo dos torcedores. Porém, omite que o pedido foi feito por torcidas organizadas. Outro motivo apresentado para a retirada dos assentos é que as cadeiras tinham sido quebradas em outros jogos pelos torcedores provocando desconforto e falta de segurança por causa da quantidade de objetos espalhados pelo chão. Vale lembrar que o vandalismo foi praticado por corintianos, integrantes de organizadas.

Os advogados do Corinthians afirmam que os trilhos de ferro que sustentavam as cadeiras foram mantidos na arquibancada, fixos, “para evitar qualquer incidente que envolvesse torcedores”. Porém, eles não esclarecem que incidentes a retirada das peças poderiam provocar.

O clube nega também que tenha havido falha no atendimento ao torcedor ferido na arena, diz que ele se recusou a ir ao hospital indicado pelos médicos e que preferiu buscar atendimento em outro local por meios próprios. O Corinthians sustenta ainda que Silva pode ter se machucado fora do estádio e ainda ter agravado o ferimento ao ir sozinho a outro hospital. O clube também contesta os gastos apresentados e afirma que deveria ser incluída na ação a Itaú Seguros, contratada nos jogos do Brasileirão daquele ano.

Em sua primeira decisão, a Justiça indeferiu a inclusão da seguradora.

Foi marcada audiência para o dia 8 de agosto visando a produção de provas orais. Os principais pontos a serem esclarecidos são se o ferimento foi mesmo causado no estádio, se houve dano moral, se o torcedor se recusou a ser removido para o hospital sugerido pelo clube e se alguma conduta de Silva agravou o ferimento.

Torcida única não resolve, mas ajuda muito

Leia o post original por Wanderley Nogueira

Após os lamentáveis incidentes que ocorreram na cidade de São Paulo antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians, pelo Campeonato Paulista, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo anunciou que os clássicos paulistas, até o final do ano, serão realizados com torcida única o que permitirá a crianças, idosos e famílias desfrutar in loco dos grandes jogos. Para Wanderley Nogueira, a decisão pode não ser a solução, mas ajuda no combate à violência. Assista.

Torcidas e liberdade de expressão

Leia o post original por Antero Greco

As manifestações da Gaviões da Fiel tomaram espaço importante nos meios de comunicação. Não em todos, claro… As faixas de protesto levadas aos estádios (no meio da semana e no domingo) provocaram reações extremadas, de interferência da polícia, pedido de moderação de árbitro e capitão do Corinthians, até silêncio de emissoras de tevê alvos de críticas.

Discute-se se a organizada tem ou não direito de manifestar-se daquela forma. Tem direito. Os componentes da agremiação são cidadãos brasileiros, protegidos pela liberdade de expressão que lhes confere a Constituição, salvo engano a Lei Maior do País. Assim como se responsabilizam por eventuais transgressões às leis. Como qualquer um, em qualquer situação.

Protestar contra preços de ingressos, horários dos jogos, influência de mídia, bem como emitir opinião a respeito de CBF e FPF é questão de livre arbítrio. Assim como revelar descontentamento com um dos tantos escândalos que marcam a vida nacional (no caso, o das merendas escolares em São Paulo).

Como consumidores, os torcedores podem reclamar do preço dos ingressos e dos horários dos espetáculos, por exemplo. Pessoas, empresas, entidades que se sentirem aviltadas também têm o direito de acionar na Justiça aqueles que lhes parecem detratores.

Assim que funciona em países em situação democrática e com ordenamento jurídico normais.

Estranho é a PM ir pra arquibancada, como aconteceu no meio da semana, e arrancar faixas e pessoas na marra. Em primeiro lugar porque não havia crime. Além disso, não deveria ser atribuição da polícia cuidar desse tipo de assunto – nem da segurança dentro dos estádios. Como força pública, deveria ficar fora. Dentro, os clubes que tenham suas equipes.

Idem para o árbitro. O que tem a ver Sua Senhoria com protestos dos torcedores, desde que não incitem à violência nem alimentem sentimentos xenófobos, racistas ou que revelem intolerância religiosa. Cada um tem suas convicções e pode expô-las. Repito: eventuais ofendidos podem partir para o contra-ataque, dentro da lei.

Há dúvidas, no entanto, que me cutucam a cabeça: por que questionamentos políticos, éticos, esportivos são tão esporádicos dentre as organizadas? Por que aparecem muito raramente, se há tantas oportunidades para marcar posição e os moços passam batidos? De onde vem o repentino surto de civismo? Até quando vai durar? E, ainda: quem se beneficia com as cobranças e quem eventualmente se prejudica com elas?

Sugiro que incluam nas faixas palavras de incentivo pelo fim da violência e das rixas que provocam acidentes, vendettas, mortes entre organizadas rivais. Seria um gesto de extraordinária consciência e ganharia adeptos no Brasil todo.

Para pensarmos.

 

Arena Corinthians entra em atrito com nova parceira em lanchonetes

Leia o post original por Perrone

A lua de mel entre o fundo que administra a Arena Corinthians e a nova concessionária das lanchonetes do estádio durou apenas cerca de um mês. O blog apurou que a AR Fast Food, que entrou na casa corintiana após problemas com a antiga parceira, recebeu uma notificação dos gestores do estádio. A queixa foi de supostos atrasos no primeiro pagamento e na entrega do cronograma de obras, entre outros problemas.

Procurada pelo blog, a empresa confirmou que foi notificada, mas negou ter cometido irregularidades. Em seguida, o próprio clube admitiu que a parceira não errou. Mas o mal-estar já estava instalado. Cobrada, a concessionária aponta para o fundo as dificuldades encontradas para trabalhar no estádio. Existem problemas de estrutura e até hostilidade de membros de torcidas organizadas.

“Eles me notificaram, mas eu estava dentro do prazo, que venceria em 20 dias”, disse ao blog Juliano Aniteli, sócio e diretor da AR.

Após responder a notificação por e-mail, ele e seus advogados preparavam na tarde desta sexta uma resposta mais formal, listando as dificuldades que têm encontrado no estádio. “Não queremos atrito com o fundo, mas fui obrigado a mostrar os problemas que enfrentamos” declarou Aniteli.

Lúcio Blanco, funcionário do Corinthians que cuida das operações na arena, também falou ao blog sobre o caso. “Não foi uma notificação extrajudicial. Apenas pedimos uma confirmação do cronograma. Até porque não há atraso. Talvez a empesa tenha entendido errado”, disse.

A AR passou a atuar na arena alvinegra depois de o fundo rescindir um contrato previsto para durar dez anos com a antiga concessionária alegando que ela não fez o investimento de R$ 40 milhões combinado e que sua comida não agradava aos torcedores.

A nova parceira trouxe para o estádio marcas de fast food, como o Bob´s, mas trabalha de maneira provisória até que ela construa as lanchonetes definitivas.

Já em seu primeiro jogo no estádio, a AR enfrentou problemas. Ao ligar um de seus fornos elétricos, um disjuntor do setor leste não aguentou a carga e caiu, deixando as lanchonetes sem energia.

Aniteli e Blanco confirmaram o problema, mas minimizaram o episódio. “Conversamos com o pessoal da arena, e foi feito um ajuste de energia do setor leste. No começo são necessários ajustes mesmo”, afirmou o sócio da empresa.

“Tivemos alguns problemas nesse sentido (de infraestrutura), mas estamos trabalhando para resolver. O disjuntor foi regulado, e sei que eles também tiveram dificuldade com internet. Estamos ajustando tudo”, disse Blanco.

Mais difícil, porém, será ajustar o comportamento dos integrantes de torcidas organizadas no setor norte do estádio. Funcionárias das lanchonetes reclamam que são hostilizadas por eles, que não quererem fazer a compra em duas etapas: a aquisição do tíquete e a retirada do lanche. Além de gritos com as moças, os relatos são de chutes nas lojas e tapas nos balcões.

A relação entre o fundo responsável pela arena e a concessionária nasceu para ser longa. São dez anos de contrato.

Ingressos gratuitos explicam as “Despesas Diversas”

Leia o post original por Odir Cunha

Na reunião do Conselho Deliberativo, o presidente Modesto Roma disse que Alex Fernandes deixou as funções de gerente de marketing por problemas de saúde e assegurou que Paulo César Verardi ainda não foi contratado e não é o nome preferido do CEO Dagoberto Fernando dos Santos. Eu, como o prometido, falei das malfadadas “Despesas Diversas”, lebre cantada neste blog pelo colega Douglas Aluisio e, baseado em um estudo preliminar, conclui que elas se devem à farta distribuição de ingressos gratuitos para torcidas organizadas e patrocinadores.

O Conselho Fiscal apresentou um trabalho no qual concluiu que as “Despesas Diversas” se devem a quatro fatores: Monitoramento (das torcidas organizadas), Autônomos (Gandulas, Monitores, Mascotes baleiinha e Baleião etc), Controladores de Acesso e “Ingressos Cedidos.”

Deu para perceber que, excluindo-se os “Ingressos Cedidos”, o custo fixo das “Despesas Diversas” fica em torno de 23 mil reais. Portanto, em um jogo contra o Linense, em que essas Despesas chegaram a absurdos 173 mil reais, pode-se imaginar a fortuna em ingressos que foi distribuída a patrocinadores e às torcidas organizadas.

Ponderei que seria necessário especificar que patrocinadores são esses, quantos ingressos recebem cada um, que torcidas são essas, quantos ingressos recebem cada uma, e, no final de tudo, perguntei se era mesmo necessário distribuir tantos ingressos gratuitos.

Comparei o jogos entre Mogi Mirim e Santos, com mando de jogo do Mogi Mirim, e Santos e Linense, com mando do Santos, no Pacaembu. No primeiro, mesmo com uma renda bruta de apenas 78.960 reais, o Mogi teve uma receita líquida de 38 mil reais. Suas “despesas diversas” foram de apenas 2 mil reais. A partida contra o Linense teve renda bruta de 324 mil reais e gerou um prejuízo de 19 mil reais. As “Despesas Diversas” foram de 173 mil reais e as despesas gerais alcançaram 343 mil reais!

Tinha muitos outros exemplos a dar, mas o presidente da mesa, Fernando Bonavides, pressionou-me para não ultrapassar o limite de quatro minutos. Deu tempo, entretanto, para colocar uma questão no ar: se o associado de uma torcida organizada paga uma mensalidade para ser sócio da mesma, mas não é sócio do Santos e ainda ganha ingresso de graça para ver os jogos do time, o que o clube ganha com isso? Enquanto o Santos está no vermelho, as organizadas estão no azul. Será que não está na hora de rever essa relação?

O presidente Modesto Roma concordou que o clube distribui muitos ingressos e que isso tem de ser revisto. Disse ainda que esse tema poderá ser debatido e votado no Conselho. Seria importante se isso se concretizasse. Nada como ouvir todos os lados envolvidos e tomar uma decisão justa, que seja melhor para o clube. Se esta for secar a fonte dos ingressos gratuitos, que assim seja.

Após a sessão, conversando com colegas do Conselho, fiquei sabendo que alguns deles, em jogos decisivos, já compraram ingressos de torcidas organizadas. Fica mais uma pergunta no ar: todos esses ingressos distribuídos pelos clubes às organizadas são mesmo utilizados para levar seus integrantes ao estádio, ou alguns são vendidos clandestinamente? Isso, obviamente, seria lesar o clube, pois o dinheiro não entraria nos cofres do Santos.

Tenho conhecidos em todas as torcidas organizadas do Santos e sei que a grande maioria de seus integrantes é gente boa e honesta, tão apaixonada pelo time como nós. Sei também que a maioria não se opõe a pagar seu ingresso, como qualquer outro torcedor. Acho que chegou a hora de repensar essa prática que está sangrando o clube. Esse assistencialismo não combina com profissionalismo.

A confecção de ingressos gera despesas, assim como a taxa de monitoramento, que visa justamente vigiar os torcedores organizados. Portanto, se os torcedores organizados não pagarem ingresso, a realidade é que o clube pagará para que eles assistam aos jogos.

Os ingressos distribuídos gratuitamente entram no borderô do jogo, mas são descontados como essas “Despesas Diversas”. Isso explica porque clubes de torcidas bem menores do que o Santos, com públicos e rendas igualmente menores nos estádios, estão tendo maior lucro nas arrecadações do que o Alvinegro Praiano.

O exemplo mais palpável, como o companheiro Khayat postou aqui neste blog, é o do São Bernardo, que mesmo gerando metade da arrecadação total do Santos (800 mil contra 1,7 milhão de reais), obteve até aqui uma renda líquida de 568 mil reais, enquanto o Santos tem 413 mil reais.

Todo mundo pagando ingresso já

Depois da minha fala, o conselheiro Reinaldo, ligado a uma torcida organizada, lembrou que nós, conselheiros, também não pagamos ingresso. Sim, ele está certo. Se bem que o número de conselheiros que vai ao estádio não se compare ao de torcedores organizados, eu concordo que conselheiros também deveriam pagar ingressos para ver o Santos.

O clube está vivendo um momento financeiro delicado e creio que nenhum santista se sinta confortável de assistir ao time sem pagar nada. Que se estude ao menos um valor especial para todos os que até este momento vem sendo agraciados com ingressos de cortesia. Não é hora de perguntar o que o Santos pode fazer por nós, mas sim o que podemos fazer pelo Santos.

Você não acha que todo santista deveria pagar ingresso?