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Bayern x Atlético e vitória do futebol

Leia o post original por Antero Greco

Bayern e Atlético de Madrid fizeram uma semifinal de dar gosto, de satisfazer quem admira o futebol. Os alemães perderam a primeira parte por 1 a 0, precisavam no mínimo repetir o placar para levar para prorrogação e pênaltis. Deram azar, pois venceram por 2 a 1, na Allianz Arena de Munique, e ficaram fora da decisão pela terceira vez consecutiva. Os espanhóis esperam agora o vencedor de Real x Manchester City.

Monotonia não teve espaço no estádio alemão. Do começo ao fim, a disputa manteve-se aberta, com surpresas e possibilidade de reviravolta. E, mais importante, com jogo limpo, sem catimba em excesso, sem violência, sem ignorância. Um lado e outro se preocupou em jogar bola, tarefa simples e bem executada.

O Bayern desempenhou o papel que se esperava dele – o de pressionar, apertar, ir à frente. A responsabilidade da vitória era para a turma de Pep Guardiola. E o treinador espanhol não fez por menos: botou a rapaziada pra o abafa, com Vidal e Alonso na saída de bola, Douglas Costa, Ribery e Muller abrindo espaços e Lewandowski enfiado na área.

A insistência do Bayern poderia ter-lhe rendido vantagem de 2 a 0 antes do intervalo. Mas ficou apenas no gol de Xabi Alonso aos 30, pois Muller chutou pênalti que o goleiro Oblak pegou. O futebol da turma da casa era melhor.

No segundo, o Atlético adiantou-se, empatou com Griezzaman aos 12, levou o segundo (Lewandowski aos 28) e também perdeu chance em pênalti (mal marcado pelo árbitro): Torres chutou e Neuer defendeu. O Bayern insistiu mais até o apito final, sem criar grandes ocasiões para o terceiro gol, aquele que valeria a classificação.

O duelo mostrou que o Bayern continua com belo esquema, tem jogadores talentosos, mas de novo lhe faltou a centelha de campeão na hora H. O Atlético de Diego Simeone é um grupo guerreiro, aplicado, também composto por atletas de bom nível. Tem um pingo a mais, digamos assim, de sangue, na hora do aperto.

 

Juventus 2 x 2 Bayern de Munique

Leia o post original por Mauro Beting

Panorama da etapa inicial: Juve se defendendo em duas linhas de 4, com Lichsteiner/Cuadrado e Evra e Pogba dobrando a marcação nos flancos. (TacticalPad)

ESCREVE DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

Em Turim, Juventus e Bayern de Munique iniciaram o confronto pelas oitavas de final da Uefa Champions. O duelo foi bem interessante, principalmente pelo AMPLO domínio na primeira etapa de Pep Guardiola e seus comandados. A etapa final foi de espaços deixados para a rápida transicao de Massimiliano Allegri e seus atletas.

A etapa inicial começou com domínio territorial e possessivo do time de Guardiola. Com pontas agudos e muita troca de passes. Muita facilidade na transição defesa-ataque alemã, com blocos altos, intensidade, pressão alta na marcação da saída de bola alvinegra. Lewandowski saindo da área, buscando o jogo, fazendo o pivô, abrindo espaços para penetração dos pontas.

A Juve se defendia fechando duas linhas e deixa Dybala e Mandzukic na frente. Recomposição rápida e constante do sistema defensivo italiano, compacto, blocos baixos. Aplicação tática intensa na marcação, excelente ocupação dos espaços. Aposta no contra-ataque, pelos flancos, com Pogba na esquerda e Cuadrado na direita, visando Mandzukic na área e a velocidade de Paulo Dybala. Juve 4-4-2 em linhas, ocupando os espaços, fechando as linhas, neutralizando as jogadas pelos flancos com os pontas Robben/Evra pela direita e Douglas Costa/Cuadrado.

 

Flagrante das linhas italianas. (Reprodução EIMAX2)

Flagrante das compactas linhas italianas. (Reprodução EIMAX2)

Com 3’minutos, Vidal chutou bem de fora da area, Buffon espalmou, Robben cruzou e Lewandowski reclamou de penalti. Nada de falta. Segue o jogo. Dos 6 aos 10’min da etapa inicial foi 100% de posse de bola do Bayern. Incrível!

Porém, aos 11’min, Mandzukic quase abriu o placar. Após roubada de bola italiana, Dybala cruzou e o atacante croata quase abriu o placar. O Bayern respondeu com Müller que fez bela jogada na entrada da grande área, ficou cara a cara com Buffon e tocou para Lewandowski, que perdeu.

Flagrante dos 11 jogadores da Juventus no campo de defesa. (Reprodução EIMAX 2)

Flagrante dos 11 jogadores da Juventus no campo de defesa. (Reprodução EIMAX 2)

Aos 30’min, Bernat bateu bem na entrada da grande área, após cruzamento de Muller. Buffon espalmou, fazendo grande defesa. No fim do primeiro tempo, Robben foi no fundo, cruzou para área, Douglas Costa tocou para trás e Müller bateu rasteiro, abrindo o placar. Bayern 1 a 0.

Fim do primeiro tempo: Domínio total alemão, que SÓ fez 1 gol. Posse de bola 68 a 32% para os bávaros. 3 a 1 em escanteios para os alemães. A Juve pouco assustou.

A etapa final começou sem Marchisio, que saiu com dores para entrada de Hernanes. Melhor transição ofensiva para a “Velha Senhora”. Além da substituição, a postura italiana para a etapa final, era diferente. Adiantada, com a marcação na intermediaria, pressionando e não dando os espaços que deu na primeira etapa.

A intensa marcação aguentou apenas 5 minutos. Após isso, o Bayern retornou o domínio, jogando a Juve para o campo de defesa, que já tinha difuculdades para sair e quando saía, sempre errava passes e dava contra-golpe para os bávaros.

Saida 3

Flagrante da saída de 3 bávara: Vidal afunda entre os “zagueiros” e dá amplitude para os laterais, que avançam. (Reprodução EI MAX2)

Em jogada veloz, aos 8’min, Lewandowski trombou com Bonucci no meio campo, foi acionado, carregou e tocou para Robben, que ajeitou para a canhota e bateu no canto esquerdo de Buffon, sem chances para o arqueiro italiano. Bayern 2 a 0.

Com o gol sofrido, a Velha Senhora foi pra cima. Aos 12’min, Dybala cobrou falta e Neuer espalmou. Kimicch afastou errado e Mandzukic serviu Dybala. O jovem argentino ficou cara a cara com Neuer e tocou na saída do goleiro alemão. 2 a 1.

Daí em diante, o jogo pegou fogo. Mandzukic se entranhou com Lewandowski. A Juve passou a acreditar (e porque não?!) no empate. E foi atrás.

Aos 21’min, contra-ataque alvinegro, Mandzukic tocou para Cuadrado que bateu no alto. Neuer salvou. Pogba quase empatou em seguida. A Juve estava no jogo. Sturaro no lugar de Khedira.

A Juve continuava em cima. Guardiola tirou Bernat e colocou Benatia. Chamou a Juve. Allegri não pensou duas vezes e colocou Sturaro para buscar o empate. Aos 30’min, Kimmich falhou na marcação de novo e deixou Sturaro tocar pro fundo das redes, após cruzamento de Mandzukic.

Ribery entrou no lugar de Douglas Costa, que fez um segundo tempo apagado. Do gol de empate até o fim da partida, houve muito equilibro. A Juve ainda se manteve em busca da virada e o Bayern tentava pelos lados, com Ribery e Robben atuando nas pontas, visando Lewandowski na área. Sem sucesso.

Fim de papo. 2 a 2. Boa vantagem para os alemães, que se classificam com empates em 0 a 0 e 1 a 1. Igualdade em 2 a 2 leva a partida para a prorrogação e pênaltis, se necessário. A partida de volta será na Allianz Arena, a casa do Bayern, no dia 16 de Março.

OBS: Estatísticas tiradas do site da UEFA, aqui.

ESCREVEU DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

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PSG 2 x 1 Chelsea

Leia o post original por Mauro Beting

Organização tática das equipes para a primeira etapa. (TacticalPad)

Organização tática das equipes para a primeira etapa. (TacticalPad)

ESCREVE DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

O já tradicional duelo entre PSG e Chelsea em mata-mata de Champions League teve mais um capítulo iniciado ontem. No Parque dos Príncipes, o time de Laurent Blanc enfrentou os comandados por Guus Hiddink, tentando não sofrer gols em casa para encaminhar uma possível classificação.

A equipe francesa começou em cima, pressionando, sufocando o Chelsea, compacto, duas linhas. D. Costa e Willian na frente. Muita movimentação e jogadas pelo flanco esquerdo de ataque, com Lucas indo em profundidade. Triângulações pelo franco esquerdo, com Maxwell, Matuidi e Lucas. Marcação alta, pressionando no campo de ataque. Ibra se movimentava bastante, saía da área, abrindo espaços para infiltrações de Di María e Lucas, os pontas parisienses.

 

Flagrante do 4-4-2 inglês, com Willian e Diego Costa na frente. Note, que no ataque parisiense, Ibra não está alinhado entre os zagueiros. Ele se encontra alinhado ao lateral esquerdo, abrindo espaços para infiltrações dos pontas Lucas e Di Maria. (Reprodução: Esporte Interativo MAX)

Após os 20 primeiros minutos, o Chelsea começou a sair, equilibrando o jogo. Diego Costa quase abriu o placar, em cabeçada, após cruzamento vindo da esquerda. Kevin Trapp salvou de mão trocada.

O jogo era aberto, equilibrado, ambas as equipes tentando criar chances. Com o Chelsea mais no campo de ataque. Até que Obi Mikel cometeu falta em Lucas na entrada da área. Ibrahimovic cobrou, a bola desviou no próprio africano, que cometeu a falta, e não deu chances para Courtois. PSG 1 a 0.

O Chelsea se manteve no ataque, tentando o empate. O PSG se fechou, tentou compactar as linhas, mas sofreu o gol de empate no último minuto da primeira etapa. Após cobrança de escanteio de Willian, Obi Mikel dominou na pequena área e fuzilou. 1 a 1.

Primeiro tempo justo. Domínio territorial inicial dos franceses, que perdeu força e foi equilibrado pelos ingleses. Em jogadas de bola parada, 1 a 1 ficou de bom tamanho.

A segunda etapa começou corrida, com as duas equipes querendo ampliar o placar. O PSG sempre buscando Ibrahimovic na área e o Chelsea visando a velocidade de Hazard e Diego Costa.

O PSG começou a adiantar suas linhas, com uma postura ofensiva, pois o gol fora de casa, dava a vantagem do empate por 0 a 0 aos ingleses. Tentando chutes de área, com defesas de Courtois, falhas na finalização. Só pressão do PSG. Ivanovic e Cahill salvava os Blues. Pedro cometeu falta em Hazzard na entrada da área que Di Maria cobrou e Courtois fez grande defesa.

Cavani entrou no lugar de Lucas. Ataque total parisiense. Oscar também entrou no lugar de Hazard. Ele foi lançado no campo de ataque, mas não conseguiu chegar na bola.

O Chelsea parecia feliz com o 1 a 1. Até que, faltando 10 minutos para terminar, Di María centralizou e lançou para Cavani, que bateu firme, rasteiro no canto esquerdo do goleiro belga do Chelsea. PSG 2 a 1.

O PSG tentou ampliar, pressionou, em vão. O Chelsea estava satisfeito com o placar, afinal, uma vitória inglesa por 1 a 0 os classifica para a próxima fase.

Vale lembrar que, na temporada 13/14, o PSG venceu em casa por 3 a 1 e perdeu em Londres por 2 a 0. Portanto, o gol fora de casa, pelo menos para o Chelsea, vale MUITO. Resta saber o que acontecerá em Stamford Bridge, no dia 9 de Março.

ESCREVEU DANIEL BARUD — @BarudDaniel

Wolfsburg 3 x 2 Manchester United

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

Em jogo valido pela 6ª e última rodada da fase classificatória da Champions League, o Wolfsburg, de Dieter Hecking, recebeu o Manchester United, comandado por Louis Van Gaal, valendo vaga para a próxima fase da competição. No final das contas, os ingleses saíram eliminados e o Wolfsburg avançou como líder do grupo e dará trabalho para os grandes europeus nas oitavas. Pode aprontar. O PSV foi o segundo classificado.

O confronto começou muito movimentado, com o Wolfsburg tomando a iniciativa, criando as primeiras oportunidades e o United se portando mais na defensiva, marcando mais porém, não abdicando do ataque, saindo rápido para os contra-ataques.

Com 2minutos, Max Kruse desviou de cabeça, deixou para Schurrle, que isolou, perdendo grande chance de abrir o placar para os donos da casa.

Taticamente, os Lobos foram a campo no 4-2-3-1 movimentado, com boa participação do quarteto ofensivo, muito dinamismo, versátil, movimentando bastante. Diferentemente da escalação inicial, Dieter Hecking, técnico da equipe alemã, colocou Kruse na referencia, fazendo bem o pivô, saindo da area, buscando o jogo, em vez de Schurrle. Na linha de três meias, Vieirinha na direita, Draxler centralizado e Schurrle na esquerda.

UCL 15-16 Rodada 6 Wolfsburg x Manchester United_POSICIONAMENTO 1


Louis Van Gaal levou a campo sua equipe também no 4-2-3-1/4-1-4-1, com Fellaini e Schweinsteiger na volancia, fazendo a transição ofensiva inglesa. Nas variações, o belga era mais ofensivo, com o meio-campista alemão ficando mais na defensiva. Juan Mata era o principal armador na linha de três e o mais participativo, acionando e organizando as ações ofensivas inglesas .

Aos 9minutos, Martial recebeu em profundidade, após belo lançamento rasteiro de Juan Mata e tocou na saída do goleiro Bengalio. United 1-0.

Na sequencia, aos 13, após cobrança de falta de Ricardo Rodriguez, o zagueiro Naldo acertou belo chute, batendo de primeira, no canto esquerdo de De Gea. 1-1.

O jogo era movimentado. Muita velocidade, transições rápidas e boas trocas de passes por ambos os lados. Com o Manchester criando mais, por necessitar da vitória (para não depender do jogo do PSV par se classificar) e tendo mais posse de bola. O Wolfsburg tinha algumas dificuldades para sair em contra-ataques.  Dieter Hecking teve de tirar Ricardo Rodriguez, que saiu lesionado, para a entrada de Schäfer.

Aos 26minutos, após cobrança de escanteio, Fellaini cabeceou firme e Benaglio espalmou, e Vierinha tirou o perigo.

Após bela jogada de Draxler que, na entrada da área, tabelou com Vieirinha, que entrou na grande área e, sozinho, tabelou, novamente com Draxler, empurrando pro fundo das redes. Wolfsburg 2-1, aos 29minutos da etapa inicial.

E, com a derrota, o United estaria sendo eliminado, no confronto direto com os holandeses do PSV.

Draxler perdeu chance clara, aos 38minutos, após belo contra-golpe, com um saída de bola errada de Schewinsteiger, Schurrle dominou, carregou a bol e deixou Draxler sozinho, que limpou a jogada e bateu em cima de De Gea. Na sequencia a zaga afastou o perigo.

Van Gaal se viu obrigado a mexer na lateral esquerda, pois estava sem jogador na posição. Darmian estava improvisado.

O Manchester United tinha a posse, mas não era efeito, não furava as linhas alemã. Até que, aos 45minutos da etapa inicial, Juan Mata cruzou para grande área visando o cabeceio de Martial, entretanto, a bola foi direto pro gol, sem tocar no atacante, que estava impedido. O juiz deu gol, o bandeirinha levantou a bandeira, eles conversaram e o juiz anulou, confirmando a marcação do bandeirinha, que viu participação de Martial no lance.

E o primeiro tempo terminou com o United sendo eliminado.

Para o segundo tempo, o United voltou pressionando. Com mais posse de bola, precisava da vitória.

Aos 36minutos da etapa final, Guilavogui marcou contra, após cobrança de escanteio. O resultado ainda não era o suficiente, pois o PSV vencia na Holanda. E, na sequência, Naldo colocou a equipe verde na frente, de novo. Após cobrança de escanteio, o zagueiro brasileiro subiu mais alto e testou firme cuca legal, colocando os alemães na frente novamente, aos 39minutos do segundo tempo.

Nos minutos finais, o Manchester se lançou ao ataque, tentando marcar o gol, alçando bolas na área alemã, sem sucesso. O Wolfsburg se salvava como podia. Quando tinha a posse, a equipe alemã prendia a bola no campo de ataque, cobrando falta curta, gastando o tempo.

No fim, eliminação inglesa. Primeira vitória do Wolfsburg para cima do United na história. Inédita classificação alemã para o mata-mata da Champions League.

ESCREVEU DANIEL BARUD — @BarudDaniel

Real bate o Schalke. E falam em crise?!

Leia o post original por Antero Greco

Quando há muita fartura, a mínima escorregada dá o que falar. É o caso do Real Madrid. O clube tem alguns dos principais jogadores do mundo, nem um ano atrás conquistou pela décima vez o título europeu e, no fim do ano, outro Mundial. Fora os títulos domésticos.

Motivo de festa para qualquer torcedor. Menos para o madridista. Como não está na liderança do Campeonato Espanhol deste e por ter perdido algumas vezes para o rival Atlético de Madrid (a última, 4 a 0), já se fala em crise. Acrescente-se a isso uma festa dos jogadores, no aniversário de Cristiano Ronaldo, justo depois da goleada no Vicente Calderón – e o caldo entorna, como se fosse o fim dos tempos.

Calma lá. Há um exagero nessa história de Real Madrid em parafuso. Pode não viver o momento melhor na temporada, e ainda assim é forte pra caramba. A prova veio nos 2 a 0 sobre o Schalke04, nesta quarta-feira, na Alemanha. O jogo valeu pelas oitavas de final da Uefa Champions League e os espanhóis deram passe enorme para a classificação.

Não foi espetáculo, eis a restrição. Ficou longe dos 6 a 1 diante do mesmo adversário, no mesmo local (Gelsenkirchen), na edição anterior. E daí? Qual o problema? Quem disse que as histórias dos confrontos são sempre iguais?

O Real Madrid ganhou – e, na minha opinião, sem esforço sobre-humano. Um gol de Cristiano, outro de Marcelo foram suficientes para mostrar quem dava as cartas. O português não esteve exuberante, e só marcou o dele e deu o passe para o colega brasileiro. Imaginemos se estivesse inspirado. O Schalke teve uma grande oportunidade, numa bola no travessão. E só.

Ou seja, pelo elenco que tem se cria a expectativa de recital, apresentação memorável, festa. Tomara fosse assim. Às vezes, não dá. E, mesmo em “crise”, o Real sobra e mostra que continua dentre os candidatos com destaque para botar outra vez a mão na taça.

Ah, como eu gostaria que times brasileiros vivessem esse mesmo “drama” do Real…

 

Zero de emoção*

Leia o post original por Antero Greco

Caro amigo, sei que você tem pressa ao ler o jornal no café ou ao chegar ao escritório, e vou direto ao ponto: foi feio de doer o jogo que Atlético de Madrid e Chelsea fizeram ontem pela semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Em 99 minutos, aí computados os acréscimos do árbitro, as duas equipes acertaram meia dúzia de chutes no alvo, também conhecido como gol, e não passaram do 0 a 0. Empate enfadonho, arrastado, enjoado.

Em palavras simples, o encontro entre os times espanhol e inglês foi um bate-rebate incessante. De um lado, o Atlético – que alguns aqui agora chamam de “Atleti”, intimidade que desconhecia – a martelar com uma infinidade de chuveirinhos. De outro, o Chelsea a defender-se no sistema que, na várzea do Bom Retiro, seria definido como 9-0-1. Ou seja, retranca brava, ferrolho danado, e uma descida ao ataque só se fosse extremamente necessária, e olhe lá. Fim do resumo.

Há quem pesque argúcia, perspicácia, autocontrole, requinte estratégico nessa postura definida por José Mourinho, sujeito sempre de cara feia, de quem vê o mundo por cima, com tédio. Não é por acaso que se autointitula “The Special One”. Na ótica pragmática, o treinador português exibiu repertório genial ao criar dois paredões inexpugnáveis na retaguarda. Era o que desejava e agora vai decidir em casa.

Defender-se faz parte do futebol, empate está previsto no regulamento, o confronto tem 180 minutos, pra ficar numa fileira de lugares-comuns. Fechar-se é recurso tão velho e válido quanto o esporte. O próprio Mourinho se deu bem na Internazionale campeã europeia de 2010, e o Chelsea conquistou a Champions de 2012 com a mesma alternativa, contra o Bayern.

Muito bem, acontece, e daí?

Daí que não ameniza o jogo maçante do clube londrino. Futebol não é xadrez – belíssimo e cerebral -, mas explosão, toque de bola, lançamentos, troca de passes. Gol. E, quanto mais qualificado o conjunto, tanto maior a obrigação de atuar bem, de justificar a fama, de ter coragem. Com diversos nomes de peso, jogadores caros e de variadas seleções, quantos dribles deu o Chelsea? Quantos lances emocionantes criou? Que suspiros arrancou da plateia? Raros, perto de zero. O mesmo vale para o Atlético, incensado nos últimos tempos pela ousadia, porém que se mostrou acanhado e sem criatividade diante de rival fechadinho.

Certamente há quem discorde do que escrevo, e ainda bem que seja assim. A divergência de opiniões anima a vida e a unanimidade seria tediosa. Mas não tem como suavizar: jogo feio é jogo feio, aqui, na Espanha, na China. Retranca, igualmente. Pode ser definida com algum termo em inglês, pra ficar chique, nem assim se torna bela. Cresci com a certeza de que o gol é tudo no futebol, não penduricalho acessório. Não será nesta fase da vida que mudarei, só para mostrar-me sofisticado e moderninho.

Sem pegar no pé do Mourinho, e sem perder a oportunidade da cutucada: o que ele fez em Madri foi muito diferente do que criticamos em técnicos patrícios, como Joel Santana, Celso Roth, Mano, Tite, Muricy, Felipão e tantos outros? Digo que não. A diferença está no fato de ele ser europeu, de comandar um elenco milionário, de participar de uma competição atraente. A sovinice criativa de ontem foi a mesma que corneteamos quando são preferidas pelos professores de cá.

Minha esperança foi transferida para hoje, para Real Madrid x Bayern. Tomara não decepcionem.

Vai ou fica? Inacreditável como o Palmeiras não tem sossego. Alan Kardec é artilheiro da equipe, das escassas esperanças de gol, e há ameaça de pular o muro (São Paulo) ou ir para outro Parque (o São Jorge) por diferença salarial. Só falta virar um novo caso Barcos. Vixe!

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quarta-feira, dia 23/4/2014.)

Do Bayern para o Barça: “Te pego, te pico…”

Leia o post original por Antero Greco

Quando era garoto, lembro que tinha uma brincadeira em que se falava: “Te pego, te pico, te jogo no pinico!” Era uma maneira de avisar que a gente ia fazer “gato e sapato” de algum adversário num joguinho qualquer. Um tipo de provocação infantil.

Pois essa frase me veio à mente há pouco, enquanto acompanhava mais um duelo entre Barcelona e Bayern, pela Copa dos Campeões, mais modernamente chamada de Uefa Champions League, ou “Champions” para os íntimos. O time alemão de novo fez o que quis com o gigante espanhol, se divertiu no Camp Nou, lascou 3 a 0, placar mais modesto em relação aos 4 a 0 da semana passada, e se garantiu na final.

Pra quem, como eu, se acostumou a ver shows de Messi e súditos, foi igualmente prazeroso curtir o desempenho da trupe formada por Robben, Ribery, Muller e outros. Essa rapaziada jogou futebol bonito, rápido, consciente, criativo. Sem aquele negócio de cintura dura e eficiência que caracterizava os germânicos doutros tempos.

O Bayern consegue a proeza de ser compacto e leve, sério e divertido, atento e atrevido, sólido na defesa e um trator no ataque. Impôs a superioridade incontestável ao Barça (frágil, sem Messi), na ida e sobretudo na volta. Por mais que o ambiente fosse envolvente na casa catalã, com a pressão da torcida e etc, a turma de Jupp Heinckes foi impecável.

Discordo de quem fala em “vexame” do Barcelona (que a propósito manteve postura elegante e não apelou para a ignorância). Isso é olhar enviesado, é tirar o mérito do Bayern. O mais correto é exaltar a exibição de gala do finalista. Aí, se dá a dimensão do que ocorreu nos dois clássicos recentes. Um grande time soube como superar o grande campeão das últimas temporadas.

Pode ser o fim do ciclo atual do Barcelona? Pode e não há drama algum nisso. Nada, nem impérios militares, se mantém eternamente no topo. É da vida. Se bem que me parece cedo para decretar derrocada.

Napoli 3 x Chelsea 1 foi Coração x Milhão

Leia o post original por Antero Greco

O melhor programa na televisão para quem pôde curtir momentos de ócio nestes dias aconteceu no começo da noite desta terça-feira e tem a ver com São Paulo. Não, não foi a baixaria provocada por maus perdedores no carnaval paulistano. Mas com o show proporcionado pelo Napoli, no Stadio San Paolo, ao bater o Chelsea por3 a1, de virada, pela Copa dos Campeões da Europa.

O time italiano ganhou com raça, suor, coragem e, por que não?, bom futebol. Com esse resultado, passa para as quartas de final da competição europeia até se perder por um gol de diferença, no duelo de volta, marcado para Londres, em 14 de março. Nada desprezível para uma equipe que alguns anos atrás quase desaparece e agora renasce.

A primeira parte do confronto entre Coração x Milhão foi talvez o melhor jogo da Uefa Champions League até agora. Os empolgados napolitanos, que têm time interesse, mas nem de longe contam com a grana dos ingleses, fizeram três, mas desperdiçaram pelo menos mais duas chances – uma com Lavezzi (chutou para fora, na cara de Peter Cech) e outra com Maggio (que o zagueiro salvou em cima da linha).

A partida teve momentos bem distintos: o Napoli começou empolgado, mas logo sucumbiu à boa marcação inglesa. Num lance infeliz, o zagueiro Cannavaro “espanou” a bola, na tentativa de afastá-la da área, e fez um passe lindo para Juan Mata, sozinho, mandar para o gol, ainda no primeiro tempo. A falha despertou os donos da casa, que aceleraram o ritmo e viraram antes do intervalo, com Lavezzi e Cavani.

A dupla sul-americana infernizou o Chelsea também no segundo tempo. E, numa bobeada de David Luiz, brasileiro constantemente chamado por Mano Menezes, o uruguaio Cavani serviu o argentino Lavezzi, que fez o terceiro gol. Uma festa no estádio napolitano, com direito, ao final, ao coro de 70 mil torcedores sob o som de “U surdato nnamurato” (“O soldado apaixonado”), um clássico do cancioneiro local.

O Napoli fez, mais uma vez, a alegria de uma torcida apaixonada. Forza, Napoli!