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Vice corintiano diz que Dualib deixou legado maior do que Matheus

Leia o post original por Perrone

Com Dielgo Salgado, do UOL, em São Paulo

Quem deixou maior legado para o Corinthians entre os ex-presidentes Vicente Matheus e Alberto Dualib? Essa é a polêmica que despontou na última quinta-feira no Parque São Jorge.

Durante reunião com conselheiros, o 1º vice-presidente do clube, André Luiz Oliveira, o André Negão, afirmou que Dualib, afastado após uma série de acusações de irregularidades, deixou legado maior do que o lendário cartola. Vicente presidia o clube no histórico título paulista de 1977, depois de um jejum iniciado na sequência da conquista do Estadual de 1954.

André, primeiro enumerou os feitos de seu grupo, Renovação e Transparência, liderado por Andrés Sanchez, como a construção da Arena Corinthians, além de uma respeitável coleção de taças. Entre elas uma da Libertadores e outra do Mundial. Realçando a importância de se deixar um legado, disse que Dualib, praticamente escorraçado pelo grupo de André, fez mais nesse quesito do que Matheus. Citou a construção do auditório onde foi o encontro. O local é uma das melhorias implantadas pelo ex-presidente no Parque São Jorge.

Dualib também tem em seu currículo uma série de títulos, incluindo o Mundial de 2000.

Por sua vez, Matheus era o comandante alvinegro na conquista do Brasileiro de 1990. Além de frases cômicas, tem sua história marcada por manobras astutas nos bastidores. Entre as mais famosas estão a rasteira no São Paulo ao contratar Sócrates e uma troca com o Palmeiras que recebeu o Dida (lateral) e Ribamar cedendo Denys e Neto. O atual comentarista se transformaria em seguida num dos maiores ídolos da história corintiana.

Milionário, Matheus também ganhou fama de ser um presidente que colocava dinheiro do próprio bolso no clube. Dualib diz ter feito o mesmo, apesar de ser execrado por conta dos escândalos ocorridos durante sua gestão.

O carinho com que a maioria dos corintianos trata Matheus e a revolta da maior parte deles com Alberto, gerou indignação entre conselheiros, principalmente da oposição, com a afirmação feita por André.

“Falei mesmo. Disse que o Dualib deixou uma construção. É diferente. O Vicente teve três (títulos) paulistas e um brasileiro. Falei o legado que todo mundo deixou”, afirmou André, confirmando a declaração que gerou polêmica.

“Meu avô deixou um legado moral para o clube. Ele tirava dinheiro de casa, da família para colocar no Corinthians”, disse ao blog Afonso, neto de Matheus, ao ser indagado pelo blog sobre a comparação entre os dois ex-presidentes e envolvendo também a gestão do Renovação e Transparência.

Sócio do Corinthians e integrante do grupo oposicionista Lava Jato, o descendente do cartola campeão em 1977 diz que nos tempos de seu avô não existiam algumas facilidades atuais. “Se ele fez o que fez sem internet, sem 50 patrocinadores na camisa, sem a visibilidade (e as receitas) de hoje, imagina o que teria feito se fosse presidente agora?”, declarou Afonso. Sua mãe é filha do primeiro casamento de Vicente, que depois se casou cm Marlene Matheus, também ex-presidente corintiana.

 

Sonho de quase primavera

Leia o post original por Antero Greco

Acordei neste setembro com sonhos de primavera. Está certo que a vitória sobre o Equador me ajudou nesses pensamentos irreais, mas os fatos que se seguiram aos 3 a 0 do Estádio Atahualpa foram determinantes: só boas notícias esportivas, culminando com a permanência de Gabriel Jesus no Palmeiras.

Como em sonhos vale tudo, a negociação do menino artilheiro foi desfeita porque faltava a assinatura da mãe no contrato para que possa pegar avião sozinho… E, arrependido da venda para o Manchester City, o presidente palmeirense resolveu devolver pessoalmente o dinheiro adiantado pelos ingleses.

“Sorry!”, disse, em perfeito e nobre inglês ao presidente do time deles.

“E o seu Pep? Quem telefona para ele?”, perguntou Gabriel Jesus meio sem jeito. Afinal, o técnico espanhol teve o cuidado de consultá-lo via telefônica no começo das negociações.

“Seu Pep”, pergunto?

Banana pro seu Pep espanhol, que é um tremendo técnico de jogadores dos outros…

Melhor ir tomar conselhos e aprender com o seu Pepe de verdade, seu José Macia, na rua México, em Santos.

Afinal foi o ponta-esquerda artilheiro que, em tempos idos, na Arábia Saudita ensinou os segredos do futebol brasileiro ao Pep Guardiola – um jogador em fim de carreira que queria ouvir histórias verdadeiras do grande Santos, que escutou a vida inteira, contadas pelo seu pai.

Enfim, moral da história ou do sonho: quanto o Palmeiras ganhou por vender precocemente a sua joia? Quem lucrou com o grande negócio? O que um dos artilheiros do Brasileiro vai aprender na Europa que já não sabia aos 19 anos? O que Romário aprendeu na Holanda? O que Rivaldo aprendeu na Espanha?

Antes de acabar a historieta, e antes que os grandes conhecedores e teóricos de futebol comecem a me xingar, vou dar uma boa notícia para a torcida corintiana também: o senhor Vicente Matheus acaba de baixar no terreiro do Pai Jaú, ex-zagueiro campeão corintiano da década de 30. Inconformado com o que está acontecendo no Parque São Jorge, ele liberou uma linha de crédito do Além e recontratou de uma só tacada Gil, Felipe, Elias, Renato Augusto e Jadson. Só não decidiu ainda se traz Vagner Love.

“Quem entra na chuva é pra se queimar!”, bradou seu Vicente.

Se é para sonhar, é melhor sonhar grandão!

PS. Na Vila Belmiro já tem gente falando em trazer Neymar de volta, mas ainda é boato.

A velha Elisa e o novo Corinthians

Leia o post original por Antero Greco

A velha Elisa morava no Jardim Brasil, numa rua sem calçamento. Quando chovia era uma lama só.

Mas nada que a impedisse de trabalhar numa loja do  largo São Francisco. Nada que a impedisse de ir a todos os jogos do seu Corinthians.

Elisa, a maior torcedora da Fiel, já se foi há um bom tempo.

Vamos imaginar que despertasse exatamente hoje.

Com certeza iria se informar sobre o seu querido Corinthians. E sorriria ao saber que seus meninos ganharam o título brasileiro de 2015. Uma glória para quem acompanhou os tempos difíceis do tabu contra o Santos, dos vinte e tantos anos sem títulos paulistas.

“Mas espera só um pouco Elisa, as coisas não estão assim tão bem: a diretoria vendeu um monte de campeões… sabe como é, dívidas pela construção do Itaquerão…”

Se título brasileiro é novidade, imagina o Itaquerão?

Elisa era do tempo de Vicente Matheus.

Curiosa, Elisa foi conversar com o técnico do time atual: vendendo tanta gente vai dar para brigar na Libertadores?

Os dois ficaram um tempão conversando e quem presenciou o bate-papo garante que o rosto de preocupação foi se transformando num enorme sorriso negro e simpático.

“O Tite me disse que o goleiro reserva é melhor que o Cássio, que o Danilo joga muita bola e que se o Gil e o Elias não forem para a China, não tem prá ninguém !!!”

E, gargalhando, Elisa sumiu pelos lados do Pacaembu, enrolada em sua inseparável bandeira alvinegra.

“Elisa!? Elisa?! E se o Elias e o Gil também forem embora???”

Deu para ouvir ao longe a voz abafada da corintiana:

“Aí meu filho… aí até o Tite pega o boné e volta para o Rio Grande do Sul levando junto a imagem de São Jorge”.

(Com Roberto Salim.)

Matheus: “quando o Corinthians cair, os outros estarão arruinados”

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 22/03/1981

Com 73 anos de idade, Matheus demonstra uma grande vitalidade. Parece que seu destino é enfrentar desafios ou mesmo procurá-los. Vicente Matheus está há muitos anos dirigindo o Corinthians. Em outubro de 77, ele dizia: “Estão querendo tirar-me do Corinthians e acho que são os 30 milhões de cruzeiros que estão atraindo os interessados…”.

Em novembro de 79, outra grande confusão: “Com liminar ou sem liminar, o Corinthians não joga contra a Ponte Preta no Morumbi. Se houver a marcação para o jogo de manhã, à tarde ou à noite, isoladamente, jogaremos. Rodada dupla, não”.

No início de 1980, fortes pressões tentaram tirar Vicente Matheus do Corinthians e ele lutou com todas as forças e armas para continuar, mas mesmo assim fez um modesto comentário: “Se houve qualquer problema vou para casa. Entendo que o Corinthians ainda precisa de mim. Mais do que eu do clube. Depois de dois anos de luta, a escritura do terreno para a construção do estádio vai sair este mês. Dentro de dois meses, lançaremos a pedra fundamental…”.

“Eu apenas lamento que antes, quando tudo era dívida e nem crédito havia, estes elementos não fazia oposição. Hoje, com o clube tranqüilo e muito dinheiro em caixa, temos muitos candidatos…”.

E é assim. Desde 197 Matheus vem brigando, enfrentando problemas e obstáculos, mas não admite largar o posto de presidente do Corinthians para um “oportunista”.

Neste momento o Corinthians, no seu futebol, não passa por um bom momento e isso é terrível para a torcida. Em 1980 o time jogou pelo campeonato paulista 40 partidas, apresentando uma renda bruta de 99.600.520,00 e uma renda líquida de 33.534.841,00. O Corinthians não investiu no último ano e neste parece estar seguindo a mesma linha. Qual seria a explicação de Matheus?

“Se o último certame não foi bom, este ano será pior. As taxas cobradas pela Federação Paulista de Futebol são muito altas. Os clubes grandes vão ficando cada vez mais fracos”.

“Talvez tenha até errado em não contratar até agora, além do Zenon. Mas pretendi valorizar o atual elenco e disse que estava disposto a recompensá-los se não precisasse contratar ninguém, a não ser meio-campista”.

“Também não acho que o elenco seja velho, e o Dario com mais de 35 anos provou que é um jogador responsável, que se cuida, pode jogar muitos anos além da idade considerada ideal. Cito mais outros jogadores com idades avançadas: Zé Carlos, Wanderley, Dicá…”.

“Mas o futebol está sendo ferido. O Palmeiras jogou contra o Internacional no Pacaembu e a FPF disse que entraram no estádio mais de 44 mil pessoas. Ora, isso é caso de polícia…”.

“Eu conheço muito o Pacaembu. Já vi jogos com mais de 70 mil pessoas e tudo bem. O Pacaembu lotado e dizem que só 44 mil pessoas lá estavam. Daqui a pouco o Pacaembu vai ficar do tamanho do Parque São Jorge. Aqui no Corinthians já tivemos um público de 35 mil pessoas e o Pacaembu vai encolhendo cada vez mais…”.

“O pior é que não se sabe qual a pessoa ideal para ouvir uma reclamação ou protesto. Os clubes vão se acomodando e nada é resolvido. No ano passado a renda do Corinthians foi horrível. Os clubes grandes deveriam se reunir de maneira séria, leal, sincera”.

“Os grandes clubes brasileiros possuem uma associação e talvez esta seja a solução. Há muito tempo que eu estou lutando para fortalecer esta associação mas parece que só agora os outros presidentes estão dando valor. Mas, antes tarde do que nunca…”.

“Quando, há algum tempo, eu dizia que os clubes fortes deveriam se unir e discutir seus problemas, muitas pessoas disseram que eu estava fazendo política para alguém e que meus objetivos não eram tão sinceros. Fiquei magoado porque posso ter muitos defeitos, mas não faço, nem participo de política fora do Corinthians. Vivo o meu clube, curto a vida da minha agremiação e nada mais. Sei que não sou simpático ao presidente da FPF e sempre que pode ele dá uma estilingada, mas quando a associação dos grandes clubes começar a funcionar, todos serão mais respeitados…”.

“As agremiações poderiam dar sugestões para as soluções dos grandes problemas. A Federação Paulista de Futebol não contrata, nem mantém jogador nenhum e mesmo assim fica com uma terça parte da renda. Isso é incrível. A FPF contrata apenas funcionários e não precisa de tanto dinheiro. Dizem até que o INPS atrasado dos clubes pequenos serão pagos pela Federação, pois o atual presidente visa ser eleito novamente”.

“O Corinthians tem 65 mil sócios e eles estão cobrindo as nossas despesas. O superávit do Corinthians no último exercício foi de 87 milhões de cruzeiros e não foi incluída a renda de carnaval, já que o balanço é fechado no final de fevereiro”.

“O futebol deu prejuízo no último ano. Mas o Corinthians é um todo e vamos contratar apesar de tudo… Nos esportes amadores foram gastos mais de dois milhões. O Corinthians passa por um momento tranqüilo. Apesar das medidas duras que tive que tomar, tudo vai bem. Dispensei jogadores, mas outros clubes já agiram assim e o próprio Corinthians, num passado não muito distante. Aqui é assim: quem não estiver contente, vai embora. A camisa do Corinthians tem que ser respeitada, tem que ser sentida…”.

Mas mesmo com um futebol que deu prejuízo no último ano, o Corinthians vai contratar?

“O que posso fazer? O Corinthians tem que acompanhar os outros. Uma coisa eu posso garantir: quando o Corinthians estiver arruinado, todos os outros já caíram…”.

“Os grandes jogadores estão saindo do país. Os clubes não estão resistindo. Quero dar um exemplo: fui para a Espanha vender o Gil e assisti uma partida que rendeu mais de 22 milhões de cruzeiros. Assim os clubes conseguem viver, não é?”.

“E o estádio não tinha capacidade superiro a 24 mil lugares. Mas todos numerados. Gostaria que o Pacaembu fosse um estádio com todos os seus lugares numerados e seria o fim da ladroeira. Seria o fim dos ladrões. É um apelo que faço: acabem com os ladrões”.

“Na Espanha eles têm calendário e nós não temos. Lá eles vendem o carnê para toda a temporada, aqui isso ainda é impossível. Alguma coisa aqui está errada…”.

“Numerem os lugares, aumentem os preços das numeradas já que os cambistas cobram muito mais alto que o valor real. Essas são as minhas sugestões iniciais, mas a Federação Paulista de Futebol deveria reduzir suas taxas imediatamente. Se realmente ela trabalha e pensa nos seus filiados, tem que diminuir suas despesas. Repito: a FPF não tem jogadores para contratar ou manter…”.

“Mas o presidente da FPF está muito preocupado em ficar na Assembléia e não pode mesmo pensar nos clubes ou no futebol. Tem que cuidar da política partidária e o futebol fica num lugar secundário…”.

“Eu prefiro pensar no Corinthians, dormir, comer, viver Corinthians. E nem assim dá tempo, imaginem se fosse cuidar de outras coisas fora daqui…”.

“Os clubes deixariam de perder muito dinheiro se a evasão terminasse e não é de hoje que estou dizendo isso. Alguém tem que solucionar o problema, mas parece que não existe interesse”.

“Quando o Corinthians colocou alguns fiscais, diversas irregularidades foram constatadas, até o Tribunal de Contas do Município constatou irregularidades, mas nada é resolvido. E depois do roubo que ocorreu em Ribeirão Preto, fico ainda mais assustado…”.

Matheus sabe que estas suas denúncias provocaram uma grande revolta em “determinadas pessoas”, mas não está preocupado:

“Claro que muitos vestirão as carapuças, mas alguém tinha que falar, ou continuar falando. Afinal, não estão atingindo, ou ferindo a figura do Matheus, mas sim o Corinthians e quando se trata do clube não penso duas vezes. Não aceito que violentem as finanças do Corinthians e é isso que estão fazendo…”.