Arquivo da categoria: violencia futebol

Medo

Leia o post original por Antero Greco

Vira e mexe torcedores invadem centros de treinamentos para tirar satisfações ou para “incentivar” jogadores. Não há um grande clube que não tenha passado por situação semelhante. Que, nem por isso, deixa de ser grave, constrangedora, aviltante. Covarde.

Comum, nessas ocasiões, ocorreram depredações, ameaças e agressões. Depois, um grupo é recebido por comissão de atletas e dirigentes para uma conversa apaziguadora. Os valentões passam o recado, quando não dão palestras para elencos, e vão embora tranquilamente, sem serem incomodados. Alguns dão declarações para meios de comunicação.

Na sequência, ao serem questionados a respeito de desdobramentos, cartolas e jogadores desconversam. Mostram indignação para inglês ver, prometem romper com as torcidas, avisam que o caso será entregue à polícia e… não se fala mais nisso. Até o próximo episódio semelhante, com as mesmas cenas e os mesmos personagens de sempre.

Por que o esquecimento? Por medo e, em alguns casos, por conivência. O pessoal do mundo do futebol sabe com quem lida nesses momentos de tensão. Sabe que não é o fanático que perde a cabeça e vai xingar; esse “zé mané” é fácil de driblar, na boa vontade ou até no mano a mano. Nas invasões está gente da pesada, com a qual é melhor não bulir. E sabe-se lá a mando de quem foram badernar…

Dá para entender – e lamentar -, quando uma multidão invade um local privado de trabalho, coloca em risco segurança de funcionários e tudo acaba se resumindo num comentário ameno, algo como: “Foram só uns tapinhas e uns chutinhos.”

A violência no futebol brasileiro está longe de virar fumaça. Ao contrário…

 

Violência de torcidas: chover no molhado

Leia o post original por Antero Greco

O tribunal esportivo já está em ação. O procurador Paulo Schimitt denunciou Flamengo e Palmeiras por causa da briga de torcidas, no intervalo do clássico de domingo, em Brasília. Se forem condenados, os dois clubes pagarão multas salgadas e podem perder muitos mandos de jogos.

Muito bem, é a justiça da bola a cobrar postura dos clubes. Afinal, de acordo com o código disciplinar, são responsáveis pela segurança dos espectadores no espetáculo. No caso, mandante e convidado terão de dividir o ônus por aquilo que ocorreu no maior estádio da Copa de 2014. Maior e incrivelmente mais caro, custou pra lá de 1,5 milhão…

O tema é controvertido e dá margem para interpretações. Está na hora de os clubes assumirem o controle da ordem, dentro das arenas. A PM deve ficar no lado de fora, no acesso do público, pois esta é a função dela. Entra só quando necessário, e em situações extremas.

Não se pode jogar sobre a corporação uma tarefa que é dos clubes. Um jogo de futebol é evento privado, que visa lucro. Quem o organiza precisa estruturar-se também para gastos com segurança. Se saem caro, problema deles. Não é possível que um serviço comunitário seja usado em locais fechados. Trata-se de um negócio – e cada um se prepare para tal.

Muito bem, esse é um aspecto.

Outro, tão ou mais relevante, tem a ver com autoridades, com governo, com segurança. A movimentação das Organizadas, sempre o foco de incidentes graves, deveria ser seguido pelos serviços de inteligência. Inconcebível o fato de que há décadas elas promovem confusões e pouco se faz para combater os maus integrantes. É muito papo furado e pouca ação.

Não adianta nada prender meia dúzia, que em seguida são soltos. Não adianta vir com conversa mole de que serão fichados, pois isso não resulta em coisa alguma. Toda semana tem alguma história de violência, de vandalismo, dos personagens de sempre. São os mesmos!

Não se pode alegar dificuldade para controlar “milhares”, porque a tropa de choque dessas agremiações é conhecida, manjada, circula pelo país à vontade. Com frequência, saem para o exterior. Até se envolveram em assassinato nos vizinhos. Alguns ficaram presos e, na volta, foram recebidos como heróis. Teve até alto dirigente de clube importante que os defendeu.

Portanto, o tribunal pode punir Palmeiras, Flamengo, quem quiser, porque o problema não acabará. Pode despertar a consciência dos clubes de cuidarem mais da segurança. Mas, enquanto não houver movimento sério para acabar com as laranjas podres, fatos como os de Brasília vão repetir-se indefinidamente.

E gastaremos saliva, papel e espaço para chover no molhado.

 

Um sistema que não faz sentido

Leia o post original por Rica Perrone

Eu não preciso de um pai, já tenho. O estado deve aplicar regras e me devolver o que lhe pago em impostos. Ponto. No Brasil entende-se que o estado deve cuidar de você, te dar de comer, de beber, cantar pra você dormir e não deixar que você cometa erros, afinal, se cometer, ele não …